Desço a boca pela tua manhã de pele,
rasgo o silêncio com língua de fome.
Te engulo em pedaços cálidos, urgente,
chego ao limite — sem trégua, sem desculpa.
um sorriso miúdo que queima por dentro.
Sigo, avassaladora, pelos teus mapas molhados,
cada curva uma promessa de incêndio.
Minhas costas arqueiam, resposta bestial,
mãos que prendem, dedos que descobrem ossos.
O ar corta como navalha; teu nome se rasga,
um gemido largo, sem pauta, sem freio.
Ralho a calma, sou animal que traduz desejo,
rasgo as horas até só restar pele e pulsação.
Beijos como rajadas, mordidas de vento grosso,
ruído primitivo — prazer cravado na carne.
Teu sal cola à minha língua, revela segredos,
e eu te consumo com a paciência de quem devora mundos.
Quando sucumbes, o impacto é queda e voo,
um tremor que me atravessa e me planta inteira.
Ficamos nus de silêncio, suor e raccordos respiratórios,
um rastro de fome saciado e outro recomeçando.
Fecho os olhos, ainda provando cada guerra breve,
sorrio pequeno — e já planejo o próximo incêndio.
❦
Cléia Fialho
.gif)

.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA
❦ É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
❦ COMENTE! EU SUPER AMO!
❦ FIQUE À VONTADE PARA FAZER INTERAÇÕES NAS POESIAS ❦ SERÁ UM PRAZER COLOCÁ-LA JUNTO À MINHA
❦ VOLTE SEMPRE!
AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
💋 DA 🐾