TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 11 de junho de 2023

NA SOLITUDE




Na calada da noite,
estrelas são minhas guias
Na solitude...descubro
forças que antes não via.

Sou eu, nua e crua,
sem máscaras ou véus
Abrindo meu coração
ao universo, aos céus.

E no silêncio profundo
onde a alma faz morada
Escuto antigas verdades
na memória adormecida.


Cada lágrima caída
rega flores no caminho
Transformando antigas dores
em clarões de carinho.

A lua beija meus sonhos
com sua luz prateada
E eu me encontro renascida
pela esperança abraçada.


Pois quem encara a si mesma
com coragem e emoção
Descobre dentro do peito
um infinito de imensidão.






  Cléia Fialho

sábado, 10 de junho de 2023

METÁFORAS OUSADAS




Em letras sem razão, dança o poema
Palavras sem sentido, traçam desejos
Silêncios sussurram, segredos queimam
Na pele das frases, ardem desvelos.

Versos sem lógica, entrelaçam anseios
A linguagem do corpo, em cada toque
Metáforas ousadas, deslizam na pele
Na dança das sílabas, o amor brota.

Sem sentido aparente, mas profundo na carne
Poema sensual, entre linhas ardentes
Em cada verso vago, um convite sutil
Ao toque das palavras, despidas de limites.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 9 de junho de 2023

O TOQUE QUE ME RENASCE



E enquanto a solidão abraça meu ser  
eu deslizo a mão pela própria pele,  
aprendo a amar este corpo que treme,  
a renascer sob meus próprios dedos.

Dentro de mim reside um mundo completo:  
seios que endurecem ao meu toque,  
coxas que se abrem sem vergonha,  
o calor úmido que escorre lento  
quando eu me toco com fome e com carinho.

Na solidão encontro um amante secreto:  
eu mesma.  
Assim abraço a solidão com gratidão  
e com a mão entre as pernas,  
sentindo o prazer subir como uma onda  
que só eu sei provocar.

Ela me ajuda a crescer,  
a gemer baixo no escuro,  
a descobrir cada ponto que me faz arquear,  
cada suspiro que me entrega inteira  
ao meu próprio desejo.

No eco das minhas próprias palavras  
e no gemido que solto quando gozo,  
descubro que a solidão também é um lar…  
quente, molhado,  
onde eu me fodo devagar  
e renasço completa.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 8 de junho de 2023

quarta-feira, 7 de junho de 2023

NA SOLIDÃO DO MEU CORPO



Na solidão, sou minha própria amante  
Exploro a pele quente com dedos lentos  
Descubro segredos entre as coxas úmidas  
Encontro prazer e me entrego sem medo.

Na solidão que envolve a minh’alma  
Um gemido baixo preenche o ar  
Apenas minha própria mão ressoa  
No silêncio quente a me acariciar.

Os seios pesados pedem carinho  
Os mamilos endurecem sob o toque  
Desço mais fundo, abro as pernas  
E deixo o desejo invadir sem freio.  

O corpo treme, o gozo sobe  
Molho os dedos no meu próprio oceano  
Na solidão eu me fodo com fome  
E me encho de prazer até o fim.




  Cléia Fialho

terça-feira, 6 de junho de 2023

COLADA À TUA BOCA




Não peço calma, peço o incêndio que sobra  
quando tuas mãos desaprendem o mapa do meu corpo  
e eu sou só esse rio que transborda  
onde teu sopro é o único remo.

Colada à tua boca a minha desordem —  
não como renda, mas como fome que rasga.  
O meu vasto querer não cabe em norma,  
é bicho que desaba e ainda galga.

Te examino em cada vírgula suspensa,  
como quem lê um mito às avessas:  
despindo a fábula, provando a densa  
umidade que te escorre das promessas.

O incompossível se fazendo ordem  
enquanto a noite nos desfaz os ossos:  
eu, que fui calma, viro torre que tomba  
no teu peito onde ecoam meus destroços.

Colada à tua boca, mas descomedida —  
alfabeto que morde o próprio canto,  
dança que não ensaia a despedida,  
vertigem que se planta em cada pranto.

Árdua, sim, porque o gozo é pedreira,  
lapidação de luz no escuro bruto.  
Construtor de ilusões, tua fronteira  
é a única fronte que me deixa em luto  
de tanto prazer — e eu, operária  
de um céu que inventas só para me perder.

Examino-te sôfrega: cada fenda,  
cada silêncio que te faz mais homem,  
cada respiro que em mim se estilhaça  
e reinventa o prazer que me tomam.

Como se fosses morrer colado à minha boca,   
eu te demoro inteiro, quase louca,  
porque o instante é a pátria do ausente.

Como se fosse nascer e teu suor  
fosse o cordão que me prende à vida,  
eu invento de novo a nossa cor  
na tela úmida, quente, comprida  
do lençol onde a lua nos espreita  
e desaba em leite sobre a carne eleita.

E tu fosses o dia magnânimo,  
sol que não queima, mas desabotoa  
o vestido de cinzas que me habita,  
eu te sorvo extremada à luz do amanhecer:  
cada aurora é um gozo que me grita,  
cada raio, um dedo a percorrer  
a geografia exacta do teu ser.

Não há mapa, há trama, há laço, há nó  
que desfaço com a língua e recomponho  
até que o tempo perca o seu relógio  
e eu seja apenas esse espaço em sonho  
onde teu nome arde e se refaz —  
desordem feita altar, feita voragem,  
feita mulher que não pede outra vez  
senão a de perder-te na linguagem.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 5 de junho de 2023

LIVRO DO MEU CORPO




Me dá tua vida que eu escrevo em ti,
se solta, se liberta, sem tabu,
aqui nessa cama não tem pecado,
aqui tua boca pode tudo.

Meu palco é minha pele acesa,
meu perfume te deixa de joelhos,
meu calor te aquece inteiro,
meu mel te deixa de joelhos.

Eu te guio, eu te prendo, eu te solto,
eu te beijo onde tu arrepias,
eu te mordo onde tu me pedes,
eu te marco onde tu me vicias.

Quero teus beijos ardentes repetidos,
teu corpo no meu em união,
teus sentidos despertos nos meus,
teu gemido na minha devoção.

Minhas carícias são rimas entrelaçadas,
minha luxúria é sem receio,
meu amor é celebrado gozando,
meu êxtase é pleno, no meio.

Vem ser meu livro, vem ser meu verso,
vem beber do que brota em mim,
que eu te alimento de prazer,
e tu me alimenta até o fim.




  Cléia Fialho

domingo, 4 de junho de 2023

TEUS PÉS NOS MEUS LÁBIOS




Beijo teus pés como quem pede licença,
subo devagar pelo mapa da tua pele,
me demoro no teu ventre morno,
me perco no contorno dos teus seios.

Tua boca me chama e eu vou,
apaixonada, inteira, sem pressa,
deslizo as mãos com destino certo,
e estaciono onde teu corpo me quer.

Sinto tua respiração mudar de ritmo,
teu corpo responde quando eu toco,
teu olhar acende e me prende,
és maré cheia quando me ofereces.

Me fazes tua, me fazes vassala e rainha,
invades minhas profundezas com ternura,
me conquistas sem força, só com desejo,
e eu grito teu nome quando o prazer me inunda.




  Cléia Fialho