TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 17 de março de 2019

TEU CORPO NA MINHA MADRUGADA



Doce amado, não apenas penso:
te chamo em cada veia aberta
te invento em cada sombra que se move
na cama que ainda guarda teu vazio.

Povoas não só sonhos -
invades o suor dos meus lençóis
tua boca desce por minha espinha
como um rio que não pede licença.

A noite não traz teu rosto:
traz tuas mãos onde não estão
traz teu peito colado às minhas costas
traz o peso que me falta quando acordo.

Deito-me e és tu quem me deita
teu corpo sobre o meu - não lembras?
pesado, quente, dono de cada curva
teu beijo não é lembrança: é ferida.

Molhado e quente como a língua
que desenhou meus ossos
enlouqueço quando fecho os olhos
e ainda sinto teu gosto na minha nuca.

O fogo não arde por dentro
arde onde me tocaste
arde onde ainda não tocas
devora não a alma - devora o instante
em que fui tua e tu foste minha.

Adormeço enroscada em ti
mesmo que sejas apenas
o eco do teu cheiro no travesseiro
o ritmo não é do coração -
é o que resta do teu quadril contra o meu.

Dorme comigo!
Não como promessa - como ordem
que tua mão encontre meu sexo no escuro
que tua boca saiba onde me doeu
quando te foste e eu fiquei.

A noite é o repicar dos amantes
mas eu sou o sino que ainda vibra
o som que te chama pelo nome
enquanto me toco pensando
que és tu quem me toca.

Sabes que mesmo ausente
és mais presente que meu próprio corpo
quando arqueio e chamo
e tu respondes de dentro de mim.

Eu te amarei não amanhã
mas agora - nesta hora em que a cama
é o único altar onde te sacrifico
onde te crucifico em cada gemido.

Te levarei às estrelas
não nos sonhos - nas coxas abertas
no céu que se forma entre meus dedos
e tuas mãos invisíveis guiando.

Roubaremos as cores da manhã
mas primeiro roubaremos a noite
o escuro onde teus olhos me vigiam
onde tua boca me come sem pressa.

Pintaremos nossas vidas
com o leite e o mel dos nossos corpos
com o sal que escorre das minhas costas
e o doce amargo do teu desejo.

A noite me traz teu rosto
mas não apenas rosto:
traz o que tu nunca me deste
e eu nunca pedi -
o silêncio onde teu nome
é a única palavra que sei gritar.

Mais que nunca...
não me fizeste falta
quando tinhas corpo
agora que és fantasma
és mais carne que a carne.

Dorme comigo!
Não no sonho - no meu corpo
que ainda se abre como noite
para que entres
e nunca mais saias.




  Cléia Fialho

sábado, 16 de março de 2019

CHAMA SELVAGEM



Teu olhar encontrou meu corpo
não como está - mas como arde
fera que rói as próprias grades
unhas cravadas no metal frio.

Carente de tuas mãos na nuca
Desejosa de teu hálito quente
prisioneira do próprio desejo
que lateja como carne viva.

Romper a gaiola que inventaram
para meu cio domesticado
respirar o ar dos teus dedos
descendo pela espinha em fogo.

Correr teus riscos naturais
teu peito como chão selvagem
teu sexo como mata virgem
onde minha boca é exploradora.

Ser livre para te morder
para rasgar tua camisa com os dentes
para montar teu corpo como besta
que esqueceu o nome da jaula.

Ardem meus seios quando te encosto
forte é o cheiro do teu suor
selvagem é o som que escapa
quando me tomas por inteira.

Sufoca a fera que aprendi a ser
enlouquece o instinto contido
quando tua língua encontra
o centro molhado da minha floresta.

Brado por ti - não por liberdade abstrata
mas pela liberdade de ser tua presa
teu risco, teu caminho descoberto
teu instinto satisfeito em carne viva.

Ah! teus riscos são meus gozos
porque me privas de tudo
para me dares mais
na ponta dos teus dedos
no fundo da tua boca
na curva do teu quadril
onde minha fera finalmente
se reconhece selvagem.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 15 de março de 2019

SÓLIDA TENTAÇÃO



Quero ser sua cruel resignação
 ser o seu pior pesadelo
 a sua mais sólida tentação
 que não ofereçe resistência
 e nem admite abdicação...

 Quero estar em seu pensamento
 em cada sonho que você tiver
 serei seu lascivo tormento
 o doido fetiche que quiser...

 E para onde você for
 ali eu vou sempre estar
 serei seu prazer flagelador
 a sua demência de amar...




  Cléia Fialho

quinta-feira, 14 de março de 2019

EMBALA ESTE CALOR



Une tua boca à minha
Enlaça o meu corpo ao teu
Faz da gente dança divina
Embala este calor

Abrasador, nesse fogo meu.

Teu perfume invade
meu íntimo ardor
E o céu se derrama
no brilho do olhar

Nossos corpos queimam
em febre macia
Na cama do vento
à beira do mar

Teu peito em meu peito
desfaz os segredos
Que a noite escondia
no doce esperar

E em cada carícia
a chama desliza
Fazendo o desejo
mais fundo pulsar.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 13 de março de 2019

AMAR SEM PRESSA



Quero ser amada por ti,
Toda.

Quero tua boca na minha,
Leve no começo,
Língua roçando língua,
Provando teu suor,
Acendendo o que em ti dorme.

Guardaria teu gosto
Preso na minha boca,
No desespero doce dos meus beijos.

Te levaria para entre minhas coxas,
Te mostraria onde guardo meu fogo,
Para sentir tua boca em mim
Em ritmo de beijo, lento, fundo.

No meu ofego quente,
Nos meus gemidos baixos,
Te amaria sem relógio,
Te receberia inteira,
Me enchendo de você.

E assim você me amaria
De todos os jeitos,
Até a noite virar dia,
Até teu corpo, duro e rendido,
Descansar quente
No abrigo das minhas pernas,
No frescor do meu peito.




  Cléia Fialho

terça-feira, 12 de março de 2019

segunda-feira, 11 de março de 2019

DESEJO ANCORADO



Você respirou no meu peito
E acendeu tudo.

Plantou rosas no meu silêncio,
Abriu meu corpo como se abre um caminho,
E me guardou entre os teus lábios
Como quem guarda um segredo molhado de vontade.

Você confortou meus medos
Com a boca,
Deixou que o vento da tarde levasse o resto.

Você,
Fogo na minha pele,
Semente no meu ventre,
Chuva que escorre lenta pelas minhas coxas,
Raiz que me prende,
Canção que me faz gemer baixo.

Cotovia que me acorda com suspiros,
Mão que sabe onde eu queimo.

Fica ancorado no meu mar,
Navega em mim,
Me inunda.

Eu te declaro meu porto,
Onde eu me abro,
Meu horizonte,
Onde eu me perco toda.




  Cléia Fialho

domingo, 10 de março de 2019

MARTÍRIO DE TE AMAR




Eu corro contra o tempo
 reprofundo nas ondas do mar
 drapejo nas asas do vento
 anseio seu corpo alcançar...

 Cada minuto é um inferno
 as horas parecem parar
 meu peito gélido inverno
 espero seu amplexo encontrar...

 No letargia da madrugada
 a solidão a me acompanhar
 o dilúculo como revoada
 faz o meu intelecto pirar...

 Eu acelero mas não te alcanço
 nem chego a te tocar
 açodo em um sobrelanço
 nesse martírio de te amar...




  Cléia Fialho