TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 20 de março de 2016

ESSE FRUTO É UM SEGREDO



Nos lábios, o doce encanto,
maturado em tentação...
Um néctar denso e vibrante,
feito pura sedução.

Cada gota escorre lenta,
deslizando sem pudor,
e na ânsia de um suspiro,
desperta o mais puro ardor.

Proibida? Talvez seja...
mas quem pode resistir?
Se ao provar desse mistério,
só se quer voltar a sentir.

Embriaga, entorpece,
leva a mente a delirar...
Esse fruto é um segredo
que só se aprende ao provar.




  Cléia Fialho

sábado, 19 de março de 2016

É A PROMESSA DO AMOR



Nos olhos, o universo se desvela,
onde o tempo repousa e a paixão se acende.
É lá que moram os rios, as montanhas,
e o fogo que aos poucos se acende e se rende.

Nos teus olhos, os ventos dançam em segredo,
nuvens a espreitar os mistérios do ser.
E quando o beijo, tímido, se ergue,
o mar é só reflexo do que a alma quer.

A boca, um jardim de desejos secretos,
onde as gaivotas se afastam, em paz.
É no sabor do silêncio e do prazer
que o amor se faz eterno, que o céu se refaz.

Assim, no toque que é fuga e é chama,
nos lábios, a sede se torna o coração.
E cada beijo, feito de mar e de estrela,
é a promessa do amor, a única razão.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 18 de março de 2016

ENTRE O SER E O NADA



Como sombra que se estende no silêncio,
sou a aurora que se embriaga nas tuas mãos.
Escrevo as palavras com o fogo das estrelas,
desenhando no ar contornos dos teus sonhos.

Teus gestos são vento que desliza na pele,
 sutileza que chama o cosmos ao encontro.
Na linha tênue entre o ser e o nada,
teu desejo floresce como rastro de fogo.

Sou a labareda que se esconde na noite,
uma mariposa sem medo da chama.
No eco do teu olhar, a poesia renasce,
o poema arde, imortal, nos nossos corações.

A madrugada dissolve os limites do tempo,
nossos espíritos caminham por jardins invisíveis,
Onde constelações repousam entre os dedos
e o infinito respira dentro de cada beijo.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 17 de março de 2016

quarta-feira, 16 de março de 2016

UM LUME SECRETO



Uma palavra ecoa  
no tempo sem fim,  
como um lume secreto,  
um sopro, um clarim.  

Escrita nos astros,  
na areia do mar,  
tatuada em minha alma,  
pronta a brilhar.  

Em véus de silêncio,  
se tece o mistério,  
num rastro invisível,  
em meu caderno etéreo.  




  Cléia Fialho

terça-feira, 15 de março de 2016

TEMPLO DE ANTIGAS LUAS


Há universos inteiros no rumor da tua voz,
marés celestes que atravessam minha alma
como rios de luz atravessando o vazio,
silenciosos, eternos, sagrados.

Teu corpo é templo de luas antigas,
cada toque desperta um cometa adormecido.
Somos partículas de um mesmo mistério,
duas centelhas dançando além da matéria.

No alto das dimensões sem nome,
anjos recolhem fragmentos do nosso desejo
e transformam em estrelas vivas
os suspiros que deixamos no vento.

Já não sei onde termina o céu
ou onde começa tua essência em mim.
Tudo se mistura em vertigem e encanto,
como se amar fosse atravessar portais.

E assim permanecemos —
almas suspensas sobre o abismo do universo,
bebendo a luz secreta das galáxias,
enquanto escrevemos silêncio em nossa pele.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 14 de março de 2016

E SE EU DISSESSE BASTA...



E se eu partisse de mim?

E se um dia eu recolhesse os versos,
guardando cada palavra no fundo do silêncio,
como quem abandona um jardim
depois da última estação?

E se eu recusasse a voz da madrugada,
deixando o coração sem resposta,
como alguém que aprende
a não tocar feridas antigas?

Talvez eu apagasse teus rastros
das paredes da memória,
e o som da tua presença
virasse apenas vento distante.

Quem sabe eu cansasse de sentir —
não por esquecimento,
mas pelo peso acumulado
das esperas intermináveis.

Se a saudade deixasse de florescer
e se tornasse apenas um quarto vazio,
sem música,
sem perfume,
sem esperança pousada na janela.

E se eu dissesse basta,
fechando as portas ao que restou de nós?
Sem desejar teus retornos,
sem alimentar promessas incompletas,
sem recolher os pedaços
do amor que nunca chegou inteiro.

Talvez então eu descobrisse
uma estranha serenidade:
ver-te perdido no mesmo frio
que um dia deixaste em mim.

Porque existem dores
que não queimam —
apenas permanecem.

E há almas que continuam esperando,
não por amor,
mas pela impossível resposta
de quem jamais aprendeu
a permanecer.





  Cléia Fialho

domingo, 13 de março de 2016

MEU CORPO É OFERENDA



Teu peito, meu abismo
Sou quem chega em silêncio,
com as mãos trêmulas de desejo e entrega.
A profanação é prece,
meu corpo é oferenda,
e teu peito — altar e abismo.

Há um caos sagrado nos teus músculos,
um labirinto onde me perco
ao roçar a pele que guarda
o segredo do incêndio.

Sobe e desce o mundo
no ritmo do teu suspiro.
No emaranhado dos teus pelos,
navego cega, virgem de ti a cada instante.

Amo essa cama —
cova e céu onde renasço.
Tua boca, terremoto.
Tua carne, salvação.

E quando teu peito encontra o meu,
não é guerra.
É dança crua,
é invasão sem armas,
é o milagre do toque
que me desfaz.




  Cléia Fialho