Relâmpagos de pele liquefeita escorrem no relógio do quarto,
dobrando o espaço enquanto nossos corpos derretem a física.
Unhas vira garras de obsidiana rasgando a névoa,
Sinto tua raiz germinar dentro das minhas entranhas,
um polvo de desejo fundindo ossos e vertigens,
onde a alma se contorce e vira líquido denso,
bebido por línguas que brotam da própria escuridão.
Minha boca engole o horizonte dos teus lábios,
devorando palavras que viram labaredas na garganta.
Mordida cega na nuca, onde o tempo para e sangra êxtase,
um grito suspenso no ar que vira metal e borboleta.
Somos duas feras feitas de mercúrio e fumaça,
atropelando os sentidos, engolindo a gravidade,
numa dança visceral onde o prazer dissolve o mundo
e nos transforma em tempestade crua e infinita.
❦
Cléia Fialho
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