sexta-feira, 18 de agosto de 2023
quinta-feira, 17 de agosto de 2023
ENTREGA SEM MEDO
Ardente e molhada — entrego-me não, atiro-me
como faca que rasga o ar em direção à carne,
como sede que não encontra água e bebe fogo.
A dança dos corpos não é sintonia — é duelo,
é combate de mandíbulas, coxas que se enlaçam
como serpentes no cio, respirações que se roubam,
gemidos que se esganam na garganta aberta.
A paixão não nos envolve: nos trespassa,
nos abre ao meio, nos despeja nas curvas
do desejo como corpos em queda livre,
onde o profundo não é abismo — é útero,
é palpitação de músculo molhado,
é língua que explora cada dobra,
cada vulcão adormecido que desperta.
Tuas mãos são garras, meus dentes são marcas,
teu hálito queima minha nuca,
meus seios roçam teu peito como brasas.
O ritmo não é suave — é estampido,
é cavalo selvagem despencando no vale,
é espasmo que sacode a espinha,
encurva os dedos, arranca nomes de deuses
que não existem — só existe este instante,
este corpo colado ao teu, suor escorrendo,
respiração ofegante, prazer que não pergunta,
só toma, só preenche, só enterra a fome
até que reste apenas carne vibrante,
latejante, úmida — e viva.
quarta-feira, 16 de agosto de 2023
ALFABETO DA MINHA FOME
Ardo antes mesmo de me tocares,
o teu olhar já me despe sem pressa,
e a minha pele responde com um tremor antigo.
Boca com boca, aprendemos a rezar sem palavras —
não, apago essa palavra,
digo antes: aprendemos a morder o silêncio.
Cada dedo teu escreve um verso na minha cintura,
desenhas mapas onde só tu sabes chegar,
e eu abro-me toda como um livro sem capa.
Deito-me à tua mercê sem pudor nem defesa,
entrego-te esse pedaço meu que ninguém alcança,
faço da tua língua o meu único idioma.
Gemo baixinho quando desces devagar,
mais alto quando o fôlego me falta,
mais rouca quando já não me pertenço.
Insiste, morde, prende-me pelos pulsos,
faz da minha coluna uma corda tensa,
puxa-me o cabelo até eu esquecer o mundo.
Molhada, rendida, faminta de ti,
peço-te mais com o corpo inteiro a tremer,
enrolo-te as pernas como quem não quer largar.
Sobes por mim como um incêndio calmo,
tomas conta da minha boca com fome antiga,
e eu já não sei se peço mais ou se imploro.
Uivo em segredo dentro da tua orelha,
vergo-me toda ao teu peso quente,
e explodo — repetidas vezes — presa ao teu ventre.
Zero é o que sobra quando acabas em mim,
zero e este tremor que ainda me percorre,
e a minha boca ainda a procurar a tua.
terça-feira, 15 de agosto de 2023
REFLEXOS PECAMINOSOS
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segunda-feira, 14 de agosto de 2023
A LÍNGUA DESENHA CAMINHOS
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domingo, 13 de agosto de 2023
LÁBIOS ENTRANTES
Olhares que partilham
Luz em cada dia
Sorrisos que brilham
Expressão de alegria
Lábios entrantes
Alacridade emoldurada
Sorrisos contagiantes
Felicidade compartilhada.
Luz em cada dia
Sorrisos que brilham
Expressão de alegria
Lábios entrantes
Alacridade emoldurada
Sorrisos contagiantes
Felicidade compartilhada.
Mãos que se encontram
No gesto do acaso
Corações que despontam
Num doce abraço
Vozes que se acalmam
No som da ternura
Vidas que se acendem
Em pura doçura
E o tempo, suspenso
Se rende ao momento
Num laço imenso
De encantamento.
Lindíssima Interaçao do amigo e poeta Marcus Rios
Um olhar a observar
Estes teus lábios
Que me convida
Para um beijo
Cheio de prazer.
GRATIDÃO
sábado, 12 de agosto de 2023
CORPOS ENTRELAÇADOS NO DESEJO
Imaginei teu corpo pressionado contra o meu,
Tua carne quente deslizando sobre a minha, ainda pura,
Cada toque uma promessa, cada curva um convite proibido,
Teu beijo doce como mel, ardendo em minha boca.
Eu, presa e rendida em teus braços, entregue sem medo,
Senti o fogo crescer, invadindo cada fibra do meu ser,
Nosso desejo se faz tempestade, voraz e implacável,
Teu toque é corrente que me amarra
e liberta ao mesmo tempo.
O calor da tua pele é chama que me consome inteira,
Entrelaçados, perdemos a noção do tempo e do espaço,
Somos dois corpos que se encontram,
se devoram e se queimam.
Na dança selvagem do prazer sem limites,
Onde cada suspiro é um grito de entrega total,
E o amor se torna fogo que arde,
que queima e nunca se apaga.
sexta-feira, 11 de agosto de 2023
PALAVRAS GENTIS
Poemas no papel,
Alma que se revela,
Poetizar em essência
A cada palavra singela.
Papel em branco,
Verbetes sutis,
Poesia tão arvela
Em versos gentis.
Tinta que dança leve
Na curva da emoção,
Feito brisa que escreve
Segredos do coração.
Entre rimas bordadas
De sonho e clarão,
Nascem flores caladas
No jardim da criação.
E assim me derramo
Em doce e pura aquarela,
Pois quando eu amo, eu declamo
Minha alma na folha singela.
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