TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sábado, 12 de março de 2016

GUARDADO ENTRE NÉVOAS E PROMESSAS



Entrego minhas mãos,
porque as tuas sabem o gesto
de libertar amarras invisíveis —
e me ensinar o mapa exato
do teu silêncio em carne viva.

Te ofereço meu olhar,
ainda cego da tua cor,
como se os teus olhos
fossem um segredo
guardado entre névoas e promessas.

Falo baixo,
porque algumas palavras
nascem apenas para serem ouvidas
bem de perto,
na respiração que dança entre nós.

Dou-te também as horas,
essas que escorrem lentas
pelas margens do tempo —
e os homens que tentam alcançá-las
chegam sempre tarde demais.

Te dou minhas noites:
a insônia como oferenda,
as andanças sob luas silenciosas,
as viagens aos mares
que brilham dentro dos meus sonhos.

Nada peço.
Não por falta ou por ausência,
mas por já saber —
sem que digas uma só palavra —
quem tu és,
sob o véu da pele.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 11 de março de 2016

DUAS ESSÊNCIAS LIVRES



Poderíamos jurar
que já nos conhecemos de outras eras,
como se nossas histórias
tivessem se cruzado antes do agora.

Quem imaginaria que seria a primeira vez
que dois fluxos se encontram neste mesmo leito
e, ainda assim, se reconhecem com tanta precisão?

A atração nos conduz sem receio,
sem máscaras, sem reservas — apenas entrega.
Uma chama se ergue silenciosa e nos atravessa,
e nela nos desfazemos das amarras do mundo,
duas essências livres, pulsando em instinto e céu.

Meu corpo responde ao teu como maré inquieta,
e em ti há um eco que me devolve inteira.
É como se dois abismos se tocassem em luz ardente.
O tempo se recolhe, suspenso, quase inexistente,
e então me deixo repousar em teu abraço,
ouvindo de perto o compasso vivo do teu coração.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 10 de março de 2016

UM GRITO DE PRAZER


Um grito de prazer sai dessa boca,
como música viva em plena noite,
um arder de paixão que tudo invoca,
e faz da escuridão um delicado açoite.

O corpo, em êxtase, se entrega ao instante,
como se o desejo fosse a própria estrada;
na liberdade do sentir mais pungente,
a alma se acende, inteira, desvelada.

Num bailado de amor e de euforia,
cada curva revela uma nova certeza;
e o coração, tomado pela harmonia,
bate com força, rendido à natureza.

E nesse instante, o fervor permanece,
como chama que não aceita se apagar;
entre lençóis de estrelas, a lua estremece,
vendo o amor em seu modo de incendiar.

No êxtase da entrega, não há adeus,
só a vertigem doce do que se deu;
é a celebração de um amor só teu,
no grito de prazer que a noite recebeu.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 9 de março de 2016

PORQUE VOCÊ EXISTE



Há uma calma que desce sobre mim
quando me dou conta do seu ser.
Como se o tempo, por compaixão,
abrisse um vão de eternidade
onde minha alma pode respirar.

Você existe…
e o mundo ganha um contorno mais nítido,
como se o invisível passasse a tocar
cada canto da minha pele com delicadeza.

É por você que as canções nascem sozinhas,
e o silêncio dança entre estrelas.
É por você que me escondo do adeus
em alguma dobra do seu sorriso.

Você,
impossível e presente,
feito magia que insiste em permanecer
quando tudo o mais tenta se apagar.

Você,
que faz estremecer os alicerces da razão,
como um trovão que chama o amor
em sua forma mais primal, mais funda.

Você,
caminho onde os medos se desfazem,
presente envolto em liberdade,
janela aberta para o inédito
que ousamos sonhar.

Porque você existe,
o mundo não é o mesmo —
e eu também não sou.




  Cléia Fialho

terça-feira, 8 de março de 2016

MULHER: "FORÇA, DELICADEZA E LIBERDADE!"



No silêncio suave da manhã, quando o sol ainda se espalha de forma tímida pelos cantos da casa, o Dia Internacional da Mulher chega, quase como um sussurro que atravessa os tempos. 
Um dia para celebrar a força, a beleza, a luta e a ternura da mulher, mas também para refletir sobre os passos dados e os caminhos que ainda precisam ser trilhados. 
É um momento de reconhecimento, mas também de lembrança, pois cada mulher carrega em si não só suas vitórias, mas as histórias que moldaram a vida de todas nós.

