um ritual profano onde a carne esquece a gravidade.
Fricção brutal de corpos que se reconhecem no escuro,
garras afundadas no lombo, arrancando suspiros rasgados,
enquanto a realidade se desfaz
na frequência exata do nosso atrito.
Mergulho em teu centro como quem profana um templo,
sentindo a pulsação divina que explode do fundo de ti.
Não é apenas tesão, é a fusão violenta do ser:
duas chamas devorando a mesma matéria,
rasgando o véu da existência para tocar o infinito.
Devoro teus lábios com uma sede ancestral e sem pudores,
sugando tua respiração, trancando tua alma no meu peito.
Um uivo surdo ecoa no vácuo da noite
quando minha boca prende tua nuca,
fixando a marca do desejo cru e sem limites.
Transcendemos a carne sendo inteiramente carne,
desesperados, famintos, dilacerando qualquer barreira divina,
até que o universo inteiro colapse e renasça
no vórtice selvagem da nossa entrega.
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