TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





domingo, 17 de janeiro de 2016

TUA BOCA TRAÇA MAPAS




O desejo desce denso, ocupando os espaços,
anunciado pelo calor brutal do teu olhar.
Quando finalmente nossos corpos se chocam,
o tempo perde a pressa e se dissolve

sábado, 16 de janeiro de 2016

DELICIOSA FRUTA




Deliciosa fruta, é convite.
Tua carne cede ao toque,
um rubi que se oferece,
exalando o perfume de uma vontade antiga.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

UMA ELETRECIDADE QUE ARREPIA




O corpo se curva,
um arco que busca a própria flecha,
uma rendição que não é derrota,
mas o ponto mais alto
de uma entrega sem reservas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

ENTRE A MINHA BOCA E A TUA



A saliva é a primeira ponte,
um fio transparente de desejo que não se rompe,
traçando o mapa entre a minha boca e a tua
numa cartografia de urgência e sede.

Cada gota é um convite,
uma trilha que a língua desenha sem pressa,
unindo nossas rotas num só caminho
onde a pele deixa de ser limite para ser destino.

Não há distância que resista a esse percurso,
são carícias que se encadeiam
como se o mundo dependesse apenas desse toque,
desse encontro úmido que nos ancora
em um porto que construímos no calor do agora.

Nesta troca constante, sou fonte, sou rio, sou sede,
saboreando o mistério que habita o teu lábio
e que me devolves, em um ciclo que não se esgota.
Não é apenas beijo; é o ardor que nos guia,
o combustível que mantém a chama acesa,
consumindo o tempo,
madrugada adentro,
enquanto nos devoramos.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

CADA GOLE DESSE NÉCTAR



O tempo aqui não passa; 
— ele fermenta —
Temos paciência de alquimistas
preparando o vinho raro
que só a nossa pele conhece,
um fermento de desejo que apura o paladar
até que a boca não saiba mais
onde termina o sabor do outro.

Não beijo apenas teus lábios; eu os degusto,
buscando as notas ocultas,
a doçura que se mistura à volúpia,
numa dança onde o gosto vira vertigem.
Cada gole desse néctar me deixa mais faminto,
um banquete servido na penumbra
onde a única regra é a nossa fome insaciável.

Nossos corpos são o cálice e o vinho,
numa embriaguez que não busca o fim,
mas a repetição incessante do próximo gole.
A chama aqui é combustível e fogo,
um deleite que arde e alimenta,
deixando no ar o rastro de algo que é,
simultaneamente,
o nosso vício mais doce
e a nossa marca mais profunda.




  Cléia Fialho