Desejo provar na tua boca
o incêndio manso da paixão,
beber teus silêncios mais fundos
como quem descobre outra dimensão.
Quero teus arrepios em mim,
o calor do instante proibido,
teu corpo chamando o meu
num segredo doce e atrevido.
Percorreria tua pele lentamente,
feito luar sobre campina vazia,
desatando cada suspiro
na febre morna da fantasia.
E ao pé do teu ouvido diria baixo:
“me deixa morar no teu querer”,
pois nessa noite sem limites
só teus braços sabem me prender.
Quero perder-me nos teus caminhos,
arder sem medo ou despedida,
fazer do teu abraço meu abrigo
e da tua entrega, minha vida.
Te buscaria em cada toque,
em cada chama do teu olhar,
como quem encontra no desejo
um novo jeito de amar.
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