TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quinta-feira, 25 de junho de 2020

E O ORGASMO



Tenho o desejo 
como oração
 E o prazer 
como uma reza

 O deleite é 
prece de oblação
 E orgasmo a súplica 
que se preza.

E no altar onde o corpo se faz templo aberto,
cada silêncio é toque, cada toque é verso,
e a carne aprende apelar sem palavras.

Há um incenso invisível no ar da vontade,
subindo lento entre sombras e luz,
como se o próprio tempo ajoelhasse
diante do que pulsa sem freio.

E eu me perco nesse rito sem dogma,
onde não há culpa nem espera,
apenas a entrega ardendo em presença,
 que não precisa de resposta.

E cada palavra que não digo se transforma em chama,
subindo lenta no altar da imaginação,
onde o sagrado e o desejo não se opõem,
apenas se reconhecem.

E ali permaneço — rendida ao invisível,
como quem encontra na entrega
a forma mais alta de sentido.

E o mundo se curva lento ao teu movimento,
como se o dia nascesse dentro do teu gesto,
e tudo ao redor perdesse o sentido comum.

Há um fogo sereno que guia meus passos,
um encanto que não pede explicação,
apenas me leva — inteira —
ao centro desse instante sem volta.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 24 de junho de 2020

AO RELENTO



A escol aparece
e a pétala floresce absorta
ao relento, estejas atento.

Há jardins que nascem do silêncio,
mesmo quando o inverno ameaça
com seus dedos frios.

Cada palavra semeada
carrega um perfume escondido,
um voo breve de borboleta
sobre os cadernos da infância.

E enquanto o vento atravessa
os corredores do tempo,
a vida aprende devagar
a desabrochar por dentro.

Que ninguém passe distraído
diante da beleza simples:
há universos inteiros
dormindo em pequenas sementes.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 22 de junho de 2020

ALMAS DANÇAM JUNTAS



Numa dança suave
no compasso do amor
Nossos corpos se 
entrelaçam com ardor
Na paixão, nos 
entregamos sem pudor
Nossas almas dançam juntas
num só fervor.

Numa dança suave, quase etérea,
no compasso invisível da atmosfera,
nossos passos se encontram sem direção,
guiados apenas pela emoção.

Nossos corpos se cruzam em harmonia,
como notas vivas de uma melodia,
e o tempo se curva, sem resistir,
ao jeito profundo de nos unir.

Na paixão, nos rendemos ao sentir,
sem máscaras, sem precisar fugir,
e tudo em nós se torna calor,
um só movimento, um só amor.

E as almas, enfim, sem separação,
dançam unidas na mesma canção,
como se o mundo, em seu redor,
existisse apenas nesse fervor…





  Cléia Fialho

domingo, 21 de junho de 2020

A LÍNGUA QUE NOS QUEIMA



Não sei se o verbo era meu, se o teu soou
Na noite em que a carne se desvendou.
Mas nossas línguas, em febre, se uniram,
E o mapa dos teus membros, em mim, pariram.
Perdia eu os dias, em teus contornos,
Um labirinto de sensações sem retornos.

Dizia eu, com a voz embargada, um presságio,
Que nosso encontro era um divino estágio.
E tu, com teu olhar que tudo incendeia,
Respondias com um silêncio que a alma semeia.
Cruzaram nossos corpos, num tremor profundo,
Um universo novo, rompendo com o mundo.

Em cada curva tua, um poema se desdobrava,
Uma geografia de ardores que me abraçava.
Perdia eu a noção do tempo e do espaço,
Na imensidão do teu ser, encontrando meu traço.
Cada toque, um verso que a pele sussurrava,
Num diálogo ancestral que a saudade guardava.

E o teu corpo, um livro aberto, eu lia sem cessar,
Cada página um êxtase, um eterno desejar.
Os dias se dissolviam em tuas constelações,
Perdido em tua essência, em mil sensações.
E eu sabia, dizia, com a voz que transbordava,
Que em ti a minha alma para sempre se ancorava.




  Cléia Fialho

sábado, 20 de junho de 2020

PROMISCUIDADES



Quero matar a saudades
 Do sua língua safada
 Que junto com 
seu toque atrevido
 Era mais do que 
um convite pervertido
 
Para o meu corpo 
se abrir e dar acesso
 Á suas gostosas 
promiscuidades...

era mais do que
um convite pervertido —
era chama acesa
na minha pele rendida,
um desejo sem freio,
febre doce e proibida.

Seu beijo me despia
antes mesmo das mãos,
desatando em meu corpo
as mais loucas sensações.

E entre suspiros quentes,
carícias e intimidades,
eu me perdia inteira
nas suas gostosas maldades…





  Cléia Fialho

sexta-feira, 19 de junho de 2020

NAVEGO EM TRANQUILIDADE




Nas águas mornas
do rio a serpentear
Teu corpo em meu corpo,
num doce provocar

No silêncio da noite,
começo a delirar
Sorvendo teus desejos,
até me embriagar.

Na corrente serena
do prazer a fluir
Teus dedos em minha pele
fazem-me estremecir
Entre suspiros lentos
deixamo-nos conduzir
E na dança dos sentidos
fazemos o amor florir.

Nas curvas mansas
do teu doce olhar
Desperta em meu corpo
um lento arrepiar
Teu toque sereno
faz meu mundo incendiar
E em ondas de encanto
me deixo naufragar.

Na brisa morna
que vem te envolver
Há perfume de desejo
florescendo em prazer
Teus braços em volta
fazem meu ser estremecer
Como um rio de ternura
transbordando em querer.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 18 de junho de 2020

TESÃO A DESPERTAR



No leito,  
a luz da lua a brilhar  
Lábios tocam  
ardentes a se encontrar  
Dança de desejos  
a se friccionar  
Nossos corpos nus  
tesão a despertar.

Tuas mãos sobem  
pelas minhas coxas quentes  
Dedos ávidos  
abrem caminho entre as fendas  
Molhada, latejante  
eu gemo teu nome  
Enquanto tua boca  
desce e me devora inteira

A língua selvagem  
chupa, lambe, penetra  
Eu arqueio a espinha  
e aperto tua cabeça contra mim  
Goza na minha boca  
antes de me foder fundo  
Sem piedade, sem freio  
só carne batendo em carne

Teu pau grosso  
entra de uma vez só  
Até o fundo, até doer gostoso  
Eu grito, me contorço, te mordo  
Me vira, me usa, me enche  
Até o gozo escorrer quente  
Pelas coxas, pelo lençol  
Misturado ao suor e à lua.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 17 de junho de 2020

CONVITE SUSSURRANTE



Na aurora dançante,
a manhã desperta seu brilho
Tece raios de sedução
num ápice de paixão
Convite sussurrante,
eu rendo-me ao seu atilho.

E o vento, cúmplice antigo das madrugadas,
desenha caminhos invisíveis na minha pele,
como se o mundo inteiro respirasse contigo.

Há um chamamento que não se explica,
só se obedece,
um rumor quente entre o silêncio e o caos,
onde tudo em mim perde o nome
e ganha impulso.

E sigo — sem mapa, sem defesa —
nesse chamado que me arrasta inteiro,
como se a vida soubesse exatamente
onde termina o corpo
e começa o delírio.





  Cléia Fialho