TOCA DA LEOA

SENSUALIDADE E EROTISMO À FLOR DA POESIA










sexta-feira, 21 de março de 2014

CORPO ESCRITO




O meu dedo desce pela tua barriga como uma caneta.
E eu escrevo o que não digo em voz alta
— traços invisíveis que só a tua pele guarda.

Tu fechas os olhos e eu leio o teu corpo
cada curva, cada arrepio, cada suspiro que tu soltas.
A minha mão desce devagar, como quem relê um poema
e cada verso teu é mais quente do que o anterior.

Eu toco-te onde a pele muda de textura
onde o calor se adensa
onde o teu corpo pede mais antes da tua boca dizer.
A minha língua segue a minha mão
e eu escrevo-te novamente — agora com a boca.

Cada beijo meu é uma vírgula que te faz pausar
cada mordida é um ponto final que recomeça.
E eu não quero terminar este poema nunca
porque tu és o texto que eu quero reler
até saber de cor
cada sílaba tua
cada pausa
cada gozo.




Cléia Fialho

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