TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

LÁBIOS DE FOME



Deleitar-se é um ato de guerra carnal,
mergulhar a língua no calor
até encontrar o ponto exato
onde a respiração se perde.

Saborear a essência do outro
como quem morde a vida em pedaços,
devorar as nuances do toque
até que os ossos estremesçam
sob a pele em chama.

Cavar com a boca cada curva,
beber o suor até a última gota,
encontrar no gemido abafado
a verdade que nenhuma palavra conta.

O instante explode em corpos,
as mãos escrevem em braille
o que o silêncio esconde.

Deleitar-se é rasgar o tempo,
queimar o lençol na cadência
do prazer que nada pede,
que tudo consome.




  Cléia Fialho

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

LÍNGUA QUE DESVELA



E assim, devagar, em poesia suada,
meus lábios descem e a língua se entrega,
lambendo o centro molhado do teu mundo,
desvelando o sexo que pulsa e se abre,
onde a ternura mora entre pernas abertas
o desejo é a luz que me guia.

Tua pele arqueia louca sob minha boca,
o gosto de mel e sal se mistura,
enquanto a língua escreve versos profundos,
no clitóris tenso que geme e clama.
Não há ternura sem a fome intensa,
não há poesia que não seja cama e suor.

Devoro o cúmulo doce da tua abertura,
bebo o gozo quente que escorre e me banha,
tua mão puxa meus cabelos com força louca,
o mundo inteiro acaba nessa língua espessa,
onde a ternura é sombra e o desejo único
a luz que me guia, me possui e consome.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

domingo, 11 de janeiro de 2015

O GOZO É A COR QUE TRANSBORDA



A tinta agora é o suor que brilha no escuro,
o pincel é a urgência da tua boca faminta.
Riscamos o silêncio com sussurros agudos,
súplicas de quem já não quer ser salvo,
mas sim consumido pelo calor desse traço.
Somos a moldura que se desfaz,
a própria arte ardendo em chamas.

Nossas pernas se trançam em traços profundos,
o gozo é a cor que transborda a tela,
um mergulho voraz nas tuas curvas macias,
onde minha boca se perde, faminta e nela,
escrevemos o êxtase em suor e gemidos,
uma sinfonia de corpos ardentes, fundidos.




  Cléia Fialho

sábado, 10 de janeiro de 2015

PINCELADAS NA PELE



O toque sutil de dedos
não é sutil,
é fogo que desce
pelo meu pescoço
e pinta por dentro
onde ninguém vê
a não ser eu
gemendo baixo.

Como pincéis em uma tela,
tua mão traça o meu ventre,
desce ao centro
onde eu pulso aberta,
molhada,
onde te chamo
sem palavras,
só com a coxa que se afasta
e a boca que te engole.

Pintando as horas com cores quentes,
não são horas,
são eternidades de gozo
onde a tinta é o suor
e o quadro somos nós,
nu, aberto, lambuzado
de um desejo que não seca,
que escorre e mancha o lençol.

Traços de uma paixão que se expande,
em gemido,
em abertura,
na tua entrada
que me preenche
até eu não saber
onde termino
e onde começa
tua pincelada,
tua fome,
o nosso fogo.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

COBERTURA À MEIA LUZ



Ela recuou um passo, mas as costas já tocavam o vidro. Frio. A janela sem cortina emoldurava a noite — luzes da cidade recortadas contra seus ombros, sem sombra onde se esconder.

Ele avançou. As palmas abertas encontraram os ombros dela e a prenderam contra a superfície lisa. Os braços bloquearam qualquer saída. O rosto dele estava perto demais — o hálito quente roçando sua testa, o olhar pesado descendo devagar pelo corpo.

Ela prendeu a respiração. As unhas cravaram na cintura dele por cima da camisa, mas não empurraram de verdade. Os lábios se comprimiram.

O polegar dele subiu até seu queixo, deslizou até o lábio inferior, pressionou.

— Vai me olhar.

Os dedos dele fecharam na barra da blusa e puxaram para cima. O tecido subiu pelo tronco, roçou os mamilos já duros, passou pela cabeça e sumiu no chão. A luz da cidade entrou pelas janelas sem cortina e banhou os seios nus — cada curva exposta, sem sombra onde se esconder.

Ela levou as mãos ao peito, os braços cruzando sobre os mamilos. O gesto durou dois segundos. Ele agarrou seus pulsos e os ergueu acima da cabeça, prendendo-os contra o vidro com uma mão só. A palma áspera imobilizava os dois pulsos como uma algema quente.

— Assim não.

