TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 14 de maio de 2024

AZUL-CELESTE




No céu de azul tão vasto e celestial
O universo dança em pura magia
E a lua, serena, em sua alquimia
Reflete o brilho num manto sideral.

Nesse tablado cósmico, sem igual
Estrelas fulguram em doce harmonia
Em um balé divino, belo e imortal
É uma sonata etérea que contagia.

O azul-celeste guarda segredos mil
O universo, estrado de sonho febril
A lua, sendo musa dos poetas, sorri.

Na imensidão do espaço azul anil
Poetiza-se a melodia dos céus aqui
Em versos líricos que d'alma escrevi.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 13 de maio de 2024

ESPLENDOR CÓSMICO



No manto azul do céu, universo brilha
Esplendor cósmico, vasto e sem igual
O luar sereno, entre a noite se aninha
Nas asas do tempo, desliza celestial.

No azul profundo, cada estrela cintila
Ecos misteriosos que o cosmos encerra
Enquanto a lua, em seu ciclo, desfila
Guardiã silente da noite que impera.

Lua, astro luminoso, no azul-celeste
É testemunha eterna do nosso viver
Em teu luar, em segredos te reveste.

E neste belo palco que não tem fim
O universo dança, baila sem se deter
Espetáculo divino, trono de querubim.




  Cléia Fialho

domingo, 12 de maio de 2024

NOS LENÇÕES MACIOS



Nos lençóis macios, o prazer a pulsar
Nossos corpos, noite adentro a se entregar
Entre suspiros, a sinfonia do êxtase abraça.

O prazer revelado, em cada toque se laça
Nossas peles róscidas, no augue do querer
Deleite que arde, como fogo a aquecer.

Gemidos ecoam entre veredas desveladas

Corpos em sintonia, lubricidades trocadas.




  Cléia Fialho

sábado, 11 de maio de 2024

TE DEVORO NA MEDIDA EXATA



Curvo-me faminta sobre teu peito latejante,
minha boca desce lenta, traçando um mapa molhado,
degusto tua pele como quem lambe um pecado,
cada centímetro teu vira sílaba tesa no meu paladar.

Te devoro na medida exata de um verso indecente,
rasgo o silêncio com meus lábios úmidos e ávidos,
minha língua escreve blasfêmias na tua carne rija,
teu gemido rouco é o refrão que me embriaga.

Vou até o fundo, gulosa, sem trégua, sem pudor,
engulo teu tesão como quem bebe fogo líquido,
meus dedos cravam tuas coxas trêmulas de prazer,
e sinto teu corpo estremecer preso entre meus dentes.

Sorvo teu néctar quente com um sorriso safado nos lábios,
lambo a última gota como quem guarda um segredo pulsante,
gozas em mim, e eu — selvagem, saciada, 
ainda com fome — sussurro tua ruína.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 10 de maio de 2024

POESIA PROIBIDA



Em cada curva, um capítulo de prazer
O tom da paixão, a nos envolver
Gosto de ti, como poesia proibida.

Lúbrico verso, em tua pele lida
Entre suspiros, a lua testemunha
Erótica dança, a união se aprimora.

O tempo para, somos eternos agora
Êxtase do amor, onde o versar aflora.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 9 de maio de 2024

AMAR E QUERER



Amar e querer, dois sentimentos distintos
Em corações variegados, residem em união
Amar é um dom, sentimento ébrio absinto
Querer é um desejo, uma chama de paixão.

Amar é entrega, doação sem reservas
Querer é busca, conquista, sem cessar
Amar é a base, o alicerce que nos leva
Querer é o impulso, a força para alcançar.

Amar e querer, veementemente formosa
Na sinfonia d'alma, compõem a canção
Amar é a melodia suave, doce e harmoniosa
Querer é ritmo vibrante, pulsa com emoção.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 8 de maio de 2024

OUTRO SOM DENTRO DA MINHA BOCA



Sonhei que você tinha um aquário no peito.

Dentro, dois peixinhos dourados nadavam em círculos,
e quando você me beijava,
eles batiam no vidro.

Eu coloquei a mão e o vidro amoleceu.
Coloquei a boca e a água ficou morna.
Você gemeu e os peixinhos ficaram loucos,
nadando rápido, fazendo espuma.

Sua língua tem gosto de fruta que ainda não foi inventada.
Eu provo e esqueço meu próprio nome,
só lembro do seu,
que agora tem outro som dentro da minha boca.

Você me vira do avesso.
Literalmente.

Minha pele sai e fica pendurada na cadeira,
e você ama o que tem por baixo,
que é só luz, só mel, só pulsar.

Você me lambe como quem lê braile,
decifrando cada arrepio meu como uma carta secreta
que eu mesma nunca soube que escrevi.

Quando você me toca lá embaixo,
não é lá embaixo.
É em outro planeta.
Um planeta que só existe quando você encosta.

E eu gozo em constelações.
Eu juro que vi a Ursa Maior se desfazer
na hora que você sussurrou "vem".

Depois você dorme com a boca entreaberta,
e do seu hálito saem abelhas pequenas,
todas douradas,
todas voltando pra colmeia que é o meu ventre.

Dorme, meu surreal.
Eu te guardo aqui dentro,
nesse aquário que agora é nosso.




  Cléia Fialho

terça-feira, 7 de maio de 2024

OLHA — É ISSO



Eu não quero teu corpo de passagem,
eu quero teu corpo de morada.

Quero descobrir a geografia secreta
onde tua nuca vira vale,
onde tua espinha é cordilheira
e eu desço de boca aberta, em expedição sem volta.

Teu hálito encosta no meu e já é prelúdio.
Teu olhar me despe antes da roupa,
e quando a roupa cai,
não cai pano — cai o mundo.

Fica só você.
Só essa luz âmbar que tua pele solta
quando quer ser tocada.

Eu te toco como quem tange um instrumento antigo,
que só responde se for com devoção.
Teu peito pesa na minha mão como um fruto que escolheu cair,
teu ventre estremece quando minha boca se lembra
do mar que já morou ali.

Me abro devagar,
como quem abre um livro sagrado no meio.
Me lê com a língua,
com a testa encostada,
com a fome de quem entendeu que rezar
também é comer.

Quando você entra em mim,
o tempo para de contar.
Não há relógio, não há culpa, não há nome.
Há um pulso.
Um dentro do outro, um por causa do outro,
um implorando para nunca mais ser dois.

Eu te chamo baixo,
com aquela voz que já não é mais voz,
é febre.
E você responde me afundando mais em você,
não por força, por entrega.

Porque amar você assim
não é possuir,
é desaparecer.

E quando eu gozo —
ah, quando eu gozo embaixo da tua boca —
meu rosto vira altar,
meus olhos viram avesso,
e eu vejo, por um segundo que dura uma vida inteira,
minha alma saindo do corpo só pra nos espiar de cima
e dizer:

"Olha. É isso. Era isso que eu queria dizer com eternidade."




  Cléia Fialho