Entrego minhas mãos,
porque as tuas sabem o gesto
de libertar amarras invisíveis —
e me ensinar o mapa exato
Te ofereço meu olhar,
ainda cego da tua cor,
como se os teus olhos
fossem um segredo
guardado entre névoas e promessas.
Falo baixo,
porque algumas palavras
nascem apenas para serem ouvidas
bem de perto,
na respiração que dança entre nós.
Dou-te também as horas,
essas que escorrem lentas
pelas margens do tempo —
e os homens que tentam alcançá-las
chegam sempre tarde demais.
Te dou minhas noites:
a insônia como oferenda,
as andanças sob luas silenciosas,
as viagens aos mares
que brilham dentro dos meus sonhos.
Nada peço.
Não por falta ou por ausência,
mas por já saber —
sem que digas uma só palavra —
quem tu és,
sob o véu da pele.
❦
Cléia Fialho

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