As mulheres são como árvores, com raízes profundas que se entrelaçam com a história. São força silenciosa que, muitas vezes, não se vê, mas se sente. 
Elas têm o dom de se reinventar, de se colocar à frente das dificuldades com coragem, e ao mesmo tempo, de cultivar a delicadeza nas pequenas coisas da vida. 
São aquelas que transformam uma simples manhã de café em um gesto de carinho, que transformam o sofrimento em sabedoria e a dor em amor.

Hoje, mais do que nunca, é importante recordar que ser mulher é também ser resistência. 
Muitas ainda enfrentam o peso de um mundo que insiste em colocar limitações, mas mesmo assim, continuam a caminhar. 
Algumas lutam por direitos, outras pela liberdade de serem quem realmente são, sem máscaras, sem rótulos. 
A mulher é a heroína de sua própria história, em cada pequeno ato de coragem, em cada sorriso que ressurge após a tempestade.

O Dia Internacional da Mulher não deve ser visto apenas como um momento de comemorações, mas como um convite à reflexão. 
Um convite para honrar todas as mulheres que vieram antes, aquelas que deram tudo de si, que abriram portas, que derrubaram barreiras. 
E também para olhar ao nosso redor, para as mulheres que ainda carregam o fardo da invisibilidade, que ainda não têm seus direitos plenamente reconhecidos. 
Que possamos celebrar hoje, mas também agir todos os dias para que o respeito e a igualdade não sejam apenas sonhos, mas realidades.

Assim, ao olhar para o rosto de cada mulher, seja no sorriso de uma mãe, no olhar de uma filha, na coragem de uma amiga, que possamos ver a força, a graça e a beleza de todas elas. 
Que este dia, em sua singela celebração, nos lembre da importância de cultivar, todos os dias, um mundo onde as mulheres possam ser livres para serem quem são, com respeito, com amor e com igualdade. 
Porque, no fim, cada mulher é um reflexo do amor que o mundo precisa.




  Cléia Fialho

8 DE MARÇO
DIA INTERNACIONAL DA MULHER

segunda-feira, 7 de março de 2016

NO VALE DAS MEMÓRIAS



No campo onde o vento dança,
lembro-me, amor, do nosso sonho,
das trilhas que o sol nos guia,
dos rios que cantam e correm,
das flores que guardam segredos
dos dias que juntos vivemos.

Lembro-me das tardes calmas,
quando a brisa era teu abraço,
e o céu pintado de esperança
refletia a luz do teu sorriso,
como o orvalho beijando a folha,
doce calma que a alma sorriu.

Nas noites de estrelas claras,
foste o brilho na escuridão,
a lua cheia no horizonte,
a paz no silêncio do campo,
o refúgio onde me abrigo,
quando a tristeza me visita.

E se perdi o rumo certo,
foi no abraço da natureza,
na sombra amiga da árvore,
no cheiro bom da terra molhada,
que reencontrei o teu olhar,
a estrada que me leva a ti.

Lembro-me, amor, do teu jeito,
dos olhos claros, luz da vida,
e prometo, enquanto houver céu,
a eternidade do meu amor,
plantado no solo da alma,
florescendo em cada lembrança.




  Cléia Fialho

domingo, 6 de março de 2016

A TERNURA DO TEU OLHAR


Entrega-te à paixão, sem medo ou resistência,
pois o destino entrelaça nossas almas
com a delicadeza de um sonho inevitável.

A ternura do teu olhar
faz meu coração florescer em silêncio,
como estrelas despertando
na imensidão de uma noite serena.

Em teus braços encontro abrigo,
meu refúgio mais doce, meu lugar no mundo,
onde a felicidade repousa tranquila
feito luz dourada ao fim da tarde.

Quero amar-te além do tempo,
percorrer contigo os caminhos da eternidade,
e escrever, em cada instante vivido,
a mais bela história que o amor já sonhou.





  Cléia Fialho

sábado, 5 de março de 2016

TEU OLHAR É LABAREDA


A paixão arde, um fogo que não se contém, incêndio que me consome, que me faz inteiro em chamas.

Teu olhar é labareda, que invade minha alma, 
sem piedade, sem descanso.

Teus lábios — brasas vivas, tocam os meus, em beijos que revelam o segredo da paixão.

Corpos se encontram, se entregam sem limites, numa dança frenética, onde o amor se desnuda.

E tudo é chama, tudo é desejo, até que o instante se torne eterno em fogo e prazer.





  Cléia Fialho