TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 26 de maio de 2017

ALCOVAS



Alcovas
abrigam a alma
quando o corpo aprende a falar em silêncio.

Na penumbra que respira desejos,
teu perfume inaugura o instante —
acalmado alvorecer, alada,
minha fome desperta sem pressa.

Teus gestos, suaves e firmes,
amparam amorosa a alcova,
onde a boca ensaia promessas
e a pele escuta antes de tocar.

Há um tremor antigo
após árduo anúncio do querer,
como se o desejo precisasse
ser nomeado para existir.

E então, inteira,
a acolhedora alcova se fecha em nós,
cúmplice, quente, profunda,
enquanto o tempo perde o rumo.

E ali, nus de defesas,
dois corpos se esquecem do mundo
enquanto o prazer
respira dentro do outro.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 25 de maio de 2017

TESÃO QUE ME ENCHARCA




Como em uma tela de arte
 não há sequer uma só parte
 do meu corpo que não haja marcas...

 Da sua posse
 do tesão que me encharca
 invadindo-me com frenesi
 daqui... dali...

 Por todos os lados
 os desejos arrebatados
 como uma descarga elétrica
 de forma tão simétrica.

 Sinto seu sexo que pulsa e lateja
 que almeja e deseja
 estar em mim tão profundo
 onde o insano se faz fecundo.

 Combalindo-me pela virilidade
 abalando-me pela intensidade
 de múltiplos orgasmos
 esmaecendo-me em espasmos.

 Deixando-me louca e quente
 úmida e fulgente
 em torno de você amor
 em delirante furor.

 Numa cadência ritmada
 amando e sendo amada
 nossos olhares se encontram
 os lábios se defrontam.

 Em cada impetuosa arremetida
 quando a nirvana absorvida
 nos invade com doce gozo
 em um méleo prazer delicioso.




  Cléia Fialho

terça-feira, 23 de maio de 2017

SENSAÇÃO SABOROSA




Sedenta, a sensação saborosa
invade a boca, lambe a pele seca, sem suor.
Seca, sem suor, o corpo seco-sequiada,
fome de umidade que pulsa nos sorvedouros.

Sugando sorvedouros surpreendentes,
lábios famintos mergulham no centro úmido,
língua voraz explora dobras quentes,
devorando o mel que escorre, proibido.

Segue-seguindo o ritmo do quadril que ondula,
dedos afundam, chupam, provocam o clímax,
sem saciar-se sedenta, a boca implora mais,
eterna sede no fogo da carne que não cessa.

Corpos colados, suor agora jorra,
mas a secura interna clama por mais gozo,
sedenta, sempre sedenta, no êxtase voraz.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 15 de maio de 2017

ENTORPECER



Condescendente... transigente
 sou assim para o seu prazer
 satisfazer... entorpecer...
 Obediente... complacente
 sou assim para te agradar
 desfrutar... gozar...

Condescendente ao sentimento
que me atravessa sem pedir,
sou feito puro movimento
quando te vejo surgir.

Transigente com o instante
que me toma sem razão,
vou me perdendo adiante
no compasso da tesão.

E nesse jogo de presença
onde o sentir é guia e lei,
sou inteiro na experiência
de tudo que em ti encontrei.





  Cléia Fialho

sábado, 13 de maio de 2017

A IMPORTÂNCIA DESSE POVO




Nos pampas do Rio Grande, 
onde o gaúcho veste a tradição
Resplandece a poesia regional, 
exaltando a força e a missão
O campo vasto se estende, 
um cenário de imensidão
E o gaúcho, com sua garra, 
conduz a lida com devoção.

A cavalo, 
emoldurado pelo pampa infinito
Ele encara os desafios, 
sem temer o inverno ou o estio
Sua destreza no laço, 
sua alma de cavaleiro
São legados preciosos, 
passados de herdeiro a herdeiro.

Com as pilchas tradicionais, 
se veste com orgulho
A bombacha, o lenço e o chapéu, 
símbolos do gaúcho varonil
Sua história é rica e viva, 
como as águas de um rio
E sua cultura se perpetua, 
com fervor e brilho.

A importância desse povo, 
transcende os campos e fronteiras
É um traço marcante, 
que carrega memórias inteiras
Nas festas e nos rodeios, 
na dança e no churrasco
A cultura se fortalece, 
celebrando o que é de fato.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 11 de maio de 2017

PARTÍCULAS DE AMOR



Em meu corpo o prazer sem fim
 Que de você ficou tão guardado
 Suas pegadas gravadas em mim
 Em partículas de amor depositado
 A paixão que ainda arde assim

 E põe todo o meu ser nuançado
 E das palavras resumidas enfim
 Todas caladas que não foram ditas
Permaneceram as horas incitas
 E entre os nossos lençóis de cetim.




  Cléia Fialho

O Experimental Almognose
é uma criação da Poetisa ANA LUCIA S PAIVA
Linda interação do Amigo Poeta Gustab

Tecelã do orgasmo
implora misericórdia...
murmura seu gemido em meus ouvidos,
molha-me com néctar de flores,
entrega-se caprichosamente à minha boca
e deixa sua marca como um fluxo
afogando minha garganta...
petricor dos pântanos.

 GRATIDÃO 

quarta-feira, 10 de maio de 2017