TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

segunda-feira, 20 de abril de 2015

NOSSO ÊXTASE SE DERRAMA



O prazer desperta como um rio sem margens,
rompe silêncios, 
dissolve toda espera.
No encontro dos corpos nasce um fogo antigo,
capaz de incendiar a pele e aquecer a alma.

Há um néctar invisível correndo entre nós,
feito desejo maduro, 
doce e irresistível.
Cada suspiro prolonga a vertigem,
cada olhar acende um universo secreto.

Entrego-me inteira ao pulsar do tesão
onde o tempo perde a noção
e o coração aprende outro ritmo.
A atração cresce como maré inquieta,
envolvendo cada gesto com intensidade.

Somos chama e perfume,
sede e abrigo,
duas vontades que se encontram
na embriaguez do toque consentido.

E, nosso êxtase se derrama a
unir, transformar e incendiar o amor,
até que reste apenas o brilho ardente
de uma desmedida de ti — de mim.




  Cléia Fialho

domingo, 19 de abril de 2015

CARÍCIAS QUE RASGAM



São carícias que nossos corpos desenham 
em jogos de sedução crua e voraz,
tuas mãos cravadas na minha carne macia, 
 — marcando
— possuindo
 — dominando.

No ardor que o desejo enseja em chamas e suor escaldante,
eu me abro toda, 
 — ofegante, 
oferecendo a minha pele nua ao teu fogo voraz.

Nessa entrega absoluta e dilacerada, 
sinto a tua língua traçar versos obscenos na minha virilha molhada,
chupando meu clitóris intumescido 
até eu gritar rouca e descontrolada de prazer.

Penetras-me fundo com teu pau duro e pulsante, 
batendo até à base em estocadas violentas e profundas,
a minha gruta apertando em espasmos brutais 
que nos destroem juntos em gozo.
Fluidos quentes e viscosos escorrem pelas minhas coxas abertas, 
 — lençóis 
 — encharcados de nós,
 — ofegantes,
 — saciados,
 — destruídos, 
eternos na entrega total do prazer feroz.




  Cléia Fialho

sábado, 18 de abril de 2015

sexta-feira, 17 de abril de 2015

FRUTOS MADUROS



Dos prazeres que a vida nos dá a colher,
não quero os que pendem mansos dos ramos.
Quero os que se escondem no fundo do teu sexo,
os que só se entregam quando a minha boca
te morde o lábio e a tua mão me aperta a nuca
até o ar se tornar um fio fino entre nós.

Quero o fruto que não se colhe 
– arranca-se.
O que não se prova 
– devora-se.
O que não se guarda 
– escorre pelo rosto,
pinga na curva do meu peito,
desce até onde o teu juízo se perde
no calor úmido da minha entreperna.

Como frutos maduros que se aventuram
para fora da casca, 
assim o teu corpo se arremessa contra o meu, 
 — sem rede,
 — sem aviso, 
 — sem pudor. 

És pêssego aberto,
 — manga a escorrer, 
 — figo maduro.

E cada mordida é um grito que não se cala,
cada arranhão é um verso que não se escreve,
cada gemido é a prova de que a fruta não mente.

Em cada toque, 
o amanhecer não vem com luz
 — vem com suor, 
 — com tremor, 
 — com língua acesa.

Vem com a tua respiração descompassada 
contra a minha coxa ainda molhada.

Em cada amanhecer, 
eu acordo dentro de ti,
e tu dentro de mim, 
e o dia começa
onde a noite nos deixou: 
 — colados, 
 — ofegantes,
com o gosto a fruta na saliva e o desejo a crescer de novo,
 — mais maduro, 
 — mais fundo, 
 — mais inteiro.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 16 de abril de 2015

AREIA ENTRE OS DEDOS



Ela saiu da água com o corpo ainda quente de sol, os cabelos escorrendo sal nos ombros. 
Beto apareceu na frente dela, o sorriso torto bloqueando o caminho de volta para os amigos.

— Vem cá.

A mão dele fechou no pulso dela e puxou. 
As costas bateram na rocha fria, a areia úmida grudando nos pés. 
O rosto dele colou no dela — tão perto que ela sentiu o hálito quente, o cheiro de mar e cerveja.
Os amigos riam longe, vozes abafadas pelo vento. 
Beto prendeu-a contra a rocha com o peso do quadril.

A boca de Beto veio sem aviso — quente, salgada, a língua empurrando entre os lábios dela e invadindo fundo. 
Ela gemeu contra os dentes dele, os dedos subindo pelo pescoço até o cabelo molhado, puxando com força. 
Beto soltou um som rouco, as mãos descendo dos ombros dela até os seios — apertou os dois ao mesmo tempo, os polegares esmagando os mamilos duros contra as palmas ásperas. 
Ela abriu as pernas, as costas raspando na rocha, e a coxa dele empurrou contra a vulva por cima do tecido molhado do biquíni. 
Beto puxou as alças, desamarrou o nó atrás do pescoço, depois o das costas. 
O biquíni caiu na areia úmida e Beto empurrou dois dedos dentro dela.

