TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O QUE SINTO NO MOMENTO EM QUE SOU TUA



Sou tua neste instante.

Deitada debaixo de ti, com o teu peso a esmagar-me deliciosamente contra o colchão, com as tuas mãos a prenderem-me os pulsos sobre a cabeça — sou tua de uma forma que nenhuma palavra decente consegue descrever.

O lençol está por baixo de nós, mas nós estamos noutro sítio. Estamos naquele lugar onde o tempo se torna elástico, onde os minutos incham como bolhas e rebentam devagar, onde nada mais existe excepto a tua respiração no meu pescoço e o meu coração a bater tão forte que tu deves senti-lo contra o teu peito.

Abre-me. Sabes que já estou aberta.

Estou aberta desde que entraste pela porta com aquele olhar que me dispensa palavras. Estou aberta desde que me arrancaste o vestido pelos ombros sem paciência para fechos. Estou aberta desde que a tua boca desceu-me pelo pescoço, pela clavícula, pelo vale entre os meus seios, ensinando-me outra vez o mapa que já sabia de cor.

Entra devagar, como sabes que gosto. Deixa-me sentir cada centímetro, deixa-me arquear as costas do colchão e gemer para dentro da tua boca aberta sobre a minha. Depois vai fundo. Vai onde ninguém mais foi. Vai a esse sítio em mim que só tu conheces e que responde só a ti — esse sítio secreto que reservei para ti antes ainda de te ter conhecido.

Sou boca — aberta a chamar-te. Sou ancas — a subir para te encontrar a meio caminho. Sou coxas — apertadas à volta da tua cintura como se tivessem medo que fugisses. Sou dedos afundados no teu cabelo, unhas cravadas nos teus ombros, suor a misturar-se com o teu suor até já não haver forma de distinguir.

Chama-me tua.
Chama-me alto.
Chama-me à frente.

Diz-me obscenidades ao ouvido enquanto te mexes dentro de mim. Diz-me como estou molhada, como estou apertada, como és tu que me pões assim. Diz-me que sou tua puta e tua rainha, tua santa e tua pecadora, tua mulher e tua desconhecida — todas ao mesmo tempo. Diz-mo. Sei que sou. Sou tudo o que quiseres que eu seja, contigo, agora, aqui.

Marca-me. Morde-me o pescoço, deixa-me a marca dos teus dentes onde toda a gente possa ver amanhã, para que eu passe o dia inteiro na rua a lembrar-me de agora, a apertar as coxas debaixo da secretária, a corar quando alguém me pergunta se estou bem.

Segura-me o pescoço com essa tua mão grande — com a gentileza de sempre, com a firmeza que me faz gemer. Sabes que gosto. Sabes que é aí que eu me perco. Sabes que é aí que deixo de ser eu e passo a ser só tua.

Cavalga-me se me quiseres em cima. Vira-me se me quiseres de bruços. Levanta-me se me quiseres contra a parede. Fá-lo. Faz de mim o que quiseres.

Estou entregue.
Estou entregue como nunca me entreguei a ninguém.
Nem a mim mesma.

Sente-me a apertar-me à tua volta... A tremer por dentro. Sente-me a vir sob ti — a chorar de gozo, a chamar-te, a esquecer o meu próprio nome — e depois vem tu, vem em mim, vem fundo, vem tudo. Deixa em mim uma parte tua para eu levar comigo pelo dia fora.

Que o meu corpo guarde o teu por dentro até amanhã.

Que a minha pele fique com o teu cheiro por baixo do perfume. Que a minha boca fique com o teu gosto por baixo do café. Que o meu ventre fique com o eco da tua fome mesmo depois de eu me lavar.

Sou tua 
— no sentido mais obsceno
— mais bonito
— mais definitivo dessa palavra.

Sou tua na mesa do jantar quando conversamos sobre coisas banais... no elevador cheio quando finjo não te olhar... Em cada instante em que respiro.

E se me tiveres de novo daqui a uma hora, serei outra vez.
E daqui a uma hora depois dessa. 
E amanhã. 
E depois de amanhã.
Sou tua.
Sempre.



  Cléia Fialho

terça-feira, 8 de setembro de 2015

CANTO DE PÁSSAROS




Na alvorada clara  
um sorriso desponta,  
círculos de luz  
dançam no arco-íris,  
corações se entrelaçam,  
como mãos buscando calor.  

As flores risadas,  
sussurram segredos ao vento,  
o perfume da vida  
se espalha em cada esquina,  
trazendo esperança,  
como um canto de pássaros.  

Crianças brincam,  
seus olhos brilhando,  
cada passo uma descoberta,  
a felicidade mora  
na simplicidade  
de um instante compartilhado.  

Abraços apertados,  
uma festa de amor,  
o sol em cada rosto,  
as vozes em harmonia,  
juntos compondo a sinfonia  
da alegria que nunca acaba.




