TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

CELEBREMOS O "DIA DO POETA"



No Dia do Poeta, celebramos a magia das palavras
Elevando versos, rimas e sentimentos às alturas
Nas asas da imaginação, voamos por universos
Onde a poesia é a luz que guia nossas aventuras.
 
O poeta é um alquimista, transformando dor em beleza
Na forja das emoções, forjando versos com destreza
Com metáforas e trocadilhos, cria seu próprio mundo
Onde a melodia das palavras é o som mais profundo.
 
No coração do poeta, habita o pulsar da paixão
E a tinta de suas palavras colore a escuridão
Ele encontra a poesia na simplicidade do dia a dia
E com versos, expressa o que de outro modo fugiria.
 
No Dia do Poeta, celebremos essa arte divina
Que nos faz enxergar o mundo de forma mais genuína
Que nos conecta com a alma de maneira profunda
O poeta é mais que um ser, é um presente que abunda.
 
Assim, erguemos nossas canetas e aplaudimos de pé
Aqueles que têm a poesia como sua maior fé
No Dia do Poeta, celebremos o poder das palavras
Que nos inspiram, são tantas emoções emaranhadas.




  Cléia Fialho

domingo, 17 de outubro de 2021

PELOS TEUS CONTORNOS



Quero descifrar a geografia
Dessa carne que arde em silêncio,
Onde o tempo perde a lógica
E o mundo exterior se desliga.

Teu suor é sal da minha sede,
Mapa úmido de desejo puro,
Cada gota é uma rede
Que me prende ao teu futuro.

Percorremos sem pressa os instintos,
Navegando mares de pele,
Onde a respiração se entrelaça
Numa dança de alma e carne.

Correndo não para chegar,
Mas para sentir o agora,
Onde cada toque é um lugar
De paz e de loucura nova.

Deslizo pelos teus contornos,
Lendo a história dos teus olhos,
Enquanto o fogo dos nossos corpos
Se torna um único ato de amor.

Não há mapa, não há roteiro,
Apenas a curva do teu quadril,
Onde encontro o meu refúgio
E o meu mais doce abismo.

Deixa que o suor nos unifique,
Que a pele seja o nosso livro,
E no ritmo lento e profundo,
Nos percam, para nos encontrarmos.




  Cléia Fialho

sábado, 16 de outubro de 2021

VEÍCULO D'ALMA



Poesia que me tomas
veículo d’alma
Leva-me além
das margens do real

Asas da intuição
sem pauta ou palma
Eu exploro o universo
como um coral.

Voz que vibra em silêncios,
maré que me invade,
Desenhas sentidos
no sopro do sentir.
Sou verso errante,
ânsia e liberdade,
Pulso que aprende
a eternidade existir.

Entre luz e mistério
me faço inteira,
Teu ritmo me veste
de céu e vertigem.
Poesia — chama primeira —
sou tua morada,
e em ti, eternamente,
me reinvento origem.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

VALE MORNO ENTRE MEUS SEIOS



Saboreamos o fogo que nos consome.
O tempo se curva aos nossos desejos.
Olhos nos olhos,
expressamos o que sentimos.

E enquanto o mundo lá fora insiste
em seu compasso de relógios exaustos,
nós dois inventamos um relógio novo
feito de bocas colando-se e afastando-se,
de mãos que descem pela coluna
como quem lê um verso com os dedos.

Deitas-me devagar sobre o lençol quente,
abres-me as coxas com a paciência dos que sabem
que a pressa é inimiga do gozo profundo,
e a tua boca desce por mim em espiral lenta,
demora-se no vale morno entre os meus seios,
morde-me a curva sensível dos flancos,
prova-me o ventre com a língua molhada,
até chegar onde eu já te espero
desde o primeiro olhar desta noite.

Provas-me sem pressa nenhuma,
como quem tem a noite inteira nas mãos.
Cada movimento da tua língua é um verso,
cada suspiro rouco que sais é uma vírgula,
cada mordida delicada é ponto de exclamação
gravado a fogo nas dobras da minha carne.

Arqueio-me contra a tua boca faminta,
enterro os dedos no teu cabelo,
puxo-te para mim com uma exigência
que só o desejo mais visceral conhece,
e tu ris rouco contra o meu ventre,
sabendo perfeitamente onde me perder.

Vim contra a tua boca com um grito abafado,
mas tu não paras — nunca paras quando eu peço.
Sobes por mim beijando o caminho que percorreste,
provo-me em ti quando os teus lábios encontram os meus,
e entras em mim de uma só vez, fundo, obsceno,
até o meu corpo inteiro ceder ao teu peso.

Movemo-nos no compasso antigo dos amantes,
quadril contra quadril, ventre contra ventre,
suor a escorrer entre os nossos peitos colados,
gemidos que já não pertencem a nenhum dos dois
porque se misturaram no ar até virarem só um som,
uma única súplica selvagem de duas gargantas.

Ergues-me as ancas com as mãos firmes,
enterras-te ainda mais fundo, ainda mais teu,
e a minha voz rasga o silêncio do quarto
num grito que amanhã os vizinhos hão-de fingir não ter ouvido.

Não paras. Não parei eu. Não paramos.
Cavalgamos a noite até as tábuas do soalho tremerem,
até o lençol se torcer em farrapos molhados,
até a manhã espreitar tímida por trás da persiana
e o nosso primeiro raio de sol nos apanhar ainda enroscados,
tu ainda dentro de mim, exaustos, sorrindo em silêncio.

E foi aí — só aí — que percebi
que a redenção que procurávamos não era da alma:
era da carne, do ventre, da boca, da pele,
da coragem obscena de nos entregarmos inteiros
sem contrato, sem pudor, sem defesa nenhuma —
tu, dentro de mim; eu, entregue a ti —
e o mundo lá fora, pequeno, distante, esquecido,
enquanto nós dois inventamos um evangelho novo
feito de gemido, gozo e madrugada.




  Cléia Fialho

terça-feira, 12 de outubro de 2021

domingo, 10 de outubro de 2021

LENÇÕES DE VERSOS



Na rima e métrica, 
a luxúria se revela
Entre lençóis de versos, 
a paixão se consagra
Em cada inspiração, 
o desejo se atrela
No enlace dos estros, 
a chama se propaga.

E o verbo, febril, se derrama
na cadência dos corpos em brasa,
feito vinho vertido na noite
que lentamente a lucidez arrasa.

Cada sílaba arde em segredo,
cada pausa suspira ansiedade,
e a poesia se faz desatino
na boca feroz da vontade.

Entre metáforas e arrepios,
vou tecendo delírios sem fim,
pois quando a luxúria veste versos,
o impossível se curva a mim.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

PAIXÃO E BRAVURA



No horizonte do mar, o amor se revela
Nas ondas que beijam a areia com ternura
É uma dança eterna, uma sinfonia perfeita
O encontro sublime da paixão e da bravura.
 
As águas acolhem os segredos mais profundos
Refletindo o sentimento intenso em seu olhar
Como marés que vêm e vão, o amor flui constante
Em marejadas altas, em cada brisa a acariciar.
 
O mar e o amor se entrelaçam em harmonia
Suas forças se unem, criando um elo eterno
Assim como as ondas que quebram na praia
O amor se renova, sempre intenso e sempiterno.
 
E assim, me perco na imensidão do mar e do amor
Embarco nessa jornada sem medo de me entregar
Pois sei que no encontro das águas e do sentimento
Encontro a plenitude do puro amor, no vasto mar.




  Cléia Fialho