Quando o sol romper, exaustos e cheios,
Não me perguntes onde ficaram os meses de ausência,
Estão desfeitos aqui, entre os nossos joelhos,
Entre o suor e o gozo, entre a fome e a essência.
As horas dançaram nuas, sem pudor algum,
Em sinfonia de corpos, um balé sem fim,
Onde o tempo se perdeu, num êxtase comum,
E cada toque um grito, que ecoa em mim.
Teu corpo, mapa de desejo que explorei,
Cada curva um convite, um segredo a desvendar,
Na noite que se estendeu, em ti me mergulhei,
Em busca do abismo que eu sempre quis encontrar.
Nossos gemidos, hinos que a alma entoou,
No altar sagrado da carne, em união divina,
Onde o orgasmo explodiu, e a razão se apagou,
Em cada espasmo, a vida mais pura e genuína.
E agora, ao amanhecer, com a pele ainda a vibrar,
Marcada pelos beijos, pelo amor que nos consumiu,
Não há espaço para perguntas, nem tempo a lamentar,
Apenas a certeza do que em ti se descobriu.
Os meses de ausência, em teu abraço se findaram,
Na tempestade de prazer que nos levou ao céu,
E os instantes fugazes, em memória se gravaram,
Nos nossos corpos exaustos, sob um novo véu.
Não há arrependimento, nem dor que me assombre,
Apenas a plenitude do que juntos vivemos,
Nesse ritual selvagem, onde o amor transborde,
E os nossos corpos cansados, a glória do gozo temos.
Assim, quando o sol romper, exaustos e cheios,
Com a memória vívida do prazer que nos uniu,
Sabemos que os meses de ausência, agora são nossos anéis,
Presos na essência do amor, que em nossos corpos fluiu.
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