TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 24 de janeiro de 2016

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

UMA CHAMA QUE NOS CONSOME


O teu sorriso é o mapa que eu sigo,
onde meus olhos se perdem
para encontrar, no brilho da tua íris,
o lugar onde o divino se faz carne.

Nos teus braços, o mundo se desfaz;
entro no teu corpo como
quem descobre um lar
que nunca soube que possuía.
A pele cria seu próprio alfabeto,
uma linguagem de arrepios e urgências
que só o toque conhece e o silêncio traduz.

Teu peito pressiona o meu
em um choque de universos que se fundem.
Sinto o calor deslizar — uma brisa lenta,
uma pulsação que invade
o que há de mais fundo,
transformando a serenidade
em uma chama que nos consome.

Não há relógio, não há margens,
apenas esta entrega que se expande
até não restar onde
começa você e onde termino eu.
Nesse instante de fogo breve,
eu me eternizo no teu querer,
ancorada no centro do teu prazer.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ESCRITA DE DESEJO SOBRE O LENÇOL



A ponta dos dedos mapeia cada centímetro,
um traçado que busca pulsação.
Sinto o calor que emana da tua pele
e o mundo, lá fora,
perde a importância e o prumo.

Teu corpo é um texto
que desvendo à luz da penumbra,
escrita de desejo sobre o lençol desarrumado.
Não há pressa na leitura desta geografia,
apenas a entrega da minha sede à tua fonte,
o deslizar lento que transforma silêncio em ritmo.

O ar entre nós torna-se denso, quase sólido,
enquanto teus gestos me puxam para essa vertigem
onde o tempo esquece de girar.
Cada toque é uma palavra que não se diz,
mas que se sente, clara, na curva do quadril,
na marca que fica, na chama que nos habita.

Sou o leitor atento da tua nudez,
deixando-me naufragar nesta arte que criamos,
onde amar-te é o único idioma que me resta,
e a tua entrega, a resposta que me completa.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

ME DEIXO LEVAR



O cheiro da tua pele me envolve,
Cada beijo, cada suspiro resolve,
Teu corpo e o meu, uma dança que dissolve.

No teu abraço, encontro meu refúgio,
Acaricias meu ser, em suave, doce júbilo.
A cada suspiro teu,
— Me deixo levar —

Pela corrente mansa desse encanto sutil,
onde o tempo se rende num toque febril.

E me perco em ti sem querer me encontrar,
feito onda que insiste em sempre voltar,
no vai e vem desse doce mistério,
teu corpo é abrigo, é desejo etéreo.

Teu cheiro me guia, me chama, me prende,
num laço invisível que tudo transcende,
e nesse instante que a vida silencia,
sou tua poesia… em pura sintonia.




  Cléia Fialho

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

ENTRE OLHARES PROFUNDOS



No calor 
do toque, corpos se entrelaçam,
Em sussurros 
ardentes, desejos se abraçam.
Pele a pele, 
a paixão se incendeia,
Nossos sentidos 
em êxtase, a noite clareia.
Curvas 
reveladas à luz da lua nua,
Em cada 
suspiro, a entrega se continua.

No ritmo
das mãos, o desejo se anuncia,
Entre olhares
profundos, nasce a fantasia.
Teus lábios
guardam segredos de calor,
Enquanto a noite
nos envolve em doce ardor.

Na penumbra
dos sonhos e da emoção,
Cada carícia
desperta o coração.
E no silêncio
que depois vem repousar,
Fica em nós
a chama viva de amar.




  Cléia Fialho

domingo, 17 de janeiro de 2016

TUA BOCA TRAÇA MAPAS



O desejo desce denso, ocupando os espaços,
anunciado pelo calor brutal do teu olhar.
Quando finalmente nossos corpos se chocam,
o tempo perde a pressa e se dissolve
na tensão do ar que respiramos.

A umidade da tua boca traça mapas impossíveis
sobre a minha pele que não para de tremer.
O quarto é preenchido pela linguagem do instinto,
um alfabeto de gemidos curtos e respiração pesada,
enquanto os lençóis se amassam
sob o peso do nosso caos.

Neste emaranhado de pernas, mãos e suor,
o atrito dita o ritmo da nossa gravidade.
Orbitamos o limite da lucidez,
cegos para tudo que existe além desta cama,
suspensos no próprio êxtase.

Que essa urgência não encontre fim tão cedo.
Nessa embriaguez úmida e sem defesas,
eu abandono qualquer amarra
que me prenda ao chão,
ofereço a minha carne
e apenas deixo que me devores por inteira.




  Cléia Fialho