TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 17 de abril de 2015

FRUTOS MADUROS



Dos prazeres que a vida nos dá a colher,
não quero os que pendem mansos dos ramos.
Quero os que se escondem no fundo do teu sexo,
os que só se entregam quando a minha boca
te morde o lábio e a tua mão me aperta a nuca
até o ar se tornar um fio fino entre nós.

Quero o fruto que não se colhe 
– arranca-se.
O que não se prova 
– devora-se.
O que não se guarda 
– escorre pelo rosto,
pinga na curva do meu peito,
desce até onde o teu juízo se perde
no calor úmido da minha entreperna.

Como frutos maduros que se aventuram
para fora da casca, 
assim o teu corpo se arremessa contra o meu, 
 — sem rede,
 — sem aviso, 
 — sem pudor. 

És pêssego aberto,
 — manga a escorrer, 
 — figo maduro.

E cada mordida é um grito que não se cala,
cada arranhão é um verso que não se escreve,
cada gemido é a prova de que a fruta não mente.

Em cada toque, 
o amanhecer não vem com luz
 — vem com suor, 
 — com tremor, 
 — com língua acesa.

Vem com a tua respiração descompassada 
contra a minha coxa ainda molhada.

Em cada amanhecer, 
eu acordo dentro de ti,
e tu dentro de mim, 
e o dia começa
onde a noite nos deixou: 
 — colados, 
 — ofegantes,
com o gosto a fruta na saliva e o desejo a crescer de novo,
 — mais maduro, 
 — mais fundo, 
 — mais inteiro.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 16 de abril de 2015

AREIA ENTRE OS DEDOS



Ela saiu da água com o corpo ainda quente de sol, os cabelos escorrendo sal nos ombros. 
Beto apareceu na frente dela, o sorriso torto bloqueando o caminho de volta para os amigos.

— Vem cá.

A mão dele fechou no pulso dela e puxou. 
As costas bateram na rocha fria, a areia úmida grudando nos pés. 
O rosto dele colou no dela — tão perto que ela sentiu o hálito quente, o cheiro de mar e cerveja.
Os amigos riam longe, vozes abafadas pelo vento. 
Beto prendeu-a contra a rocha com o peso do quadril.

A boca de Beto veio sem aviso — quente, salgada, a língua empurrando entre os lábios dela e invadindo fundo. 
Ela gemeu contra os dentes dele, os dedos subindo pelo pescoço até o cabelo molhado, puxando com força. 
Beto soltou um som rouco, as mãos descendo dos ombros dela até os seios — apertou os dois ao mesmo tempo, os polegares esmagando os mamilos duros contra as palmas ásperas. 
Ela abriu as pernas, as costas raspando na rocha, e a coxa dele empurrou contra a vulva por cima do tecido molhado do biquíni. 
Beto puxou as alças, desamarrou o nó atrás do pescoço, depois o das costas. 
O biquíni caiu na areia úmida e Beto empurrou dois dedos dentro dela.

Beto arrancou os dedos de dentro dela e segurou-a pelas coxas. 
Levantou-a contra a rocha como se ela não pesasse nada. 
Ela enrolou as pernas na cintura dele, os calcanhares cruzados nas costas duras. 
A mão dele desceu até o calção, puxou o tecido para o lado, e o pau saiu — duro, grosso, a ponta já molhada. 
Beto encaixou a glande na entrada e empurrou. 
Uma estocada só. 
O pau entrou até o fundo, a lubrificação escorrendo até a base, quente e grossa. 
Ela soltou um gemido alto, o corpo arqueando contra a rocha. 
Beto tapou a boca dela com a mão livre e começou a meter.
Rápido. 
Forte. 

O quadril batendo com força, o pau entrando até o fundo a cada estocada, o saco batendo na pele molhada. 
Ela mordeu o ombro dele para abafar os gritos, os dentes cravando na carne salgada. 
O corpo estremecia inteiro. 
As unhas rasgaram as costas dele, e Beto gemeu rouco, metendo mais fundo. 
A ponta do pau raspava no ponto G a cada estocada, e ela choramingava contra o ombro dele, as pernas tremendo. 
Líquido escorria da buceta pelo pau e gotejava na areia úmida. 
A parede vaginal contraiu, apertou o pau em espasmos, e ela gozou — um grito abafado na carne dele, o corpo sacudindo. Beto estocou uma, duas, três vezes sem sair e gozou dentro, o esperma quente enchendo e vazando pelos lados. 
Ele ficou parado, o pau pulsando lá dentro, a respiração pesada no pescoço dela. 
Quando saiu, o esperma escorreu da buceta e pingou na areia úmida.

