Caminhei por estradas
feitas de arco-íris quebrados na minha pele
Conversei com sombras
que tinham voz própria e mãos quentes
A chuva caía em gotas
de sentimentos embaralhados sobre meu colo
E o vento me levou
para terras além da memória, com a saia levantada.
Lá, o tempo não tinha nome
nem relógios para ferir instantes,
apenas pulsares de silêncio
bordando o agora na minha nuca.
Encontrei versões minhas
espalhadas como pétalas no chão,
cada uma guardando um sonho
que eu temi viver nua.
Bebi da fonte do esquecimento
para lembrar quem sou,
e nas mãos da noite
acendi estrelas internas no meu ventre.
Voltei sem voltar,
trazendo no peito
um mapa invisível e úmido:
a certeza de que a alma
sempre sabe o caminho,
mesmo quando os pés
se perdem no mundo.
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