TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 18 de agosto de 2015

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

CADA GOLE UM DESEJO



Nos labirintos do toque,   
os sentidos dançam,   
despertam sussurros,   
na brisa suave da pele,   
um convite ao desconhecido. 

A ousadia flui,   
como vinho tinto   
derramado em taças,   
cada gota uma promessa,   
cada gole um desejo. 

Teus olhos fixos,   
claros como a manhã,   
desnudam segredos   
que, pulseando, se entrelaçam   
nas sombras de um abraço. 

A música da noite   
embala nossos ritmos,   
corações descompassados   
​​encontram a melodia,   
uma sinfonia íntima. 

E ao final do caminho,   
é na entrega que se encontra   
a verdadeira essência,   
a poesia da carne,   
a arte de ser e sentir.




  Cléia Fialho

domingo, 16 de agosto de 2015

QUARTO 47



Vi-o ao balcão do bar do hotel.

Estava sozinha em Lisboa, numa viagem de trabalho que já tinha acabado, com um voo às sete da manhã e uma cama de hotel que não me apetecia nada. Desci ao bar por causa do tédio. E ali estava ele — de fato escuro, gravata desapertada, um whisky à frente e um livro que fingia ler.
Sentei-me dois bancos ao lado. Pedi um gin.
Ele olhou-me pelo canto do olho. Sorriu meio de lado.

— *Também não consegues dormir?*
— *Não tentei.*
— *Boa política.*

Sorri. Bebemos em silêncio uns segundos. Ele olhava-me no espelho atrás do balcão — os olhos escuros, o queixo áspero de fim de dia, o tipo de homem que não pergunta nome à primeira porque sabe que nome não interessa.

— *Estou no 47* — disse, sem se virar. — *Se te apetecer subir.*

Não respondi. Terminei o gin. Levantei-me. E fui até ao elevador sem olhar para trás — mas sabia que ele vinha atrás, ouvia-lhe os passos no mármore, e o corpo inteiro já me formigava antes de o elevador se abrir.
Entrámos. As portas fecharam.
Ele não me tocou logo. Ficou encostado à parede oposta, a olhar-me de cima a baixo com uma lentidão que me fez arrepiar. Como se me estivesse a despir com os olhos antes de o fazer com as mãos.

— *Como te chamas?* — perguntei.
— *Interessa?*
— *Não.*
Sorriu. Chegámos ao quarto andar.

Entrámos no 47. Ele fechou a porta com o pé e nesse mesmo segundo empurrou-me contra ela. A boca dele encontrou a minha com uma fome de estranho — sem carinho, sem história, só fome — e eu abri-a de imediato, deixei-o entrar, mordi-o de volta.
As mãos dele arrancaram-me o vestido pelos ombros. Caiu-me até à cintura. Ele afastou-se um segundo só para olhar — os meus seios nus, o soutien preto ainda meio subido — e o olhar dele fez-me arder mais do que qualquer toque.

— *Uiuiuiui* — murmurou.

Voltou. A boca dele caiu-me no seio, chupou-me com uma força que me fez gemer alto, e a mão dele subiu-me por baixo do vestido até encontrar a renda. Não a tirou — rasgou-a. Ouvi o tecido a ceder e o meu ventre apertou-se todo.

— *Vais pagar-me isso* — sussurrei.
— *Pago tudo o que quiseres.*

Empurrou-me até à cama. Caí de costas. Ele arrancou a gravata, a camisa, o cinto, tudo numa pressa que me fez rir e gemer ao mesmo tempo. Quando ficou nu, ajoelhou-se aos pés da cama e puxou-me pelas ancas até me ter à beira do colchão.

Abriu-me as pernas com as mãos.
E a boca dele encontrou-me — quente, molhada, sem paciência nenhuma. A língua dele traçou-me devagar, depois rápido, depois fundo, alternando ritmos até eu não saber mais o que fazer com o corpo. Enterrei-lhe os dedos no cabelo. Puxei. Ele gemeu contra mim e a vibração fez-me arquear a coluna toda para fora do colchão.

— *Espera* — arfei. — *Espera, quero-te dentro.*

Subiu por cima de mim. Ainda com o meu gosto na boca, beijou-me — obsceno, molhado — e entrou em mim de uma só vez, fundo, até ao fim.
Gritei.
Não me importei. Não conhecia ninguém neste hotel, não conhecia ninguém nesta cidade, não conhecia sequer o nome do homem que estava dentro de mim.

