TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sábado, 31 de dezembro de 2022

GESTOS SUTIS



Eu canto a sensualidade, sim,
a que pulsa na terra, na água, no ar,
a que se revela no toque singelo de uma folha,
no sussurro do vento em meu rosto.

Não o clamor artificial, o grito vazio,
mas a vibração profunda, a ressonância serena.
É a pele que sente a brisa morna do fim de tarde,
o aroma da chuva sobre o asfalto seco,
o sabor adocicado de uma fruta recém-colhida.

É o olhar que se demora, que reconhece a alma
na dança inconsciente de um corpo em movimento,
na melodia que emana de uma gargalhada genuína.
É a comunhão silenciosa entre dois seres,
o mistério que se desvela em gestos sutis.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

MISTÉRIO QUE ME EMBRIAGA




Teus lábios em mim são mistério que me embriaga,
doçura que desce lenta,
e me faz perder o tempo,
me faz só pulsar.

Nossas mãos são ponte,
são mundo se abrindo,
cada gesto teu me revela,
perfume quente que se espalha em mim.

Nos perdemos em laços de ternura acesa,
luz suave dançando na nossa pele nua,
sussurros que viram sonho,
olhares que se prendem fundo.

Caminhamos na penumbra suave da noite,
onde o amor mora e nos balança,
e a cada risada abafada, a cada passo teu em mim,
eu descubro que a vida é isso,

ser tua,
toda arrepiada,
toda acesa.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

TUA METADE EM BRASA




Me puxa pra realidade do teu corpo,
não me deixa só no sonho,
me faz inteira,
tua metade acesa.

Quando tua mão me acha,
o instante vira carne,
o caminho se abre,
o amor vibra alto em mim.

Eu me rendo sem pudor,
luxúria minha, mas entregue a ti,
te percorro com sede,
me deixo ser percorrida com febre,

até perder o sentdo,
até o ápice nos chamar de nós.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

SUSSURROS NA PENUMBRA - V




O Eco do Silêncio

Quando a tempestade de sensações finalmente acalmou, o silêncio voltou a tomar conta do quarto, mas já não era o mesmo silêncio de antes. 

Era um silêncio pleno, satisfeito, impregnado de cumplicidade.

Nossos corpos continuavam entrelaçados na cama desarrumada, cobertos por uma fina camada de suor e pelo lençol que havíamos puxado de qualquer jeito. 

Minha cabeça repousava no peito dele, subindo e descendo no ritmo suave de sua respiração que aos poucos voltava ao normal. 

Os dedos dele passeavam preguiçosos pelos meus cabelos, desenhando círculos invisíveis no meu ombro.ele selou nossa testa com um beijo demorado, sussurrando contra a minha pele, num tom carregado de paz e carinho infinito:

 -  Fica assim... bem perto de mim.

 -  Sempre...  -  respondi baixinho, fechando os olhos e me aninhando no calor do seu abraço, sabendo que ali, sob aqueles lençóis e no compasso daquele sussurro, nós éramos invencíveis.

Fim




  Cléia Fialho

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

SUSSURROS NA PENUMBRA - IV




A Incandescência do Encontro

Nossos lábios finalmente se encontraram em um beijo que não tinha nada de calmo. 

Foi uma colisão suave, mas faminta. 

A língua dele buscou a minha com autoridade e ternura entrelaçadas, enquanto as mãos dele mapeavam cada centímetro das minhas costas, puxando-me contra ele até que não houvesse mais espaço para o ar entre nós.

A respiração tornou-se um concerto de sussurros e arfadas baixas. 

Cada movimento sob os lençóis desordenados era pensado para prolongar o prazer, transformando a urgência do tesão numa sinfonia de sensações extremas. 

O toque de suas mãos grossas contrasteava com a maciez da minha pele, e a cada investida sutil, o mundo lá fora se dissolvia ainda mais.

 -  Meu amor...  -  ele soprou contra a minha boca, as palavras quase se perdendo no ritmo acelerado das nossas respirações.  -  

Você é o meu único vício.

