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É bom te encontrar de novo.
Você parece mais leve,
mais bonito, mais tranquilo...
há outra luz no teu olhar
e eu sinto meu corpo todo lembrar.
Ainda falo de amores,
ainda penso em você — calada,
com a pele arrepiada.
Às vezes, sem perceber,
meus dedos procuram teu antigo contato,
procuram teu cheiro no meu pescoço.
Por fora, muita coisa mudou.
O tempo redesenhou meus traços,
me levou por outras estradas,
me ensinou outros toques...
mas aqui dentro continuo igual,
com a mesma sede de você.
Certas emoções não partem.
Certas marcas não desaparecem,
ficam na boca, no ventre, na memória da pele.
Teu amor ainda mora
nos espaços que sobraram em mim,
nos lugares que só você soube tocar.
Desde aquele dia, te espero.
Desde aquela despedida amarga,
espero com o corpo em vigília.
Eu sei —
a distância entre nós
nasceu das minhas próprias falhas.
E esse medo de sentir outra vez
também carrego sozinha,
na ponta dos seios, na ponta dos dedos.
Talvez eu devesse silenciar tudo isso...
mas ainda quero teu perdão,
quero tua boca de novo perto da minha.
Queria te rever um dia
e apenas sorrir sem peso no peito,
e sem roupa na alma.
Só que a vida muda tudo.
Nos quebra aos poucos.
Sonhamos grande demais...
e, às vezes, naufragamos no mínimo,
no quase,
no teu gosto que nunca esqueci.