TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quinta-feira, 8 de outubro de 2015

NOS LAÇOS DO AMOR



No silêncio da noite que se avizinha,  
Um desejo suave percorre a pele,  
Como brisa que ao luar se revele,  
Sussurros de paixão que a alma adivinha.  

Teus olhos, estrelas em minha linha,  
Encantam-me com um brilho que repele  
Toda a escuridão que em volta se vele,  
E em teu abraço, meu corpo se aninha.  

Nos lábios teus, encontro o doce mel,  
A ânsia do beijo que nunca se solta,  
Sabor de sonhos, promessa fiel.  

E na dança dos corpos, a volta  
Do tempo desaparece, e ao bel-prazer,  
Nos laços do amor, a vida se exalta.  




  Cléia Fialho

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

domingo, 4 de outubro de 2015

SE MINHA BOCA SE APROXIMASSE DA TUA — [ VERSÃO — IV ]



Se em segredo, minha mão encontrasse a tua,  
teu corpo inteiro perceberia antes da mente.  
Haveria um calor lento se espalhando pela pele,  
um desejo manso, quase urgente,  
fazendo a respiração mudar de ritmo.  

Meu toque chegaria como convite,  
deslizando devagar, com intimidade,  
como quem conhece o caminho  
até os lugares onde o corpo guarda silêncio.  
E teu peito aprenderia a linguagem do meu gesto,  
cedendo à maciez desse instante.  

Se minha boca se aproximasse da tua,  
o ar ficaria mais quente, mais denso, mais vivo.  
Um beijo roubado acenderia o que estava adormecido,  
e tudo ao redor perderia importância.  
Restariam apenas a tensão, a entrega  
e esse desejo bonito que cresce sem pressa,  
tomando espaço entre nós.  

No contato, nasceriam tremores discretos,  
na espera, uma fome delicada,  
e no encontro dos corpos,  
a promessa de um êxtase contido  
que se prolonga justamente 
por não se revelar por inteiro.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ECO DAS PALAVRAS QUE NÃO VOLTARAM



O sol se esconde na curva da tarde
e deixa um rastro de luz fria sobre a mesa
onde guardo apenas o silêncio que você deixou.

Olho para a cadeira vazia no canto da sala
buscando o eco das palavras que não voltaram
sentindo o peso da ausência que molda o espaço.

A memória insiste em redesenhar seu rosto
nos traços das sombras que a noite desenha
transformando a falta em uma companhia mansa.

Não busco alívio para esta estranha marca
apenas aceito que o tempo é um rio lento
que carrega a saudade como quem leva um barco.




  Cléia Fialho

sábado, 26 de setembro de 2015

FOME DE TI



Não é amor — é fome.
Fome antiga, animal,
que me sobe pelas coxas
quando escuto teu nome.

Quero-te assim: sem pressa,
sem promessa, sem porquê —
quero a curva da tua nuca
mordida contra a parede,
quero o gemido rouco
que só eu sei arrancar,
quero a tua sede na minha,
água em água a se derramar.

Despe-me devagar,
como quem lê um segredo,
letra por letra, botão
por botão, medo por medo.
Deixa a luz acesa —
quero ver o teu rosto
no exato instante
em que o corpo te trai
e te entregas, inteiro,
ao que a boca calou.

Depois, quando o silêncio
descer sobre nós dois
como um lençol molhado,
não digas nada. — Fica.
Fica com a mão pousada
onde o desejo ainda pulsa,
onde a pele lembra
que foi tua — e será,
todas as vezes
em que a noite pedir.




  Cléia Fialho