A boca dele desceu ao pescoço. Língua e dentes percorreram a lateral tensa, a veia que pulsava, o ponto onde o ombro encontra a garganta. Mordeu aberto, a pressão arrancando um gemido curto. Ela sentiu a marca se formar sob a pele.

Os lábios escorregaram pela clavícula até o topo do seio esquerdo. Ele mordeu a curva superior, a carne macia cedendo entre os dentes, e então a língua achatou sobre o mamilo — quente, lenta, molhada.

Ela entrelaçou os dedos no cabelo escuro e puxou com força. Os quadris arquearam, encontrando a coxa dele entre suas pernas. A pressão arrancou outro som, mais fundo.

A mão livre dele desceu. O polegar encontrou o botão da calça e abriu.

Ele a girou antes que ela pudesse protestar. As palmas das mãos bateram no vidro frio, os seios nus esmagados contra a superfície transparente — a cidade inteira do outro lado, milhões de luzes pontilhando a escuridão. A janela sem cortina não oferecia esconderijo nenhum. O frio do vidro queimou os mamilos duros, arrancando um arquejo.

As mãos dele agarraram seus quadris. Dedos firmes cravaram na carne, puxando-a para trás enquanto a calça descia até os joelhos num puxão seco. O tecido cedeu, o ar gelado roçou a pele quente das coxas. Ele não esperou. A mão espalmou as costas dela, empurrando o tronco contra o vidro, e a outra guiou o pau — a cabeça roçou a entrada molhada uma vez, duas, e então ele enterrou tudo de uma vez.

Ela gritou. A boceta apertou ao redor da invasão súbita, os músculos internos se contraindo em ondas. Ele gemeu grave, os dentes cerrados, e começou a bombar. Estocadas rápidas, profundas, o quadril batendo na bunda dela com um som seco e repetido. O saco pesado acertava o clitóris a cada impacto — tum-tum-tum — e o choque reverberava pela pélvis, subindo pela espinha.

— Olha pra cidade.

A voz dele veio rouca, o comando soprado na nuca. Ela apertou as pálpebras, a testa colada no vidro, o bafo embaçando a superfície. Os dentes morderam o lábio inferior, prendendo o gemido.

Ele puxou o cabelo dela. A cabeça foi erguida, o pescoço arqueado.

— Eu disse olha.

Os olhos se abriram. A cidade brilhava lá embaixo, indiferente, expondo cada centímetro do corpo dela — os seios esmagados no vidro, os mamilos roçando a superfície fria, a boca aberta soltando um gemido alto e involuntário. 

O som escapou sem permissão, a voz trêmula vibrando contra o vidro. Ela se viu refletida na janela sem cortina: cabelos escuros grudados na testa suada, olhos amendoados vidrados, os lábios comprimidos se abrindo num novo gemido a cada estocada.

A mão direita dele desceu. Os dedos encontraram o clitóris inchado e esfregaram em círculos duros, implacáveis, no ritmo exato das bombadas. O pau entrava e saía, a boceta molhada fazendo um som obsceno de sucção, líquido escorrendo pela coxa interna — suor e sebo misturados, gotejando no chão de mármore da cobertura.

As pernas tremeram. Os joelhos falharam. Ela se sustentou apenas pelo quadril dele, que a empurrava contra o vidro, e pelas palmas espalmadas na superfície fria. O corpo inteiro virou um nó de tensão prestes a estourar.

— Vai gozar — ele rosnou contra sua orelha. — Goza pra cidade ver.

A boceta apertou em espasmos violentos ao redor do pau. Ela gozou com um grito, o som rasgado e alto, os olhos arregalados para as luzes lá fora. O líquido quente escorreu pelos dedos dele, encharcando a mão que ainda esfregava o clitóris em círculos.

Ele enterrou fundo uma última vez. O pau pulsou dentro dela, jorrando esperma em jatos quentes que preencheram a boceta. Gemeu baixo, a testa caindo no ombro dela, os quadris ainda bombeando devagar enquanto se esvaziava. Quando se sacou, o esperma começou a vazar pela fenda.

Esperma escorre pela coxa interna enquanto ela ainda encara a cidade iluminada pelo vidro embaçado.

Ele recuou devagar, o pau ainda úmido roçando a coxa dela ao se afastar. O esperma quente vazou pela boceta inchada, um fio grosso escorrendo pela coxa direita até gotejar no mármore frio. Ela não se moveu. A palma continuava espalmada no vidro, a respiração ainda ofegante, os seios marcados com as impressões da superfície gelada. Olhou o próprio reflexo na janela sem cortina — o corpo nu, as coxas manchadas, os olhos amendoados fixos e sem desvio. Ele tocou seu ombro. Ela não se encolheu.




  Cléia Fialho