 -  E você é o meu...  -  respondi, envolvendo suas costas com minhas pernas, puxando-o para o ponto exato onde a eletricidade nos consumia por completo.

A barreira entre o controle e o abandono se rompeu. 

O desejo, que antes era uma chama contida prestes a explodir, transformou-se em um fluxo contínuo de entrega. 

A sensação de estar completamente preenchida por ele, de sentir cada espasmo de prazer refletido no corpo dele, levou-nos a um ápice onde o tempo simplesmente parou.

Continua...




  Cléia Fialho

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

domingo, 25 de dezembro de 2022

SUSSURROS NA PENUMBRA - II




O Tom da Pele

 -  Você não tem ideia do que faz comigo...  -  ele murmurou.

A voz dele veio como um sopro rascante contra a curva do meu pescoço. 
Não era uma voz normal; era um sussurro grave, vindo do fundo do peito, carregado de uma intimidade tão crua que fez um arrepio violento percorrer minha espinha, da nuca até a ponta dos pés.

 -  Tenho sim...  -  respondi na mesma intensidade, num fio de voz que mal ultrapassava a distância entre os nossos lábios.  -  
Porque eu sinto exatamente a mesma coisa.

O conflito não era uma dúvida sobre o que sentíamos, mas sim a urgência avassaladora de um desejo que nos consumia vivos. 
Para aquele tesão denso, acumulado, que torna qualquer espaço pequeno demais e qualquer espera uma tortura deliciosa. 

Queríamos tudo e quer tínhamos agora, mas havia uma arte sutil na lentidão deliberada com que nos tocávamos. 

A ponta dos dedos dele começou a traçar um caminho lento pela minha costela. 

Cada toque deixava um rastro de fogo. 

Eu sentia meu coração bater forte contra o peito dele quando ele se aproximou mais, colando nossos corpos sob o lençol. 

O calor da pele dele contra a minha era quase sufocante de tão bom. 

 -  Sinta como meu coração está acelerado...  -  sussurrou ele, guiando minha mão até o lado esquerdo do seu tórax. 

O pulso dele marcava um ritmo frenético, um descompasso perfeito que ecoava o meu próprio ritmo.  -  
É tudo seu. Sempre foi.

Continua...




  Cléia Fialho

sábado, 24 de dezembro de 2022

SUSSURROS NA PENUMBRA - I




A Geometria do Nosso Refúgio

O mundo lá fora havia se reduzido a nada. 

Do outro lado da janela fechada, a noite soprava uma brisa fria e silenciosa, mas aqui, no centro do nosso universo particular, a atmosfera era feita exclusivamente de calor, linho amarrotado e respirações entrecortadas. 

A cama era nosso território sagrado. 

Um colchão largo, coberto por lençóis de algodão macio que já guardavam o perfume misturado das nossas peles. 

A iluminação vinha apenas da réstia de luz que vazava da fresta da porta do banheiro, desenhando contornos dourados e sombras suaves sobre as curvas do corpo dele e a curvatura do meu quadril.

Ele sempre foi a minha calma e o meu incêndio.

Havia nele uma força contida, um olhar denso de quem lê meus pensamentos antes mesmo de eu formular qualquer palavra. 

E eu, por outro lado, sempre fui a tempestade que o desarmava, a entrega sem reservas. 

Tínhamos aquela intimidade rara em que o silêncio nunca era incômodo, mas sim um preâmbulo. 

Naquela noite, porém, não era o silêncio habitual que preenchia o quarto; era uma tensão palpável, elétrica, um magnetismo inevitável que nos puxava um para o outro com a força de uma maré.


Ele estava deitado ao meu lado, apoiado em um dos cotovelos, com os olhos escuros fixos nos meus. 

Uma das suas mãos repousava na minha cintura, os dedos longos se cravando suavemente na minha pele quente, como se quisesse ter certeza de que eu era real.

Continua...




  Cléia Fialho

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

ENTREGO-ME QUANDO DESABO EM VOCÊ




Colamos pele com pele,
lacramos a boca com fome,
e a alma, com gemidos abafados.

