TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quinta-feira, 5 de maio de 2016

CORES DO AMOR



Cores do amor, na brisa a flutuar,
Dedos entrelaçados, a vida a brilhar.
Contos de fadas, em noites de lua,
Doce serenata, a alma nua.

A luz do sol, um doce abrigo,
Brilha nos olhos que são meu sol.
Caminho ao teu lado, sempre contigo,
De mãos dadas, perdemos o farol.

Entre jardins bordados de esperança,
Teu riso dança em meu amanhecer,
Cada suspiro renova a aliança
De dois destinos querendo florescer.

No céu dourado das tardes serenas,
Paira o perfume das rosas em flor,
Teus beijos chegam em ondas pequenas
E inundam meu peito de encanto e calor.

A noite desce vestida de estrelas,
Trazendo promessas em suave canção,
Enquanto o vento percorre as janelas
Soprando ternura ao meu coração.

E assim seguimos, amor sem medida,
Feito rio calmo beijando o mar,
Dois sonhos unidos na mesma vida,
Na eternidade de um doce amar.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 4 de maio de 2016

terça-feira, 3 de maio de 2016

GRITEI TEU NOME AO VENTO


Amei-te além do limite do silêncio,
e permaneci à porta dos dias
esperando teus passos
que nunca tocaram meu chão.

Gritei teu nome ao vento,
mas apenas o eco respondeu
habitanto os corredores vazios
daquilo que sonhamos juntos.

A demora vestiu-se de inverno,
e o relógio cansou de esperar por nós.
As horas perderam a cor,
as promessas ficaram suspensas
como folhas secas em fim de estação.

Agora chega o instante da partida.
Que os caminhos se afastem sem retorno,
que as mãos desaprendam o toque,
que os sorrisos antigos se dissolvam na memória.

Que a esperança adormeça devagar,
que os desejos virem cinzas leves,
que os apertos no peito se escondam
entre as palavras nunca ditas.

Que a saudade se derrame lenta
pelas noites insones,
e o pranto encontre abrigo
na solidão dos travesseiros frios.

Eu te quis com toda a intensidade
que um coração suporta carregar.
Esperei além da própria coragem,
e ainda assim
não vi teu retorno acontecer.

Talvez o amor também se perca,
quando um fica
e o outro demora demais.

Então partirei em silêncio,
recolhendo pedaços de mim
que deixei espalhados em teu caminho.

E se um dia eu apagar tua lembrança,
talvez já não doa ouvir teu nome,
talvez meus olhos não procurem mais
tua sombra entre as multidões.

Mas enquanto o esquecimento não vem,
carregarei essa ausência funda
como quem abraça uma ferida
sem coragem de soltá-la.

Adeus…
que o tempo faça o que meu coração
ainda não conseguiu fazer.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 2 de maio de 2016

AUSÊNCIA E MEMÓRIA


Do amor restou apenas um inverno tardio,
uma estação suspensa entre ausência e memória.
Quanto mais teu afeto me alcança,
mais recolho meus silêncios,
mais me afasto do que fui.

Teu toque me desnuda devagar,
mas é na fuga que me reinvento;
quanto mais tento desaparecer,
mais encontro rastros de mim
espalhados no teu olhar.

Há em mim um clarão secreto,
uma chama que arde escondida
sob os escombros da saudade.
Por dentro, floresço em incêndios calados,
por fora, curvo-me ao mistério
desse desejo quase sagrado.

E sigo —
entre o querer e o abandono,
entre o abrigo e o precipício —
vestindo sombras sobre a pele
para que ninguém perceba
o quanto ainda te habito.

Porque amar também é isso:
um combate delicado
entre se entregar inteira
ou permanecer intacta.
E quanto mais me perco em ti,
mais profundamente me descubro.





  Cléia Fialho

domingo, 1 de maio de 2016

EM GOTAS SILENCIOSAS


Meus lábios, quentes e entreabertos,
ansiavam pelo toque febril dos teus,
e mesmo ferida pelos desencontros,
floresci sob o fogo do teu desejo.

A pele ardia em gotas silenciosas,
o coração pulsava descompassado,
enquanto tua presença dominadora
invadia cada espaço do meu íntimo.

Nenhum pedido de desculpas surgiu
da tua boca inquieta e sedenta;
teu querer falava mais alto que tudo,

E naquela entrega intensa e selvagem,
o desejo represado rompeu limites,
fazendo a noite durar até nascer a manhã.





  Cléia Fialho

sábado, 30 de abril de 2016

SENTINDO A FORÇA VIVA


Parece que já nos pertencemos há muito tempo,
como se a vida tivesse ensaiado esse encontro.
Quem diria que seria a primeira vez
que dois rios se cruzam assim,
e ainda assim se reconhecem sem hesitar?

A paixão nos guia sem medo,
sem máscaras, sem defesa.
Só entrega.
Uma chama cresce em silêncio
e nos liberta por inteiro,
como se o mundo deixasse de existir.
Duas almas em instinto,
tocando o céu e a própria essência.

Meu corpo responde ao teu,
em ondas que não se explicam.
Em ti também há esse transbordar.
Como fogo que encontra outro fogo.
O tempo para, sem aviso.
E eu me perco no teu abraço,
sentindo a força viva
do teu coração junto ao meu.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 29 de abril de 2016

ENTREGA PROFUNDA E SERENA



Entre nós
não existem muros,
nem palavras escondidas
atrás do silêncio.

Tudo se revela
no calor do instante,
na verdade das mãos
que se procuram sem medo.

Teu toque encontra o meu
como se já soubesse o caminho,
e nossos corpos se reconhecem
numa entrega profunda e serena.

Não há regras
quando a alma se despe
e o amor dissolve distâncias
que o mundo insiste em criar.

Existe apenas esse momento —
intenso, absoluto,
onde somos abrigo um do outro,
pele, desejo e sentimento
fundidos na mesma chama.

E nesse encontro tão inteiro,
criamos um elo invisível,
forte como o tempo,
delicado como um suspiro,
eterno dentro de nós.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A TERRA CHEIRA A MATE QUENTE



Nos campos do Sul,
o horizonte não tem fim.
A terra cheira mate quente.
O vento corre solto.
Pampa aberto, alma leve.

As moças caminham serenas.

Passos firmes, chão antigo.
Olhar calmo, fundo, silencioso.
Como água escondida no cerro.

Vestem cores que dançam ao sol.

Flores presas no tecido leve.
O tempo ali anda devagar.
E a natureza dita o ritmo.

Fumaça sobe do galpão distante.

Cheiro de lenha no ar.
Elas passam.
E o campo muda de humor.

Não há pressa nos gestos.

Só presença.
São terra, vento e raiz.
São liberdade sem explicação.

Entre bois e quero-quero,
seguem inteiras.
Gaúchas do pampa.
Paisagem que respira.




  Cléia Fialho