A noite se dissolve em pele quente,
onde o ar pesa de tanto ser respirado,
e cada suspiro é um grito calado
que ecoa no silêncio do quarto.
O suor desliza como mel dourado,
escorrendo pela curva do ombro,
marcando o mapa do nosso encontro
numa geografia de toques tardios.
Não há pressa, só a urgência lenta
de quem sabe que o tempo é curto,
que a fome é antiga e o corpo é novo,
e o desejo é um fogo que não apaga.
Os dedos traçam fronteiras invisíveis,
buscando a chaga que sangra prazer,
enquanto o mundo lá fora desaparece
e só existe o cheiro da nossa pele.
É a dança suada, o abraço febril,
onde a alma se desnuda inteira,
e o tesão, essa besta adormecida,
acorda rugindo em cada veia.
Deixemos que a noite nos consuma,
que o suor seja a nossa língua,
o desejo, o único altar sagrado,
e o corpo, a única verdade.