Meus lábios lentos,
desenham em ti um mapa
que só a minha língua sabe ler.
Provo-te devagar,
demoro-me na curva do teu peito,
desço em espiral pelo teu ventre,
prendo-me no vale morno
onde a tua respiração se acelera.
Cada beijo é um alfinete
que crava o desejo mais fundo,
cada mordida é um sussurro
que a tua pele responde
com um arrepio inteiro.
Percorro-te sem pressa,
saboreando o sal
que teu corpo derrama,
o gosto salgado e obsceno
de quem se rende antes de pedir.
A minha boca é fome antiga,
mel espesso, seda em brasa,
e tu — cordilheira despida —
tremes por dentro
antes mesmo que eu chegue
ao teu centro faminto.
E quando enfim me demoro
no lugar onde a tua sede mora,
gemes rouco, cavalgas o instante,
e eu bebo-te inteiro
como quem descobre
o único oásis
que sabe matar a minha sede.
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