Ele começou a mover-se — devagar primeiro, deixando-me sentir cada centímetro, e depois cada vez mais rápido, cada vez mais fundo. Levantou-me uma perna, pô-la sobre o ombro dele, e o ângulo mudou tudo. Senti-o tocar-me num sítio que me fez ver preto por trás dos olhos.

— *Assim* — gemi. — *Assim, não pares.*

Não parou. Uma mão dele encontrou-me entre os corpos, o polegar a esfregar-me no ritmo exacto em que se movia, e eu senti a onda a subir depressa, imparável, brutal.

— *Vou vir.*
— *Vem para mim.*
Vim.

Vim a arranhar-lhe as costas, a apertar-me à volta dele em espasmos que me fizeram gemer sem parar, e ele gemeu contra o meu pescoço — um gemido rouco, animal — e empurrou-se três, quatro vezes mais fundo antes de tremer inteiro sobre mim e vir com um palavrão sussurrado ao meu ouvido.
Ficámos ali, ofegantes, colados pela transpiração.
Beijou-me a curva do ombro. Um beijo estranhamente doce para dois estranhos.

— *Ficas?* — perguntou.
Olhei o relógio. Cinco horas até ao voo.
— *Fico até ao segundo round.*
Riu contra a minha pele.
— *Isso dá para três.*
E deu.

De manhã, saí sem o acordar. Não deixei bilhete. Não perguntei o nome.
Algumas noites são só isto — e é perfeito assim.




  Cléia Fialho

sábado, 15 de agosto de 2015

GUARDADA EM TI



Não sei que horas são.
Sei apenas que é a hora
em que me faltas.

Fecho os olhos —
e o meu corpo lembra-se dos teus contornos
antes ainda de eu lembrar o teu rosto.

Ficaste na minha pele
como quem escreve devagar
numa página em branco:
sem pressa,
sem pressão,
mas com uma tinta
que a água não desfaz.

O teu perfume mora na minha almofada,
e eu regresso-lhe todas as noites
como quem regressa a um altar.
Respiro-te fundo.
Estremeço inteira.

Não me lavo do que ficou de ti —
deixo-te habitar a minha pele um pouco mais,
deixo-te perfumar-me por dentro,
deixo o teu rasto tornar-se meu.

Sinto-te ainda nos meus lábios —
morno,
antigo,
teu.

E é assim que eu adormeço:
envolta em ti,
guardada em ti,
pertencendo-te
sem que ninguém precise saber.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

ACARICIA E EMBALA



A Poesia que em sussurros se desvela,   
Tem versos dançam como brisas mornas,   
Beijando a pele da alma que anseia,   
Tem perfume doce em pétalas se torna.   

Nas trilhas do desejo, és luz que brilha,   
Um canto suave que acaricia e embala,   
Fogo que arde, mas não queima a trilha,   
Em teus braços, até o medo se cala.   

Cores vibrantes de um amor secreto,   
Em cada estrofe, a vida pulsa e canta,   
Toques sutis, de um mundo perfeito,   
No silêncio, a paixão nos encanta.   

Onda de emoção que afaga a mente,   
Teu ritmo é dança, um eterno retorno,   
Em cada letra, um prazer latente,   
Um mistério profundo, um doce outono.   

A Poesia que encanta e que seduz,   
Em ti me perco, sou parte do sonho,   
Canto teus verso, em ti faço a luz,   
No teu calor eu me componho.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

terça-feira, 11 de agosto de 2015

ESTRADA À NOITE



Encostámos o carro num caminho de terra, longe de tudo.

Nem eu sabia porquê ali. Ele tinha-me dito *"quero mostrar-te uma coisa"* e eu tinha entrado no carro sem perguntar, porque a esta altura já sabia que qualquer coisa dele era desculpa para o mesmo — para isto, para nós, para esta fome que não passa há oito meses.

Desligou o motor. Desligou os faróis.
O escuro caiu-nos em cima como um cobertor.
À nossa volta, só o campo — pinheiros altos, o cheiro a resina a entrar pela janela entreaberta, e uma lua fina que mal chegava para desenhar contornos. Nem carros, nem casas, nem ninguém. Só nós dois, o silêncio, e o barulho baixo dos grilos.

