Em teus olhos, o céu não tem fundo,
e eu caio sem medo,
um afogamento doce,
Teu olhar acende o mundo,
depois apaga —
e o que sobra é só claridade,
a tua pele dizendo o que a boca ainda não sabe.
Tua presença me desaba e me ergue,
abrigo que não fecha portas,
calor que não queima,
sorriso que desfaz o nó que eu carregava
sem saber.
Em teus braços, eu me perco
como quem se encontra no deslimite,
cada toque é um fio de voz,
cada suspiro, uma palavra que o corpo
inventa agora.
Teus lábios são o lugar onde o tempo
hesita,
e eu descubro que o mundo
não está lá fora —
está em mim,
saindo de mim,
voltando a mim
pelo caminho dos teus dedos.
Teu olhar me veste de luz
sem me despir de mim,
chama que não cansa,
fogo que não pede licença,
só arde,
e no arder,
a gente vira canção.
❦
Cléia Fialho

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