Cléia Fialho

sábado, 5 de setembro de 2015

A MANHÃ QUE NUNCA ACABA [ 1 ]



O dia rompe devagar...
A luz entra pela persiana e cai-nos em cima dos corpos ainda sujos de ontem...
Mal abrimos os olhos... enredados no lençol amarrotado da tua cama...
O que despejaste dentro de mim há poucas horas ainda me escorre por entre as coxas... quente... teimoso... 
As minhas pernas ainda enroladas nas tuas, o cheiro a sexo pegado à pele, os fluidos misturados sem forma de saber onde acabas tu e começo eu...

E no torpor deste início de manhã, o fogo acende-se outra vez... quase sem aviso...
As bocas procuram-se com uma fome que a noite não saciou...
As línguas encontram-se sujas do sono e do gozo de ontem, e nem por isso paramos...
Levas os meus seios à tua boca... chupas com força...
Puxas-me os piercings com os dentes até eu gemer alto e arquear as costas fora do colchão...
A tua mão desce e encontra-me já encharcada — encharcada de ti, de ontem, do agora — e ris baixinho contra o meu peito porque sabes o que me fazes...

O teu sexo duro esfrega-se contra a minha coxa, exigindo entrada...
Abro-me para ti sem me pedires...
Entras de uma só vez, fundo, até ao osso, e eu grito para dentro da tua boca...
O peso do teu corpo esmaga-me contra o colchão e eu não quero outro sítio no mundo...
Começa a nossa dança suja de sempre...
Cadenciada, brutal, funda...
A cama range obscena por baixo de nós... os meus gemidos já nem se disfarçam... os teus rosnados junto ao meu pescoço fazem-me apertar-me toda à volta do teu sexo...

Sinto-me escorrer cada vez mais por ti — pela tua barriga, pelas tuas coxas, pelo lençol que amanhã não terá salvação...
Agarras-me o cabelo à raiz e puxas-me a cabeça para trás...
Minha puta — sussuras-me ao ouvido com a voz rouca. — Diz que és minha.

— Sou tua — gemo. 
— Sou toda tua. Fode-me até eu não conseguir andar.

Ris contra a minha garganta e obedeces...
Ergo-te os meus seios com as minhas mãos, ofereço-tos como se fossem coisa tua para tomares...
Chupas-me os mamilos com força enquanto me entras cada vez mais fundo...
Sinto a onda a subir — vinda das coxas, do ventre, da alma — e mordo-te o ombro para não gritar tão alto que os vizinhos batam à parede outra vez...

O ritmo acelera... o teu sexo incha dentro de mim, pulsa, avisa...

— Onde queres que venha? — arfas-me contra a boca.
— Dentro — digo. — Dentro. Marca-me outra vez.

E vens...
Vens fundo... um jorro quente que me enche por dentro pela segunda vez em poucas horas...
Deixas-me a tua marca no sítio onde ninguém vê, mas onde eu sinto o dia inteiro...
E eu venho contigo, tremendo debaixo do teu corpo, apertada à volta do teu sexo em espasmos que me tiram o ar, o nome, o juízo...
Desfaço-me em mil pedaços...
Fico assim um instante... com as pernas ainda abertas... a tua respiração no meu pescoço... o teu sexo ainda dentro de mim, ainda a pulsar os últimos avisos...

E depois — só depois — enrolo-me no calor do teu abraço.
Não me limpo.
Fico assim.
Suja de ti, marcada de ti, cheirando a ti.
E se em meia hora me quiseres outra vez — meu amor, meu homem, meu tudo — abro-me outra vez.
E outra.
E outra.
Até o dia acabar e a noite recomeçar.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

UM GIRO DE EMOÇÕES




Na sombra errante da mente aflita,   
Um eco de risos que vai se perder,   
A dança das folhas, um verso que grita,   
Pintura em quadro, um sonho correndo.   

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

SILÊNCIO DA NOITE



No silêncio da noite, sombras dançam,  
sussurros de almas perdidas,  
um lamento atravessa as pedras frias,  
nos velhos castelos, ecos do passado.  

A lua pálida como um sonho,  
desenha figuras em varandas,  
onde corações partidos se refugiam,  
murmurando segredos ao vento.  

As árvores envoltas em lamentos,  
as folhas caindo como memórias,  
cada passo na trilha escura  
é um chamado ao que já não existe.  

Caminhando por corredores esquecidos,  
facas de luz cortam o ar denso,  
os rostos em retratos observam,  
sorrisos mortos que nos vigiam.  

Em cada canto, uma história,  
um amor que se desfaz na bruma,  
um destino trancado em correntes,  
a esperança vestida de negro.  

Mas mesmo na tristeza, uma beleza,  
como flores que brotam no frio,  
as sombras abraçam o mistério  
de tudo que foi, e tudo que será.




  Cléia Fialho