Teu sussurro me invade,
é música molhada no meu ouvido,
doce, rouca, me chamando.

Me traga!
Me puxa pra dentro!

Quando eu desabar em você,
me faça sua,
me possua inteira.
Você chão, eu tempestade,
o paraíso depravado que você sonha,
a trilha úmida e proibida do teu tesão.

E eu caio...
lenta, mole, sem defesa,
levada pelo vento que contorna teu corpo,
sou a brisa que te arrepia,
a névoa que embaça teus olhos...

Mas não me engane,
não sou fria.
Eu queimo.
Sou o fogo que você implora pra te devorar.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

ESCULPO TEU CORPO




Na trama quente da tua pele nua,  
brotam gritos mudos,  
— frutos das sementes que meus lábios enterram,  
nos vales abertos do teu querer,  
que minha língua ara e rasga!  

Esculpo teu corpo  
no deslize bruto das minhas palmas!  

Arfante,  
tua carne suplica,  
rendida,  
sem juízo nem freio,  
que eu a tome!  

Arranco-te num sopro  
e fico ali, amarrado,  
nó de vício, laço de fogo.  

Moldo teu osso  
com o meu osso,  
cebo esta fome,  
de te cobrir comigo —  

nem que seja pura chama,  
pura posse,  
delírio sem nome!  

E no fim,  
à sombra de um beijo que devora,  
colho teus ofegos,  
e fico, mãos cheias de ti,  
dedos tatuados no teu suor!  

Moldo-te,  
vertigem insana,  
que me veste o olhar inteiro!




  Cléia Fialho

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

TU — RIO QUE EM MIM TE PERDES




Torrente que em mim te partes,  
rio bruto, veia aberta, despenhada, sem peias —  
tuas bordas me beijam, me cercam,  
me enchem de não ter fim.  

... Tu, rio que corres sem sossego, com fome,  
rio que afogas meu peito de sonhos e espumas.  
Tu, rio que em mim te quebras, que sou mar,  
que te espero com a gula de um deus sem juízo.  

Mar que traz na língua o gosto mel.  
Tu és Doce, Eu sou Sal.  
Mistura-nos, embriaga-nos, e juntos  
rompemos abismos, rasgamos recifes,  
engolimos ventos.  

Tu, rio que em mim te perdes,  
não és mais que água — és fera.  
Vem, que aqui te aguardo, bravio e salgado,  
doce e louco, vem — traz nos teus flancos  
vagas de unhas e dentes.  

Desaba em mim.  
Afoga-te.  
Fica.




  Cléia Fialho

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

SOMBRAS DE DESEJOS




Em sombras de desejos,
palavras obscenas,
no sussurro noturno,
revelam-se cenas.
Entre lençóis de seda,
peles que ardem,
o corpo responde ao que
as palavras aguardem.

Bocas se aproximam
sem pressa de chegar,
há promessas no ar
que aprendem a queimar.
O toque escreve versos
na margem da razão,
e cada arrepio é sílaba
latejando tentação.

O tempo se desfaz
no calor que nos prende,
gemidos são poemas
que a pele entende.
E no silêncio depois,
ainda em brasa e fervor,
fica o eco do desejo
recitando o amor.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

NOSSO AMOR É UMA POESIA



Seu sorriso é minha inspiração
Seus olhos me fazem sonhar
Com você, tenho a sensação.

Que posso tudo conquistar
Nosso amor é uma poesia
Que nunca deixará de rimar.

Juntos compomos a melodia

Que jamais poderá se apagar.




  Cléia Fialho

domingo, 18 de dezembro de 2022

COMO UM JARDIM




Nosso amor é como um jardim
Que floresce a cada novo dia
Todo beijo, toque, abraço enfim.

Traz à minha vida mais alegria
Com você, tudo é mais bonito
As cores ficam mais vibrantes.

O amor que nós temos é infinito

Os corações são eternos amantes.




  Cléia Fialho