TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





terça-feira, 15 de março de 2016

TEMPLO DE ANTIGAS LUAS


Há universos inteiros no rumor da tua voz,
marés celestes que atravessam minha alma
como rios de luz atravessando o vazio,
silenciosos, eternos, sagrados.

Teu corpo é templo de luas antigas,
cada toque desperta um cometa adormecido.
Somos partículas de um mesmo mistério,
duas centelhas dançando além da matéria.

No alto das dimensões sem nome,
anjos recolhem fragmentos do nosso desejo
e transformam em estrelas vivas
os suspiros que deixamos no vento.

Já não sei onde termina o céu
ou onde começa tua essência em mim.
Tudo se mistura em vertigem e encanto,
como se amar fosse atravessar portais.

E assim permanecemos —
almas suspensas sobre o abismo do universo,
bebendo a luz secreta das galáxias,
enquanto escrevemos silêncio em nossa pele.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 14 de março de 2016

E SE EU DISSESSE BASTA...



E se eu partisse de mim?

E se um dia eu recolhesse os versos,
guardando cada palavra no fundo do silêncio,
como quem abandona um jardim
depois da última estação?

E se eu recusasse a voz da madrugada,
deixando o coração sem resposta,
como alguém que aprende
a não tocar feridas antigas?

Talvez eu apagasse teus rastros
das paredes da memória,
e o som da tua presença
virasse apenas vento distante.

Quem sabe eu cansasse de sentir —
não por esquecimento,
mas pelo peso acumulado
das esperas intermináveis.

Se a saudade deixasse de florescer
e se tornasse apenas um quarto vazio,
sem música,
sem perfume,
sem esperança pousada na janela.

E se eu dissesse basta,
fechando as portas ao que restou de nós?
Sem desejar teus retornos,
sem alimentar promessas incompletas,
sem recolher os pedaços
do amor que nunca chegou inteiro.

Talvez então eu descobrisse
uma estranha serenidade:
ver-te perdido no mesmo frio
que um dia deixaste em mim.

Porque existem dores
que não queimam —
apenas permanecem.

E há almas que continuam esperando,
não por amor,
mas pela impossível resposta
de quem jamais aprendeu
a permanecer.





  Cléia Fialho

domingo, 13 de março de 2016

MEU CORPO É OFERENDA



Teu peito, meu abismo
Sou quem chega em silêncio,
com as mãos trêmulas de desejo e entrega.
A profanação é prece,
meu corpo é oferenda,
e teu peito — altar e abismo.

Há um caos sagrado nos teus músculos,
um labirinto onde me perco
ao roçar a pele que guarda
o segredo do incêndio.

Sobe e desce o mundo
no ritmo do teu suspiro.
No emaranhado dos teus pelos,
navego cega, virgem de ti a cada instante.

Amo essa cama —
cova e céu onde renasço.
Tua boca, terremoto.
Tua carne, salvação.

E quando teu peito encontra o meu,
não é guerra.
É dança crua,
é invasão sem armas,
é o milagre do toque
que me desfaz.




  Cléia Fialho

sábado, 12 de março de 2016

sexta-feira, 11 de março de 2016

DUAS ESSÊNCIAS LIVRES




Poderíamos jurar
que já nos conhecemos de outras eras,
como se nossas histórias
tivessem se cruzado antes do agora.
Quem imaginaria que seria a primeira vez
que dois fluxos se encontram neste mesmo leito

quinta-feira, 10 de março de 2016

UM GRITO DE PRAZER


Um grito de prazer sai dessa boca,
como música viva em plena noite,
um arder de paixão que tudo invoca,
e faz da escuridão um delicado açoite.

O corpo, em êxtase, se entrega ao instante,
como se o desejo fosse a própria estrada;
na liberdade do sentir mais pungente,
a alma se acende, inteira, desvelada.

Num bailado de amor e de euforia,
cada curva revela uma nova certeza;
e o coração, tomado pela harmonia,
bate com força, rendido à natureza.

E nesse instante, o fervor permanece,
como chama que não aceita se apagar;
entre lençóis de estrelas, a lua estremece,
vendo o amor em seu modo de incendiar.

No êxtase da entrega, não há adeus,
só a vertigem doce do que se deu;
é a celebração de um amor só teu,
no grito de prazer que a noite recebeu.





  Cléia Fialho