TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 17 de abril de 2016

O ECO DA SAUDADE



Na calma da noite serena,
Sinto o eco da saudade.
De quem está longe, e me acena,
Fazendo-me sonhar de verdade.

Em meu peito, a saudade voa,
Com vontade de tê-lo à toa,
Num abraço quente, sem fim,
Que só existi entre nós, enfim.

E a noite, tão lenta e profunda,
vai costurando o silêncio em mim,
como quem borda lembranças na penumbra
sem saber bem onde começa o fim.

Te procuro no espaço entre os segundos,
nesse intervalo que o peito inventa,
onde os sonhos se fazem mais fundos
e a ausência, de ti, se alimenta.

Se o vento passa, me fala teu nome,
num sopro leve que insiste em ficar,
e a distância, ainda que me consome,
não sabe o jeito de te apagar.

Então sigo — verso aberto, incerto —
feito rio buscando o mar,
com o coração sempre desperto
na esperança de te encontrar.





  Cléia Fialho

sábado, 16 de abril de 2016

CORAÇÕES SELVAGENS



A cada toque, o desejo floresce,
Brilhando nas sombras da nossa paixão,
Corações selvagens, onde o amor aquece,
Dançamos no tempo, sem razão.

Em cada beijo, a chama se eleva,
Sussurros de amor, o corpo a estremecer,
Nos teus braços, o mundo se renova,
Mergulho em teu ser, onde nasce o prazer.

E a noite, cúmplice, se curva em silêncio,
como quem guarda segredos na palma do escuro,
o instante suspenso entre o antes e o depois
arde suave, sem pressa, sem muro.

Teu nome se espalha no ar como brisa acesa,
tocando o invisível entre pele e emoção,
e cada segundo se veste de surpresa
no compasso indeciso do coração.

Há um mundo que nasce onde o gesto se encosta,
onde o olhar se demora mais do que deveria,
e a realidade, por um momento, se aposta
na invenção delicada da nossa sintonia.

Seguimos assim — sem mapa, sem norte, sem fim,
apenas dois rios buscando o mesmo mar,
e o que em nós se revela, tão dentro de mim,
é esse eterno aprender de amar.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 15 de abril de 2016

quinta-feira, 14 de abril de 2016

ENTRE O PENSAMENTO E A PELE



Cada suspiro é um eco de paixão,
Teus lábios são meu refúgio e abrigo,
A cada beijo, renasce a sedução,
No toque suave, encontro o que preciso.

Nosso amor é chama que nunca se apaga,
Brilhando nas noites que nos envolvem,
Sinto em cada gesto o desejo que traga,
E me entrego ao amor que nos dissolve.

No silêncio que entrelaça nossos nomes,
o mundo se desfaz em pura vertigem,
e o tempo, rendido aos nossos contornos,
se curva diante dessa doce origem.

Te encontro no espaço entre pensamento e pele,
onde a alma respira sem pressa de partir,
e cada segundo que em ti se revela
é um universo inteiro a florir.

Há um fogo sereno que nos guia por dentro,
como mar que acaricia a margem do ser,
e tudo o que somos, nesse mesmo momento,
aprende de novo o verbo “viver”.

E quando a noite se derrama em mistério,
teu nome acende estrelas em mim,
e eu me perco nesse amor tão etéreo,
que nunca começa… e nunca tem fim.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 13 de abril de 2016

UM DOCE PRAZER



Amor que brilha ao amanhecer,
Bailando nas flores, um doce prazer.
Corações entrelaçados, em magia,
Dançando juntos, em pura sintonia.

Beijos suaves, carinho no olhar,
Caminhos de sonhos, prontos a encantar.
Dois corações, um só destino,
Despertar a vida, em amor divino.

E segue o tempo em tom de emoção,
Desliza lento dentro do coração.
Teu nome ecoa em cada manhã,
Como um segredo na luz de um afã.

O vento acaricia nossa história,
Trazendo lembranças vestidas de glória.
Cada instante se faz infinito,
Quando em teus braços eu habito.

Há um silêncio cheio de calor,
Onde se entende o próprio amor.
Sem precisar dizer nada ao luar,
Basta o teu toque pra me completar.

E se o mundo se perder do caminho,
Ainda assim não estaremos sozinhos.
Pois somos chama, mar e clarão,
Dois universos numa só paixão.





  Cléia Fialho

terça-feira, 12 de abril de 2016

DELIRA E SUSPIRA


No sussurro, a vontade desliza e avisa
Teu toque, em segredo, provoca e choca
Na pele, o desejo arde e resguarde
O beijo, em silêncio, inflama e derrama

Teu corpo, no meu, delira e suspira

A noite, em brasa, me chama e embriaga
Teu cheiro, tão perto, me prende e carrega
Nos olhos, o fogo insiste e persiste
Teus dedos, lentos, despertam e apertam
Meu peito, no teu, se perde e se entrega

Na dança dos lençóis, a chama passeia
Teu riso, baixinho, seduz e incendeia
A lua, lá fora, vigia e suspira
Enquanto a paixão nos envolve inteira
E o amor, sem pressa, floresce e flameja.





  Cléia Fialho

O Experimental Almognose
é uma criação da Poetisa ANA LUCIA S PAIVA

segunda-feira, 11 de abril de 2016

JÁ NÃO SEI RESISTIR...


Tento não pensar em ti,
mas falho sem perceber.
Teu nome se esconde em mim
nas dobras do meu ser.

Esqueço de te esquecer,
e volto a te encontrar.
Na luz da tua lembrança
me deixo naufragar.

Te sonho sem resistência,
em murmúrios de calor.
Teu toque inventado acende
minha pele em ardor.

E quando a mente te chama,
já não sei resistir…
sou chama, sou entrega,
me perco em ti.





  Cléia Fialho

domingo, 10 de abril de 2016

NO AUGE DO INSTANTE


Eu te amo no tempo exato em que meu coração se perde.

Chego perto de ti como quem entra num sonho quente.
Sem pressa. Sem defesa.

Meu corpo aprende teu idioma.

Um movimento interno, lento, inevitável.

Vai e vem de maré.
Dentro de mim.

Sorrio de leve. Meio segredo.
Lembro do primeiro encontro.

Como se já te conhecesse antes do tempo existir.

Te deixo carinho na pele.
Gestos que falam sem som.

Minha respiração me entrega.
Eu não sei esconder o que sinto aqui.

Entre nós, há um jogo silencioso.
Proximidade. E rendição.

As linhas se dissolvem devagar.

Quando te alcanço, não há distância.
Só presença.

Te encontro como abrigo.
Depois da tempestade.

Teu calor me atravessa.
Me desmonta. Me refaz.

E tudo em mim começa a pulsar.
Sem ordem. Sem controle.

No auge do instante,
eu me perco… completamente.





  Cléia Fialho