sexta-feira, 28 de agosto de 2026
A NOITE E O CORPO
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
ECOS NA PAREDE
Nas paredes ecoam memórias sonhadas
como perfumes que pairam ao amanhecer —
mas não é flor que exalo agora,
é o rastro denso do teu pescoço
aindo impregnado nos lençóis,
o odor de nós dois
misturado ao suor da madrugada.
Teu sorriso é poema em linhas traçadas,
e eu leio cada curva com a língua,
desvendando versos não escritos
no mapa ascendente do teu peito
até o abismo que pulsa entre as tuas coxas,
onde a língua mergulha
e a respiração falha.
O meu coração pulsa, procura entender —
mas entender é coisa da mente,
e o corpo já sabe:
o que pulsa aqui além da vida,
é vontade de ser preenchida,
de ser rasgada em suaves camadas,
de sentir tua língua fazer liturgia
onde ninguém mais tocou.
As paredes não esquecem.
Elas guardam o som
do teu nome arrancado da garganta,
do embate da carne,
do gemido que racha o ar
como vidro sob a língua,
o estalo da pele contra pele,
o umedecido da chegada.
Amanhecer?
Deixa que o sol espere.
Aqui dentro só existe noite,
e o perfume que nos invade
é de pele contra pele,
de dedo que insiste,
desliza — penetra,
de boca que não pede,
que toma — que devora.
Memórias sonhadas?
Não, amor.
Isto é corpo acordado,
ardendo em cada esquina,
molhado — aberto,
implorando mais,
e mais — e mais.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
DESNUDA MINHA ALMA
Desnuda minha alma com cada beijo,
Não a deixes angustiada, sem desejo,
Percorre suas partes, dispersas no ar,
Com ternura e calma, vem me encontrar.
Desnuda minha alma, inquieta e errante,
Bordeando a espuma da onda, vibrante,
Adormecida docemente em teu aroma,
Que traz paz ao ser, que em ti se toma.
Desnuda minha alma com teu olhar,
Embalsama meu ser, faz meu coração amar,
Rega com teu suor, caloroso e lindo,
E em cada gota, sinto o amor fluindo.
Desnuda minha alma ao chegar a primavera,
Detém o inverno, a luz tão sincera,
Enquanto o outono cobre campos de ouro,
Deixa a estação brotar, em doce aporo.
Desnuda minha alma, deixa voar as borboletas,
Em liberdade, em silêncio, sem regras obsoletas,
Simplesmente, sem medo, sem medidas,
Deixemos fluir nossas vidas unidas.
Desnuda minha alma, nada tens a temer,
Distanciando a dor, sem nada a perder,
E a noite avança, total entrega ao amor,
Alma que anseia, tocar o céu com fervor.
Desnuda minha alma, nela estás a brilhar,
Criando furacões, vendavais no ar;
Para de sangrar, se ainda assim deliras,
Pois a maré muda, e o amor se admira.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
PLUMAS DO SENTIMENTO
Doce chama que acende a alma inteira
Vem do peito que guarda o absinto
Onde o desejo em ritmos de aquarela
Desenha o mapa do que logo sinto.
Um verso brilha em busca da beleza
Mistura o beijo a plumas do sentimento
Vou navegando em águas de pureza
Levado pelo sopro do pensamento.
Deixo que a mão percorra a linha clara
Onde a luxúria repousa seu encanto
A paixão que a mente assim declara
É canto puro que dispensa o pranto.
A alma busca o néctar na ternura
Escrito em letras de uma luz singela
Toda essa rima vive na aventura
De ver no mundo a vida mais bela.
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
DESEJOS DESENHADOS NA PELE
Na brisa suave onde dançam os corpos
a luz do entardecer desenha sussurros,
pétalas de línguas encontram-se,
o toque é um poema escrito ao acaso,
versos secretos que ardem em chamas.
Olhos que falam em mudo delírio,
a carne respira em sinfonia viva,
mãos que deslizam como sombras,
trilhos de desejos desenhados na pele,
o coração em uníssono, pulsante.
Cores vermelhas sob a luz da lua,
onde o amor se veste de alquimia,
cada gesto uma nota, cada suspiro,
um compasso de rimas ocultas,
enquanto a noite se abre em flor.
O tempo é um poeta que arrisca,
escreve as histórias de nós dois,
o primeiro encontro, o calor subindo,
a espera que se dissolve em passos,
na promessa eterna dos amantes.
Assim, na penumbra dos nossos sonhos,
na fragância da pele que se entrelaça,
a poesia em nós flui e resplandece,
celebrando a beleza do instante,
um canto de amor que nunca se acaba.
domingo, 23 de agosto de 2026
TRAÇOS DA ANATOMIA
O galã veste o tom de um puro zelo
Onde o desejo em versos se derrama
Na chama que consome o cinzelo
E na brandura desta doce flama.
Busco a luz do olhar que me consome
Pintando o fogo em traços da anatomia
Sinto no peito o eco desse nome
Que acorda em mim a insana euforia.
Beijo o papel com ânsia de quem ama
Sentindo a vida em rimas de veludo
Tudo se entrega ao brilho desta chama
Fazendo o silêncio ficar mais mudo.
São gestos de alma em plena liberdade
Colorindo o tempo em tons de quentura
Na busca enfim de eterna sagacidade
Que faz da escrita a mais fiel ventura.
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