TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

MAPA DE DESCOBERTAS


Quero o silêncio que prende, a mordaça que cala palavras e abre espaço para o grito interno.

Quero o peso das algemas, a certeza de que não há fuga, apenas entrega.

O chicote risca a pele, não como dor, mas como lembrança de que o prazer também pode ser vertigem.

O corpo é território, mapa de descobertas, onde cada gesto é uma fronteira que se dissolve no calor.

O desejo me consome, me arranca da razão, me lança no abismo onde não há medo, apenas chama.

E nessa chama lenta, o segredo se revela: o prazer é liberdade, mesmo quando nasce do limite.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

FRAGMENTOS DE UM SEGREDO



As mãos mapeiam o relevo,
explorando cada curva
como quem lê um texto antigo,
em uma prosa que se faz no toque.

Lábios colidem com urgência,
e o que se diz entre eles
são fragmentos de um segredo
que só o corpo entende.

Os sentidos despertam
no limite da provocação,
confissões feitas de marcas
e fôlego suspenso.

Corpos, agora umidade e calor,
encontram o ritmo da entrega,
uma dança sem coreografia
onde se perdem os mapas.

O silêncio estilhaça-se em som,
gemidos que escapam como o avanço da maré
sobre uma costa que não quer resistência.

Não existe cronologia aqui,
apenas a pulsação do instante
e a pele,
que se torna o único idioma possível
para traduzir o que acontece entre nós.




  Cléia Fialho

domingo, 27 de dezembro de 2015

A ANATOMIA DO AGORA



A luz do quarto
desenha o teu contorno.
decoro cada detalhe
na ponta dos meus dedos.
Teu suspiro mapeia meu peito.
viemos de longe
apenas para colidir aqui,
nestes lençóis que guardam
o calor dos nossos corpos.
DRM

Teus olhos me despem.
não tenho pressa.
o mundo lá fora se desfaz
quando o teu ritmo
encontra o meu.
O que era apenas desejo
agora não tem nome.
toca-me sem receio,
somos parte de nós.
CF

Não preciso de palavras.
teu corpo é linguagem
que aprendo
em cada pulsação,
em cada contração da pele.
Deixa o tempo correr.
aqui, o universo encolheu
na medida do nosso abraço.
DRM

Teu peso sobre mim
é o único que aceito.
Não há certo ou errado
quando nossas mãos se entrelaçam.
O silêncio ganha voz.
somos a intersecção
de dois mundos
que decidiram parar...
— fica —
o agora é a única verdade.




  Cléia Fialho & Don Ruan deMarco

sábado, 26 de dezembro de 2015

TUA PULSAÇÃO EM MEU VENTRE



Deslizo meu corpo ao teu, sentindo o ardor,
Em busca do relevo que me incendeia,
A chama da entrega logo me rodeia,
Num rito de luxúria e de vigor.

Cada movimento é traço de um pintor,
Que em telas de pele a cena delineia,
Tua pulsação em meu ventre se semeia,
Num ritmo de prazer, quase um favor.

Sinto o teu pulso, a fúria que me invade,
Neste encontro de peles e de espanto,
Onde o desejo perde a sua idade.

O tempo para, o ar vira quebranto,
Na entrega plena desta imensidade,
Onde a carne é prece, o gozo é canto.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O CALOR QUE EMANA DE SI MESMA



O toque dela é o prenúncio:
dedos que mapeiam o bronze das trancas,
buscando o calor que emana de si mesma,
uma febre que antecede o encontro.

Ela se aproxima como quem 
caça um desejo antigo,
o olhar aceso, 
entregue ao ritmo que nos consome.
Ali, ela é pura vontade, 
puro movimento.

É um jogo de sentidos onde ela dita a cena:
a boca que me celebra, 
a curva que se insinua,
a dança do corpo que não conhece o pudor.
Gemidos que viram mantra,
o roteiro sagrado de um prazer 
que se faz urgente,
tão livre quanto 
o contorno de suas formas.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

TEU CORPO OBEDECE AO MEU QUERER

 



O ritmo do meu peito dita a nossa cadência,
uma batida que ecoa em cada entrega.

Repouso sobre ti, 
desprovida de qualquer véu,
num balanço que imita o tempo,
ida e vinda, 
o pêndulo da nossa urgência.
Um movimento de calma, 
um compasso que desdobra o desejo.

Sorrio ao recordar o primeiro encontro,
o instante em que tudo começou a ganhar forma.
Minha boca traça mapas no teu rosto,
mordendo pedaços do que é só teu,
enquanto o ar escapa, 
revelando o pulsar acelerado
que agora não me pertence mais, 
pois é compartilhado.

Tua voz se eleva, 
mas teu corpo obedece ao meu querer;
suas mãos, 
presas na vontade que eu ditei.
Quando o ápice se aproxima, 
o encaixe se faz inteiro:
o toque da pele, 
a firmeza da entrega,
a sensibilidade que se traduz em calor.

Toco a mim mesma e te busco,
enquanto o meu nome em teus lábios é faísca.
Sinta o perfume, 
a corrente elétrica que me percorre,
a viscosidade que sela a união dos nossos corpos.

Já não há margem para contenção,
o pêndulo quebrou a inércia,
e agora, entregue,
 eu me perco em ti.




  Cléia Fialho