Virou-se para mim no banco do condutor.
— *Anda cá.*
Passei para o colo dele antes que acabasse de dizer.

A boca dele encontrou a minha com uma urgência que já não fingia paciência. Beijou-me fundo, mordeu-me o lábio, e as suas mãos subiram-me a saia até à cintura num gesto só. Sentei-me sobre ele — sentia-o duro por baixo do jeans, exactamente onde eu já o queria — e movi-me devagar, uma vez, só para o ouvir gemer contra a minha boca.

Ouvi.

Puxou-me a blusa por cima da cabeça. Desapertou-me o soutien de trás com uma mão só — sempre me fascinou como ele fazia isso — e a boca dele caiu-me imediatamente sobre o seio, quente, faminta, chupando-me o mamilo até eu arquear as costas contra o volante e gemer alto, sem me preocupar com quem me ouvia porque não havia ninguém para me ouvir.

— *Isso* — sussurrou contra a minha pele. — *Grita à vontade. Aqui podes.*
E foi como se me tivesse dado permissão para uma coisa que nunca me tinha dado.

Deslizou uma mão por baixo da minha renda. Encontrou-me. Deslizou dois dedos dentro de mim de uma só vez, sem aviso, e eu gritei mesmo — um grito curto, obsceno, que ecoou dentro do carro. Ele riu contra o meu peito.

— *Estás encharcada.*
— *Cala-te e continua.*
Continuou.

Os dedos dele mexiam-se dentro de mim num ritmo lento, curvados, encontrando aquele ponto exacto que só ele sabia encontrar. Enquanto isso, o polegar traçava círculos pequenos e certeiros em cima, e eu não conseguia decidir se me mexia contra a mão dele ou contra a boca que me mordia o pescoço.

Senti a primeira onda a subir. Rápido. Demasiado rápido.
— *Espera* — sussurrei. — *Espera, quero-te dentro de mim.*

Tirou os dedos. Levou-os à boca. Chupou-os devagar, olhando-me nos olhos, e eu quase vim só de ver aquilo.
Desapertei-lhe o cinto com dedos que já tremiam. Ele levantou as ancas, empurrou o jeans para baixo, e eu peguei nele com a mão — quente, duro, a pulsar — e guiei-o para dentro de mim de uma só vez.

Fundo.

Fiquei um instante imóvel, sentada sobre ele até ao fim, deixando o meu corpo habituar-se ao dele. A testa dele encostada à minha. As respirações misturadas. E depois comecei a mover-me — devagar primeiro, subindo e descendo em cima dele, as mãos apoiadas nos ombros dele, o volante às minhas costas.

Ele agarrou-me as ancas. Puxou-me contra si com mais força. Encontrou-me o ritmo.
O carro começou a tremer.
Movia-me mais rápido, mais fundo, e ele levantava as ancas para me encontrar a meio caminho — cada estocada arrancando-me um gemido cada vez menos discreto. A boca dele voltou aos meus seios, mordia, chupava, e a mão dele desceu-me entre os corpos e encontrou-me outra vez, esfregando-me no mesmo ritmo em que me penetrava.

— *Vou vir* — gemi. — *Vou vir, vou vir…*
— *Vem* — disse ele contra o meu peito. — *Deixa-me sentir.*
Vim.

Vim com um grito longo, cavalgando-o inteira, tremendo em cima dele, sentindo-o inchar dentro de mim enquanto o meu corpo se apertava à volta do dele em espasmos que não paravam. Ele agarrou-me as ancas com força, cravou os dedos na minha pele, e empurrou-se para dentro de mim três vezes mais — fundo, brutal, definitivo — antes de vir dentro de mim com um gemido rouco que me arrepiou até aos pés.
Ficámos assim muito tempo.
Eu, sentada sobre ele. Ele, ainda dentro de mim. As nossas respirações a acalmarem-se devagar. O carro embaciado por dentro, o cheiro a sexo e a pinheiros a misturar-se, os grilos lá fora a continuarem como se nada.

Beijou-me devagar. Um beijo diferente. Um beijo de depois

— *Isto foi o que me querias mostrar?* — sussurrei contra a boca dele.

Sorriu.
— *Não. Isto foi o bónus.*
Ri baixinho, ainda a tremer.
— *E o principal?*
Olhou-me nos olhos.
— *A viagem de volta.*




  Cléia Fialho