Teu corpo é objeto
não de posse,
mas de contemplação lenta.
É de perto que te sinto,
mesmo quando não toco,
mesmo quando o gesto falta.
És desejo suspenso no ar,
olhar que insiste,
promessa que não se diz.
No intervalo do gesto
nasce o afeto —
essa chama mansa
que sabe esperar.
Algo em mim desperta,
não grita,
não corre,
não implora.
Fica inquieto,
ardendo por dentro,
sabendo que o calor
mais intenso
é o que se demora.
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