Ele se afastou sem dizer nada, puxando a sunga. 
Ela ajeitou o biquíni com dedos trêmulos, o esperma já escorrendo pela parte interna da coxa, quente e grosso. 
Secou o que pôde com a ponta dos dedos, sentindo o cheiro dos dois misturado ao sal. 
Caminharam de volta em silêncio, a areia úmida grudando nos pés. 
Quando alcançaram o grupo, Beto sorriu como sempre — o mesmo sorriso torto de antes. 
Ela sentou-se junto à fogueira, as pernas ainda meladas. 
Olhou para ele através das chamas. Beto sustentou o olhar com um sorriso torto.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 15 de abril de 2015

POSSE PROFANA




Tuas mãos escapam de ti,
molhadas de prazer,
tocam minha boca,
provocam minha fome,

terça-feira, 14 de abril de 2015

DELÍRIO INSUBMISSO



Escrevo com tua pele,
bebo no ardor da tua boca,
me enrosco no aperto dos teus braços,
e reflito o calor que me consome inteira.

Sonho, e nas vertigens do meu delírio,
és meu, só meu,
como ninguém jamais ousou ser.
Assim és, assim permaneces,
eu contigo, eu por ti, eu em ti,
entregues ao frenesi dos meus devaneios.

Quero sentir teu coração acelerar,
ouvir teus gemidos rasgando o silêncio,
viver o agora como se fosse eternidade,
recordar cada instante como se fosse fogo.

Teu corpo me invade,
tua presença me domina,
sou chama que se derrama,
sou vertigem que não se contém.

E quando o clímax nos atravessa,
não há véu, não há disfarce,
há apenas carne em combustão,
há apenas desejo em convulsão,
marcas gravadas na pele,
ecos que rasgam a noite,
dois corpos em fúria,
devorando-se até o limite.




  Cléia Fialho

domingo, 12 de abril de 2015

LEOA EM CHAMAS



Sou leoa em cio,  
selvagem na tua cama,  
minha pele arde em desejo,  
meu corpo implora tua posse.  

Teu olhar me rasga,  
tua boca me enlouquece,  
cada toque é vertigem,  
cada gemido é incêndio que me consome.  

Eu uivo no teu peito,  
me lanço inteira em tua fúria,  
te devoro sem pudor,  
te recebo como tempestade que arrasta.  

Molhada de luxúria,  
imploro tua língua quente,  
que percorra meus segredos,  
que me faça perder o fôlego até o limite.  

Sou leoa, só leoa,  
sou chama que não se apaga,  
sou vertigem que não se contém,  
sou mulher que te domina no prazer e no delírio.  

Quero teus carinhos sem medida,  
me alimento do teu tesão,  
quero viver no teu prazer,  
me perder em tua posse sem retorno.  

Homem que me domina,  
que me arranca o juízo,  
me leva à loucura nas manhãs,  
me despe, me consome, me invade.  

Vem, rasga minha roupa,  
entra em mim sem demora,  
sou tormento, sou vertigem,  
sou chama selvagem que nunca se apaga,  
sou leoa que te engole,  
sou mulher que te enlouquece,  
sou gozo que nunca termina.  




  Cléia Fialho

sábado, 11 de abril de 2015

A MULHER EM CHAMAS



A mulher que vibra em mim  
não espera, devora,  
te deseja como fera faminta,  
te chama em cada manhã febril,  
na ânsia louca de te possuir sem limites.  

Essa mulher que desconheces  
faz teu centro estremecer,  
é felina, leoa em cio,  
devassa, selvagem, insaciável,  
pronta a te rasgar em prazer.  

Molhada de desejo,  
implora tua língua ardente,  
que percorra meus segredos,  
que me faça delirar até perder o fôlego.  

