O poema é o grito dos aflitos
a dor mais anônima
Que reinventa nossa existência
O fluxo do tempo invade nossa vida
nas suas pétalas de horas
Entre sentimentos desgastados
e fantasias subjugadas.
E quando a noite derrama
seu manto de estrelas no chão
A lua acende caminhos
dentro do meu coração.
Os vaga-lumes desenham
constelações entre os galhos
Como pequenos sonhos vivos
brilhando em delicados atalhos.
Escuto o chamado do vento
nas copas em doce oração
E compreendo que a natureza
também conhece a paixão.
Há um segredo no escuro,
um encanto difícil dizer
Como se o universo inteiro
respirasse dentro do ser.
Então fecho os olhos devagar,
entre perfumes de musgo e flor
E deixo a floresta escrever
poemas de silêncio e amor.
❦
Cléia Fialho


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