TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sábado, 11 de julho de 2015

TEU CORPO NA MINHA BOCA



O prazer é carne acesa,
é a nossa ode mais estreita aquela que cabe apenas
no vão entre o teu quadril e o meu grito.
Não se declama – geme-se,
não se escreve – escorre-se,
não se guarda – devora-se.

Para me sentires úmida,
me toques com a ponta dos dedos.
Morde-me, prende-me o olhar,
enrola a minha língua na tua até o ar faltar e o chão sumir.
Molha-te em mim como quem bebe de uma fruta que não seca,

Como quem afunda a cara na minha entreperna e lá fica,
até os teus lábios saberem escorrer ao teu tremor.
Entrega-te ao desejo como quem entrega a própria vida
 – ao ápice do gozo.
Quebra o ritmo, 
atropela a calma,
entra em mim com a fome de quem não come há dias
com o suor que te pinga do peito,
com os dedos que me abrem e me reconhecem às escuras.

E juntos, alcançaremos o êxtase – nós o faremos acontecer,
como quem provoca um incêndio.
Será o nosso corpo a arder
Será o teu corpo trêmulo – no meio do meu arfar.
Será a minha perna treme – contra a tua coxa molhada.

Será o instante em que o prazer nos deixa mudos,
mas os nossos quadris continuam – a falar a língua obscena
– a da carne que se oferece,
a do gemido que não pede licença,
 – a do leite que escorre
e não tem pressa de secar.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 10 de julho de 2015

MAPA DE DESEJOS CONTIDOS



Pele em brasa sob a lua mansa
Um sussurro teu que me acende a alma
O toque leve um arrepio que sobe
Olhares fundos onde se perdem os medos.

O corpo ancioso buscando um encontro
O ritmo lento da respiração a pulsar
Palavras não ditas que se fazem em carícia
A pele um mapa de desejos contidos.

O silêncio ecoa uma promessa guardada
No abraço a certeza de um sentir profundo
A noite se estende em volúpcias suaves.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 6 de julho de 2015

BRILHO TÃO SINGULAR



Mas que dor carrega o amor sincero,  
Quando a saudade, 
qual sombra, 
 — insiste,  

Na ausência da luz que antes iluminava,  
E as memórias se fazem tortuosas,  
Vão e voltam, 
 — entre as folhas caídas,  
Num ciclo eterno de um reverenciar.  

Desejos a flor da pele tão vivos,  
Como as ondas em busca da areia,  
Por mais que o tempo contraia e expanda,  
Nada apaga o brilho tão singular,  
Um eco profundo que eternamente,  
Fica a ressoar nas veias do amar.  

E assim, em cada dia que amanhece,  
Eu guardo os desejos a flor da pele,  
Pois em cada batedeira do peito,  
Renasce a essência de quem eu sou,  
E mesmo entre risos e as dores,  
Serei sempre luz a navegar.




  Cléia Fialho

sábado, 4 de julho de 2015

TUA PRESENÇA É PERFUME



No sussurro do vento,  
as memórias dançam,  
 — teus olhos, 
 — dois oceanos,  
onde a luz serve de guia.  

Tua presença é perfume  
flutuando entre as sombras,  
um toque na pele  
que fala em silêncio.  

Os gestos são versos,  
um poema falado,  
 — e a brisa, 
 — cúmplice,  
carrega um segredo.  

As palavras se entrelaçam,  
como dedos entrelaçados,  
corações que pulsam  
num ritmo compassado.  

E no crepúsculo,  
com a luz a se apagar,  
canto a essência do calor  
que se revela em cada olhar.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O AROMA DO QUERER



Nos desejos a flor da pele,  
 — surge um tremor, 
um sonho e um mistério,  
 — o que a alma, 
em segredo, cede,  
é o amor que embala fora do sério.  

Caminhos de luz, 
 — de sombra e de esperança,  
navegam entre risos e lágrimas,  
 — cada olhar, 
uma dança,  
tece laços que a vida consagra.  

No fresco amanhecer, 
 — o aroma do querer,  
tão doce e tão leve,  
se espalha no ar,  
 — invade a razão, 
tão breve,  
deixa marcas que não sei apagar.  

E nesta jornada de afetos e anseios,  
cada passo é um verso escondido.  
O tempo, 
 — com calma, entrelaça,  
os ecos de um amor vivido.  

Desejos, 
 — frutos de um coração ansioso,  
despertam em cada toque, 
 — em cada gesto,  
são as chamas que queimam, 
 — tão fogoso,  
mesmo quando o destino é incesto.  

E assim seguimos, 
 — polidos de anseios,  
a flor da pele, 
um poema sincero,  
na busca incessante de nós mesmos  
encontramos o amor, 
 — o eterno e o claro.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 1 de julho de 2015

CORPO INTEIRO




Conhecer teu corpo inteiro  
é atravessar um território sem fim,  
desbravar essa vastidão quente  
onde cada curva guarda um segredo.  

Quero ler tua pele com fome e calma,  
seguir o mapa vivo dos teus desejos,  
sentir teu arrepio nascer sob meus dedos  
como chama acesa na madrugada. 

Há em ti uma imensidão que me chama,  
um abismo doce, 
 — sedutor, 
 — inevitável,  
e eu me perco com vontade nessa entrega,  
como quem encontra no excesso  
a forma mais intensa de existir.

Teu corpo é noite aberta e convite,  
é mar de febre, 
silêncio e vertigem,  
e eu me lanço inteiro nesse descobrimento,  
ardendo no prazer de te saber assim,  
 — profundo, 
 — absoluto, 
 — infinito.




  Cléia Fialho