Beto arrancou os dedos de dentro dela e segurou-a pelas coxas. 
Levantou-a contra a rocha como se ela não pesasse nada. 
Ela enrolou as pernas na cintura dele, os calcanhares cruzados nas costas duras. 
A mão dele desceu até o calção, puxou o tecido para o lado, e o pau saiu — duro, grosso, a ponta já molhada. 
Beto encaixou a glande na entrada e empurrou. 
Uma estocada só. 
O pau entrou até o fundo, a lubrificação escorrendo até a base, quente e grossa. 
Ela soltou um gemido alto, o corpo arqueando contra a rocha. 
Beto tapou a boca dela com a mão livre e começou a meter.
Rápido. 
Forte. 

O quadril batendo com força, o pau entrando até o fundo a cada estocada, o saco batendo na pele molhada. 
Ela mordeu o ombro dele para abafar os gritos, os dentes cravando na carne salgada. 
O corpo estremecia inteiro. 
As unhas rasgaram as costas dele, e Beto gemeu rouco, metendo mais fundo. 
A ponta do pau raspava no ponto G a cada estocada, e ela choramingava contra o ombro dele, as pernas tremendo. 
Líquido escorria da buceta pelo pau e gotejava na areia úmida. 
A parede vaginal contraiu, apertou o pau em espasmos, e ela gozou — um grito abafado na carne dele, o corpo sacudindo. Beto estocou uma, duas, três vezes sem sair e gozou dentro, o esperma quente enchendo e vazando pelos lados. 
Ele ficou parado, o pau pulsando lá dentro, a respiração pesada no pescoço dela. 
Quando saiu, o esperma escorreu da buceta e pingou na areia úmida.

Ele se afastou sem dizer nada, puxando a sunga. 
Ela ajeitou o biquíni com dedos trêmulos, o esperma já escorrendo pela parte interna da coxa, quente e grosso. 
Secou o que pôde com a ponta dos dedos, sentindo o cheiro dos dois misturado ao sal. 
Caminharam de volta em silêncio, a areia úmida grudando nos pés. 
Quando alcançaram o grupo, Beto sorriu como sempre — o mesmo sorriso torto de antes. 
Ela sentou-se junto à fogueira, as pernas ainda meladas. 
Olhou para ele através das chamas. Beto sustentou o olhar com um sorriso torto.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 15 de abril de 2015

POSSE PROFANA




Tuas mãos escapam de ti,
molhadas de prazer,
tocam minha boca,
provocam minha fome,

terça-feira, 14 de abril de 2015

DELÍRIO INSUBMISSO



Escrevo com tua pele,
bebo no ardor da tua boca,
me enrosco no aperto dos teus braços,
e reflito o calor que me consome inteira.

Sonho, e nas vertigens do meu delírio,
és meu, só meu,
como ninguém jamais ousou ser.
Assim és, assim permaneces,
eu contigo, eu por ti, eu em ti,
entregues ao frenesi dos meus devaneios.

Quero sentir teu coração acelerar,
ouvir teus gemidos rasgando o silêncio,
viver o agora como se fosse eternidade,
recordar cada instante como se fosse fogo.

Teu corpo me invade,
tua presença me domina,
sou chama que se derrama,
sou vertigem que não se contém.

E quando o clímax nos atravessa,
não há véu, não há disfarce,
há apenas carne em combustão,
há apenas desejo em convulsão,
marcas gravadas na pele,
ecos que rasgam a noite,
dois corpos em fúria,
devorando-se até o limite.




  Cléia Fialho

domingo, 12 de abril de 2015

LEOA EM CHAMAS



Sou leoa em cio,  
selvagem na tua cama,  
minha pele arde em desejo,  
meu corpo implora tua posse.  

Teu olhar me rasga,  
tua boca me enlouquece,  
cada toque é vertigem,  
cada gemido é incêndio que me consome.  

Eu uivo no teu peito,  
me lanço inteira em tua fúria,  
te devoro sem pudor,  
te recebo como tempestade que arrasta.  

Molhada de luxúria,  
imploro tua língua quente,  
que percorra meus segredos,  
que me faça perder o fôlego até o limite.  

Sou leoa, só leoa,  
sou chama que não se apaga,  
sou vertigem que não se contém,  
sou mulher que te domina no prazer e no delírio.  

Quero teus carinhos sem medida,  
me alimento do teu tesão,  
quero viver no teu prazer,  
me perder em tua posse sem retorno.  

Homem que me domina,  
que me arranca o juízo,  
me leva à loucura nas manhãs,  
me despe, me consome, me invade.  

Vem, rasga minha roupa,  
entra em mim sem demora,  
sou tormento, sou vertigem,  
sou chama selvagem que nunca se apaga,  
sou leoa que te engole,  
sou mulher que te enlouquece,  
sou gozo que nunca termina.  




  Cléia Fialho