TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia






quarta-feira, 12 de agosto de 2026

VONTADE DE VOAR



Há dias em que sou ave
antes mesmo de abrir os olhos.
A alma se espreguiça,
desfaz limites,
e o peito pulsa céu.

Vontade de voar
sem mapa,
sem pressa,
só com o vento me guiando
e o silêncio me acolhendo.

De lá do alto,
tudo é mais simples:
as dores se tornam pontos,
as dúvidas se dissolvem
como neblina ao sol.

Quero ver o mundo com asas,
sentir o tempo escorrer entre penas,
beijar o instante com o bico da esperança,
e mergulhar na vida
como quem entende que viver
é também saber pairar.

Voar é mais que partir —
é abrir os olhos por dentro.
É reencontrar-se no azul
e descobrir que o infinito
sempre esteve em mim.




  Cléia Fialho

terça-feira, 11 de agosto de 2026

VISTO-ME DE TI



Te penso
como quem desliza os dedos
sobre a seda quente da saudade.

Tua ausência tem cheiro,
tem gosto,
tem umidade presa
nas entrelinhas do meu desejo.

Me deito no pensamento de ti
e lá te toco
como o vento toca a flor —
com fome,
com cuidado,
com reverência e loucura.

Minha pele
já decorou o caminho da tua,
e cada curva tua
é uma rima que meu corpo quer recitar.

Teu nome vem à minha boca
não como oração,
mas como gemido
entreaberto,
febril.

És verbo
quando me atravessa.
És mar
quando me invade.
És chama
que me incendeia por dentro.

E quando o silêncio enfim nos cobre,
nua da razão,
visto-me de ti
como quem habita
a última estrofe do prazer.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

ENTRE O ENCANTO E O DESCONTROLE


Se houvesse um jeito de parar o tempo,
como se o agora não tivesse pressa de existir,
eu te diria que só resta este instante
— minhas mãos desenhando teu corpo.

O ar se adensa em perfumes sutis,
um misto de desejo e silêncio ardente,
enquanto nossos corpos se aproximam
num encontro que dispensa explicações.

E nos movemos como se o mundo sumisse,
num compasso que lembra ondas em brasa,
teus gestos conduzindo os meus sentidos
até o limite doce do arrepio.

Provo a linguagem quente da tua pele,
o brilho leve do suor que te revela,
e tudo em nós vira mar em combustão
numa dança que não conhece retorno.

Aqui, entre o encanto e o descontrole,
me perco na curva do teu magnetismo,
como se céu e abismo se tocassem
no segredo profundo desse abraço.





  Cléia Fialho

domingo, 9 de agosto de 2026

ME ROUBA EM JUÍZOS


Desperta em mim esse fogo inquieto,
chega mais perto e me desarma inteira.
Teu olhar em chamas me rouba o juízo,
e me arrasta leve para outra maneira.

Teus olhos brincam, cheios de ousadia,
acendem em mim um desejo sem freio.
E cada beijo que ainda imagino,
vira um chamado correndo no meu peito.

Teu jeito travesso me tira do prumo,
me deixa entregue, sem rota, sem chão.
E o corpo inteiro já vai se rendendo
ao ritmo quente dessa atração.

Tua boca encontra caminhos em mim,
insinua o gosto do que não se diz.
E quando te chegas, tão perto, tão livre,
me torno vontade de ser só raiz.

Há um tremor doce correndo em silêncio,
uma promessa que o corpo entende.
E eu já não sei mais voltar para trás,
quando teu gesto em mim se acende.

Vem sem demora, sem medo, sem tempo,
que os sentidos já perderam razão.
Seja o encontro, o impulso, o instante…
e me leva inteira nessa explosão.





  Cléia Fialho

sábado, 8 de agosto de 2026

UMA NOITE COMO TANTAS OUTRAS


Uma noite de êxtase e vertigem,
quando os teus gestos me tomaram por inteira,
e meu peito batia em descompasso intenso,
afogado em ti, na tua doce maneira.

Era apenas uma noite como tantas outras,
sem sinais do destino a anunciar,
mas teus lábios trouxeram fogo à pele,
e teus toques souberam me transformar.

Me vi tomada por uma entrega serena,
nossos corpos se reconheceram em união,
entrelaçados em abraços profundos e lentos,
e tu permanecias em mim como sensação.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

CANTO SECRETO DO CORAÇÃO


Sou tua, sem margem ou reserva,
entregue no corpo, na alma e no sentir.
Cada gesto meu te procura e te alcança,
como se o destino soubesse insistir.

Meu corpo te reconhece sem precisar de fala,
linguagem que nasce no toque e no olhar.
Entre nós se estabelece um pacto silencioso,
feito de entrega que não precisa explicar.

Carrego segredos que já não me pertencem,
todos revelados na tua presença total.
Fui me desnudando em verdades profundas,
até não restar mais defesa ou sinal.

Guarda-me em ti como imagem viva,
num canto secreto do teu coração.
Que teu afeto me envolva e me sustente,
como abrigo, repouso e redenção.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

DOCE DELÍRIO IRREAL


Sim… pode dizer, sem medo,
deixa a voz correr solta em mim.
Fala do desejo que te atravessa,
do fogo discreto que te traz assim.

