Faz-me frouxa nos joelhos
esta tua ausência que me despe,
faz-me abrir as mãos sem defesa
no meio do dia mais banal.
Mas continuo em pé pelo tesão antigo,
pelo fogo que arde em mim mesmo sem lenha,
pela memória obscena das tuas mãos
a subirem por baixo do meu vestido escuro.
Ser tua dói-me na alma com prazer —
é lâmina que abre e mel que fecha,
é açoite que arde e beijo que embala,
é súplica calada e grito rasgado.
Frágil.
Firme.
Faminta.
Levanta-se em mim este querer selvagem,
esta cadela solta a rondar-me por dentro,
esta fêmea rouca que aúlla o teu vulto.
Da paixão que me rasga o peito com dentes,
do amor bestial que me devora inteira,
sinto do teu corpo este desejo antigo,
esta sede visceral que só a tua carne aplaca.
A tua ausência é deserto salgado nas minhas coxas,
areia rasgando o vale onde o meu ventre acorda,
enquanto o oásis molhado dos teus braços
é a única água que me mata a secura.
E ergue-se em mim um sorriso obsceno,
e ergue-se em mim este apetite absoluto,
esta vontade louca de te ter dentro,
fundo,
já,
sem tréguas nem pudor nenhum.
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Un bello poema.
ResponderExcluirSaludos.
Abraça o teu sonho ao meu! Dentro do sonho, damos as mãos na cumplicidade de um beijo
ResponderExcluirque se despadaça no desejo ardente dos nossos lábios. Desvendamos o sublime êxtase,
levados pelo prazer onde o tempo não existe... e tudo acontece!
Beijos!
Profundo y melancólico poema. Te mando un beso.
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