TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sábado, 16 de janeiro de 2016

DELICIOSA FRUTA



Deliciosa fruta, é convite.
Tua carne cede ao toque,
um rubi que se oferece,
exalando o perfume de uma vontade antiga.

Vejo em ti a geometria da transgressão,
a curva perfeita que implora
pela impaciência dos meus dentes.
Há um brilho no teu âmago,
um segredo suculento que escorre e mancha,
que não pede permissão para ser devorado.

Cada mordida é um mergulho,
uma exploração que ignora as fronteiras da pele
e mergulha direto no centro do que somos.
Não há nada aqui que seja apenas alimento;
é tudo sede, é tudo entrega,
um néctar que se espalha e me embriaga.

Fica a marca do teu rastro em mim,
como a lembrança de
um encontro que não se apaga,
deixando-me faminto,
ainda mais sedento,
deste gosto que se eterniza na memória
e insiste em pedir bis.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

UMA ELETRECIDADE QUE ARREPIA



O corpo se curva,
um arco que busca a própria flecha,
uma rendição que não é derrota,
mas o ponto mais alto
de uma entrega sem reservas.

Nessa coreografia que inventamos pelo tato,
a pele não apenas sente: ela traduz.
Não somos mais indivíduos,
somos o movimento, o atrito,
o desenrolar das serpentes
que se entrelaçam no escuro,
ignorando qualquer lei que não seja a nossa.

Cada fibra vibra em uma frequência
que só nós compreendemos,
uma eletricidade que arrepia
e reconstrói o que somos.
O tempo, esse cronômetro
que insiste em medir o mundo,
aqui se perde, se emaranha,
torna-se inútil diante
do absoluto que nos habita.

E no fim deste enlace,
quando o fôlego é um sussurro 
que preenche o quarto,
fica a marca de algo que 
não se dissolve com a luz:
o instante em que o amor 
deixou de ser palavra
para se tornar a nossa única, 
inegável e eterna morada.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

ENTRE A MINHA BOCA E A TUA



A saliva é a primeira ponte,
um fio transparente de desejo que não se rompe,
traçando o mapa entre a minha boca e a tua
numa cartografia de urgência e sede.

Cada gota é um convite,
uma trilha que a língua desenha sem pressa,
unindo nossas rotas num só caminho
onde a pele deixa de ser limite para ser destino.

Não há distância que resista a esse percurso,
são carícias que se encadeiam
como se o mundo dependesse apenas desse toque,
desse encontro úmido que nos ancora
em um porto que construímos no calor do agora.

Nesta troca constante, sou fonte, sou rio, sou sede,
saboreando o mistério que habita o teu lábio
e que me devolves, em um ciclo que não se esgota.
Não é apenas beijo; é o ardor que nos guia,
o combustível que mantém a chama acesa,
consumindo o tempo,
madrugada adentro,
enquanto nos devoramos.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

CADA GOLE DESSE NÉCTAR



O tempo aqui não passa; 
— ele fermenta —
Temos paciência de alquimistas
preparando o vinho raro
que só a nossa pele conhece,
um fermento de desejo que apura o paladar
até que a boca não saiba mais
onde termina o sabor do outro.

Não beijo apenas teus lábios; eu os degusto,
buscando as notas ocultas,
a doçura que se mistura à volúpia,
numa dança onde o gosto vira vertigem.
Cada gole desse néctar me deixa mais faminto,
um banquete servido na penumbra
onde a única regra é a nossa fome insaciável.

Nossos corpos são o cálice e o vinho,
numa embriaguez que não busca o fim,
mas a repetição incessante do próximo gole.
A chama aqui é combustível e fogo,
um deleite que arde e alimenta,
deixando no ar o rastro de algo que é,
simultaneamente,
o nosso vício mais doce
e a nossa marca mais profunda.




  Cléia Fialho

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

SINTO CADA MILÍMETRO



Sob o brilho da lua, que observa indiferente,
a pele descobre o seu próprio mapa.
Um toque — sutil, quase um sussurro —
desperta o mistério que habita o teu corpo
e inaugura a nossa dança.

O desejo não pede licença; ele escorre.
Gota a gota, a essência se revela,
uma umidade que é linguagem,
enquanto o coração dita o ritmo
no pulsar descompassado da intimidade.

— Sinto cada milímetro do que você é.
Sou o território que você explora
— sem mapas.

Em pleno éter da nossa entrega,
o mundo lá fora se torna silêncio.
Despidos de qualquer armadura,
nossos corpos se entrelaçam —
transformando a carne em nota,
o movimento em melodia,
e o nosso ato, finalmente, em uma canção
que só nós sabemos entoar.




  Cléia Fialho

domingo, 10 de janeiro de 2016

EM RITMO VIBRANTE



Repouso o rosto em teu peito, porto e calma,
Onde o desejo em ondas se desenrola,
O calor do teu corpo, o afeto se consola,
O pulso lento enfim beija a minha alma.

Traço com a boca a curva que se exala,
Nesta geografia de fogo que me impele,
Onde o carinho na palma da tua pele,
Dita o compasso que o prazer escala.

Desse calor que emana, nasce o abrigo,
Um universo inteiro em cada instante,
Onde o amor é o dom que trago comigo.

Corpos em brasa, em ritmo vibrante,
No eterno verso que escrevo contigo,
Somos a imensidão, puro diamante.




  Cléia Fialho

sábado, 9 de janeiro de 2016

ROÇO-ME EM TI



Roço-me em ti para sentir teu vigor,
Desperto o fogo que em teu peito acende,
O toque, em brasa, a alma logo rende,
Nesse compasso insano de esplendor.

É uma dança em que o corpo é tradutor,
De um desejo que o limite não compreende,
Na pele, o rastro do prazer se estende,
Numa entrega que não pede mais favor.

Sinto pulsar teu centro, o meu abrigo,
No emaranhado de sentidos nus,
Perdidos nesse rito, em puro vício.

Somos um só no rastro dessa luz,
Roço-me em ti, te guardo como antigo,
Nesse laço de amor que nos conduz.




  Cléia Fialho