Sussurra lento no meu ouvido,
como brisa quente em espiral,
palavras que vibram no corpo inteiro,
um doce delírio quase irreal.

Diz que me quer em tempo antigo,
como se o destino já soubesse nós.
Que entre outras vidas já nos perdemos,
e agora voltamos na mesma voz.

E que esse sentir não fere nem quebra,
só cuida, envolve, faz proteger,
um laço sereno de duas presenças
que aprendem juntas a se pertencer.

Fala também do teu mais fundo desejo,
do riso final que queres guardar,
do que te chama e do que te assusta
no mesmo instante de se entregar.

E deixa o coração sem limites ou freios,
em liberdade pra simplesmente ser…
porque no encontro dessas emoções
tudo é permitido quando é prazer.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

DESEJO INSISTENTE


Eu me perco no som da tua voz,
na forma única que tens de me alcançar.
No teu jeito de amar, meio desfeito,
virando tudo do avesso sem avisar.

E há coisas em ti que eu nem sei dizer,
só sinto — e deixo arder sem explicar.

Ser feliz é esse desejo insistente,
esse impulso que não sabe esperar.
E num instante qualquer, quase indecente,
o mundo parece pronto pra girar.
Roupas se perdem na pressa do momento,
e um arrepio insiste em me tomar.

Depois de alguns goles a mais na noite,
tudo vira convite pra se entregar.
O juízo escapa pela borda do copo,
e eu já não sei bem onde vou parar.
Se eu me perco demais nesse caminho,
não prometo voltar no mesmo lugar.

Não quero ser só passagem na tua história,
nem lembrança que insiste em machucar.
Quero ser o instante que fica na memória,
sem peso, sem medo de se apagar.
Mas há ciúme em certas sobras de perfume,
quando a saudade resolve ficar.

Vou ficar mais um pouco nesse teu universo,
decorando cada curva do teu olhar.
E essa aventura viva, de pele e de risco,
deixa marcas que o tempo não vai apagar.
E em algum lugar entre o toque e o abismo,
a gente aprende até a levitar.

Tu tens algo que parece impossível,
um quase céu difícil de explicar.
Um corpo que desenha o inatingível,
como se fosse feito pra provocar.
E tua boca — ah, tua boca —
é o verso mais bonito que eu pude tocar.





  Cléia Fialho

terça-feira, 4 de agosto de 2026

EM BUSCA DE SENTIDOS


A vontade de percorrer teu corpo inteiro,
como quem desvenda um território sagrado,
com a entrega da boca em busca de sentidos,
e das mãos que aprendem o teu segredo calado.

A vontade de acalmar o incêndio que te habita,
esse vulcão que em silêncio me chama e devora,
com a pressa suave dos meus instintos despertos,
e a fome doce que em mim se demora.

Quero te sentir sem pressa e sem limites,
como mar que invade a areia sem pedir licença,
e em cada toque descobrir novas marés,
onde o desejo se perde e também se pensa.

E assim, entre fogo e respiração suspensa,
teu corpo e o meu viram mesma linguagem,
um só impulso, uma única corrente,
onde o amor se escreve em louca viagem.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

domingo, 2 de agosto de 2026

ENTRE LENÇÕES E DESEJOS



Em um suspiro profundo, perdi-me na carne,
Entre lençóis e desejos, onde a pele se rende.
O calor que emana é a chama, tão constante,
Que aquece o corpo, fazendo-o, em silêncio, 
— entender —

Duas mãos não bastam, a sede é demasiada,
Cada curva, cada traço, cada canto revelado.
Os dedos se perdem, e a alma é chamada,
A cada toque, um universo é despertado.

O rosto no tecido, na busca do afago,
A boca, entre suspiros, anseia o sabor.
O corpo é um campo, onde o prazer é um lago,
Onde as águas da paixão se misturam ao clamor.

E no seio do desejo, o corpo é uma canção,
Uma melodia de dores e delícias em dança,
Que envolve o ser inteiro em uma obsessão,
Onde o querer é um grito que nunca cansa.

As pernas se entrelaçam, como raízes no chão,
Buscando o ápice onde a razão perde seu lugar,
Em um frenesi, se mutiplica o tesão —
A urgência é a chave para o prazer encontrar.

Assim, nas sombras, é onde se vive o querer,
Onde o toque se torna verbo, e o silêncio é grito.
Na doçura do momento, não há tempo a perder,
Só o agora, o prazer, e o corpo aflito.




  Cléia Fialho

sábado, 1 de agosto de 2026

SELVAGEM E SERENO



Sou vento suave,
que te envolve e desvia,
nas margens do abismo,
onde a dor se alivia.

Em teus braços vejo mares,
seus ecos de um sol que se esconde,
onde cada curva, cada linha,
é a dança do desejo,
e o tempo, que foge, responde.

Teu corpo, selvagem e sereno,
é chama que arde na madrugada,
em teus olhos, as estrelas se perdem,
navegando na perdição da estrada.

Quando toco tua pele,
o universo se curva,
pois somos a tempestade,
o suspiro que não se escuta,
mas se sente,
tão profundo,
que o silêncio se explode
em um mar sem fim.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 30 de julho de 2026