TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quinta-feira, 30 de julho de 2020

AS HORAS DANÇAM NUAS




Quando o sol romper, exaustos e cheios,
Não me perguntes onde ficaram os meses de ausência,
Estão desfeitos aqui, entre os nossos joelhos,
Entre o suor e o gozo, entre a fome e a essência.

As horas dançaram nuas, sem pudor algum,
Em sinfonia de corpos, um balé sem fim,
Onde o tempo se perdeu, num êxtase comum,
E cada toque um grito, que ecoa em mim.

Teu corpo, mapa de desejo que explorei,
Cada curva um convite, um segredo a desvendar,
Na noite que se estendeu, em ti me mergulhei,
Em busca do abismo que eu sempre quis encontrar.

Nossos gemidos, hinos que a alma entoou,
No altar sagrado da carne, em união divina,
Onde o orgasmo explodiu, e a razão se apagou,
Em cada espasmo, a vida mais pura e genuína.

E agora, ao amanhecer, com a pele ainda a vibrar,
Marcada pelos beijos, pelo amor que nos consumiu,
Não há espaço para perguntas, nem tempo a lamentar,
Apenas a certeza do que em ti se descobriu.

Os meses de ausência, em teu abraço se findaram,
Na tempestade de prazer que nos levou ao céu,
E os instantes fugazes, em memória se gravaram,
Nos nossos corpos exaustos, sob um novo véu.

Não há arrependimento, nem dor que me assombre,
Apenas a plenitude do que juntos vivemos,
Nesse ritual selvagem, onde o amor transborde,
E os nossos corpos cansados, a glória do gozo temos.

Assim, quando o sol romper, exaustos e cheios,
Com a memória vívida do prazer que nos uniu,
Sabemos que os meses de ausência, agora são nossos anéis,
Presos na essência do amor, que em nossos corpos fluiu.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 29 de julho de 2020

terça-feira, 28 de julho de 2020

SENSUAL OLÊNCIA



Prendeu-me em teus braços
 sedutores e ardentes
 fez-me ocupar teus espaços
 de aspiração e expiração quentes.

 Perfumou a minha vida
 na justa e perfeita medida
 em teu corpo há essência
 uma magia hospitaleira.

 Inalando tua sensual olência
 tornaste-me tua prisioneira...




  Cléia Fialho

segunda-feira, 27 de julho de 2020

EM GOZO E VERSO


Daqui onde a boca ainda queima
e o verso desce como fruta madura,
teu tronco é curva, chama, madeira,
e eu sou a sede que não se apura.

Desço por ti como rio em cheia,
molho os lábios no teu beijo,
cada sílaba é uma veia
que pulsa e arde — e ninguém doma.

Não peço calma, peço cais,
não peço luz, peço o escuro,
que o tesão, quando é mais, se desfaz
em gozo e verso — duro, duro.

E bebo, sim, até o osso,
até o fim do teu espanto,
pois todo o corpo é um poema grosso
que eu recito em gozo e canto.




  Cléia Fialho

sábado, 25 de julho de 2020

FORÇA E PRESSÃO



Indo e vindo... 
vindo e indo...
 Em um insano prazer infindo
 Com muita força e pressão
 
Em um gozo abduzida
 Sem pena e sem perdão
 Quero assim ser possuída...

Indo e vindo…
vindo e indo…
num giro de desejo sem fim definido.

E o tempo se quebra em ondas profundas,
onde tudo em mim perde direção,
e resta apenas o impulso do instante.

Força que arrasta, silêncio que chama,
um abismo doce onde eu me lanço inteira,
sem mapa, sem freio, sem nome.

E nesse movimento que não se explica,
eu me deixo levar —
como quem descobre que cair também é forma de voo.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 24 de julho de 2020

SOMBRAS E TOQUES



Deixemos que a noite nos envolva,  
teus lábios, uma promessa de prazer  
enquanto o luar se esgueira das nuvens,  
refletindo a chama que arde em nós.

Neste instante, o universo é pequeno,  
nada além do calor dos nossos corpos,  
cada suspiro uma ode à verdadeira essência,  
onde somos mais que sombras, somos luz.

Assim, os ritmos se entrelaçam,  
enquanto a vida flui entre nós,  
devagar, feroz, como um rio indomável  
que arrasta tudo em sua passagem.

Não sei se em nossa língua me expresso,  
ou se o calor se revela em silêncios,  
mas é nos ecos, nas batidas do peito,  
que nossas vozes dançam em união.

Os nossos corpos, numa sintonia,  
se cruzam em caminhos desenhados,  
como estrelas que atingem seu destino,  
desvendando a noite e suas promessas.

Perdia-me em ti, por dias e dias,  
em teu abraço, calor que me consome,  
cada toque, cada sussurro é um lume  
que queima na memória, ardente e vivo.

E entre as sombras, a paixão se desenha,  
como a maré que beija a areia à noite,  
despertando desejos ocultos,  
uma dança de instintos, livre, intensa.

E nesse devorar silencioso,  
nossos mundos se encontram em um só,  
onde o tempo se dobrando em nós,  
suspende o ar, transforma tudo em puro.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 23 de julho de 2020

quarta-feira, 22 de julho de 2020

SUSSURROS DELICADOS




Deslizo na curva do teu ser,    
Buscando a essência fresca do instante,  
Um toque suave, um gemido sutil,    
A química dessas almas que se fundem.  

Lembro das tardes em que o mundo se calou,  
Nossos risos se misturavam ao vento,  
E o calor da pele era quase um canto,  
Como se o tempo não existisse.

E no labirinto da tua presença,  
Perdia-me, dia após dia,  
Cada toque um verso, cada suspiro,  
A canção de um amor que não conhece fim.

Teus olhos eram pórticos ao infinito,  
Os segredos guardados no profundo,  
E eu, viajante perdido em suas águas,  
Deixava que a corrente me levasse.

E assim, entre as sombras e as luzes,  
Construímos mundos em noites sem fim,  
Transformando o real em pura magia,  
Cada curva e contorno, um poema vivo.

O desejo era um leão em plena selva,  
Rugindo sob a noite estrelada,  
E os nossos corpos, como ramos de uma árvore,  
Abraçavam-se, entrelaçados e calorosos.  

Num jogo de sombras, a paixão levava,  
Atrás do horizonte de um sonho,  
E a cada beijo, soltávamos estrelas,  
Brilhando na escuridão, num esplendor formoso.

E mesmo quando a manhã chegava,  
As memórias dançavam na brisa,  
Como folhas levadas por correntes,  
Fazendo o doce amor perdurar.




  Cléia Fialho

terça-feira, 21 de julho de 2020

TESÃO CONDUZ




Os corpos nus
Nosso tesão conduz
À um êxtase seduz.

Na dança febril do desejo,
Teu toque acende o lampejo
Que arde lento sobre a pele
Como chama doce e breve.

Teus olhos nos meus perdidos,
Suspiros entre gemidos,
E a noite, cúmplice e quente,
Abraça a paixão da gente.

Entre carícias e calor,
Floresce intenso o amor,
Num instante sem medida
Onde o prazer pulsa vida.





  Cléia Fialho