Nos campos abertos do Sul,
o vento corre pelas coxilhas.
É um sopro antigo.
Toca a pele.
Toca a memória.
o vento corre pelas coxilhas.
É um sopro antigo.
Toca a pele.
Toca a memória.
As moças do pampa caminham calmas.
Mas há dança em cada passo.
O olhar delas guarda fogo.
Um brilho que quebra o silêncio.
O olhar delas guarda fogo.
Um brilho que quebra o silêncio.
Entre o mate e o laço na cintura,
a vida segue firme.
O corpo acompanha o sol.
E o tempo vai devagar.
O corpo acompanha o sol.
E o tempo vai devagar.
Os vestidos se movem com a brisa.
Como se conversassem com o vento.
Na sombra das figueiras,
sorrisos nascem sem aviso.
Na sombra das figueiras,
sorrisos nascem sem aviso.
Cabelos soltos.
Como potros livres.
O ar traz cheiro de terra molhada.
E perfume de pele viva.
O ar traz cheiro de terra molhada.
E perfume de pele viva.
A tarde desenha silhuetas na luz.
Tudo parece mais intenso.
São filhas do campo.
Mas também são mistério.
São filhas do campo.
Mas também são mistério.
Há paixão tranquila em seus gestos.
Uma beleza que não corre.
E quando dançam,
o chão muda de ritmo.
O vanerão vira encanto.
E o mundo apenas observa.
E quando dançam,
o chão muda de ritmo.
O vanerão vira encanto.
E o mundo apenas observa.
❦
Cléia Fialho

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