Na tua cama sou vertigem,  
grito, geme, uivo,  
te recebo inteira,  
te engulo, te devoro, te enlouqueço.  

Espero teus carinhos,  
me alimento do teu tesão,  
quero viver no teu prazer,  
me perder em tua posse sem retorno.  

Homem que me domina,  
que me arranca o juízo,  
me leva à loucura nas manhãs,  
me despe, me consome, me invade.  

Vem, rasga minha roupa,  
entra em mim sem demora,  
sou tormento, sou vertigem,  
sou chama selvagem que nunca se apaga.  




  Cléia Fialho

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O NÉCTAR DA TROCA



A tela brilhou no escuro e a mensagem queimou meus olhos antes mesmo que eu pudesse desviar. 
Cada palavra pulsava como se tivesse sido escrita com a ponta dos dedos dele percorrendo minha pele. 
Meu corpo reagiu antes da mente — as coxas se apertaram sozinhas, uma contra a outra, e senti o tecido da calcinha umedecendo devagar, o líquido morno vazando sem pedir licença. 

Respirei fundo e meus dedos desceram pelo baixo-ventre, roçando o clitóris por cima do algodão molhado, um choque mínimo que me arrancou um suspiro trêmulo. Digitei qualquer coisa — uma resposta truncada, sem coragem de enviar. 
A porta se abriu. 
Ele entrou. 
Os olhos fixos em mim sob o brilho da tela. 
Fechou a porta e disse: "Deixe a tela acesa."

Ele não esperou. 
As mãos firmes agarraram a barra da minha calcinha e puxaram com força — o algodão cedeu, o elástico estalou contra minha pele, e o tecido úmido foi arrancado num só gesto. 
Senti o ar frio tocar a vulva exposta, os lábios inchados e brilhando de líquido. 
Ele me empurrou de costas na cama, o colchão afundando sob meu peso, e se posicionou entre minhas coxas abertas.

O pênis ereto surgiu sob o brilho da tela — grosso, a glande reluzente de pré-sêmen. 
Ele não pediu. 
Empurrou a ponta contra minha entrada e forçou. 
A vagina cedeu molhada, engolindo cada centímetro enquanto eu gemia alto, as paredes internas se alargando ao redor da carne quente. 
As estocadas começaram rápidas, brutais — o quadril dele batendo contra minhas coxas, o som da pele molhada ecoando no quarto escuro.

Meus quadris foram agarrados com força, os dedos dele cavando marcas vermelhas na carne. 
Ele me puxava contra cada investida, o pênis afundando até a base, os sacos batendo molhados contra meu períneo. 
O líquido vaginal espirrava a cada estocada, escorrendo pelas coxas e pingando no lençol. 
Meu clitóris era esfregado contra a pelve dele, o atrito arrancando gemidos agudos que eu não conseguia conter.

A verdade veio em espasmos — a vagina contraiu ao redor do pênis, apertando em ondas involuntárias. 
Gritei palavras ininteligíveis, o corpo arqueando, os olhos revirando sob a luz da tela. 
Ele gemeu grave e empurrou fundo uma última vez, o pênis pulsando enquanto o sêmen quente jorrava no meu canal. 
Senti o líquido se espalhar, misturando-se ao meu orgasmo que escorria em jatos. 
O sêmen e o líquido vaginal escorrem da minha vagina manchando o lençol sob o brilho da tela.

O sêmen ainda escorria de mim, quente e espesso, descendo pelas coxas trêmulas. 
Meu peito subia e descia ofegante, cada respiração puxando o cheiro dele para dentro dos meus pulmões. 
A poça morna no lençol crescia — líquido vaginal e sêmen misturados, a prova física do que meu corpo confessou. 
Olhei para ele. 
Seus olhos ainda dilatados encontraram os meus. 
Não havia vergonha ali — só a atração sedenta que agora era mútua, escancarada, irreversível. 
O brilho da tela ainda pulsava no canto do quarto, a mensagem esquecida sobre o criado-mudo. 
Não precisava mais de resposta. 
A verdade já estava entregue, manchada nos lençóis, latejando entre minhas pernas. 
Encostei a mão sobre a dele e sussurrei: 
"Eu quis isso desde a mensagem."




  Cléia Fialho