A noite se despe, devagar, sem pressa.
A lua se curva sobre mim, nua,
e eu me entrego ao seu olhar prateado.
O sol já não existe, só restam mãos
— as tuas — que me tocam
como se quisessem rasgar a pele e chegar até o osso.
Eu me abro.
O vento entra por entre as coxas, quente,
e eu sinto o ar como língua.
A terra geme.
Meu corpo é o poema que ninguém mais lê:
boca aberta, seios pesados,
clitóris latejando contra o frio da noite.
Cada estrela é um dedo que me fode devagar.
Eu ergo os quadris, peço mais.
Quero ser comida, sugada, fodida até o osso.
Quero que a escuridão me penetre até o fundo,
até o útero, até o grito.
O mundo dorme, mas eu ardo.
Eu transbordo.
Eu me desfaz.
E quando o dia voltar, nada restará de mim
— só o cheiro de sexo e lua no lençol molhado.
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