TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

O AMOR É PELE


 

A noite não pede licença, apenas entra,
deslizando como seda sobre o calor.
Meus dedos traçam viagens na sua pele,
buscando o norte do seu desejo.

Sinta como a carne recorda o toque,
cada célula gritando por contato.
A respiração se entrelaça, pesada,
doce veneno que nos consome.

Não há palavras, só o suspiro,
o ar quente que nos envolve e prende.
O mundo lá fora deixa de existir,
ficamos apenas nós, carne e alma.

Africo-me em ti, lento e profundo,
descobrindo sabores de mel e sal.
Cada curva é um segredo revelado,
cada beijo, um novo ritual.

Deixa que o fogo consuma a razão,
que a pele seja o único idioma.
Neste instante, tudo é permitido,
tudo é profano e sagrado ao mesmo tempo.

Sua mão desce, lenta, devota,
acendendo faíscas na escuridão.
Eu me rendo à força bruta do prazer,
ao desejo que nasce e não tem fim.

Somos marés que se chocam e unem,
ondas que quebram na areia quente.
Não há amanhã, só este agora,
onde o amor é pele e é essência.




  Cléia Fialho

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

sábado, 11 de dezembro de 2021

SUSSURROS ESCORREM PELA PELE



O ar pesa, denso, carregado de eletricidade,
onde cada olhar é um toque invisível,
e o silêncio grita o que a boca cala.

Sussurros escorrem pela pele,
como mel quente sobre a noite fria,
desenhando mapas de desejo
nos contornos do corpo que se entrega.

Gemidos incontidos rompem a barreira,
fragmentos de uma alma despida,
ecoando no quarto escuro,
tornando o tempo, lento e pesado.

Não há palavras que bastem,
apenas o ritmo da respiração,
o suor que beija a outra pele,
e o medo doce de perder a razão.

Pedidos obscenos fluem das entrelinhas,
súplicas baixas, quase imperceptíveis,
que transformam o proibido em sagrado,
o profano em altar de carne e luz.

Os dedos traçam fronteiras esquecidas,
explorando zonas de perigo e prazer,
enquanto o mundo lá fora desaparece,
dissolvido na névoa do instante.

Há uma dança antiga, primitiva,
onde a vergonha se rende ao calor,
e cada suspiro é uma promessa
de que esta noite não tem fim.

O silêncio volta, mas agora é diferente,
cheio de ecos, de marcas, de verdade,
enquanto os corpos, exaustos e plenos,
descansam na concha do mesmo abraço.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

AINDA TE SINTO PULSAR



Deixo-te ficar dentro, não te vás embora,  
Ainda te sinto pulsar contra as minhas paredes,  
Adormece assim, com o meu corpo por hora,  
Que a fome não passou, meu amor, tu sabes.

Na penumbra do quarto, onde a paixão nos chama,  
Os nossos corpos se encontram num abraço quente,  
E cada suspiro é uma promessa que aclama,  
O desejo ardente que nunca está ausente.

Os lençóis testemunham nosso doce tormento,  
Onde o tempo pára e se dissolve o momento,  
Nas carícias trocadas, em murmúrios sussurrados,  
Nosso amor é a chama que jamais será apagado.

Permanece aqui, enquanto a lua nos vigia,  
Nesta dança silenciosa de prazer e harmonia,  
Deixa que a noite nos envolva em seu véu,  
Nosso refúgio secreto, nosso pedaço de céu.

E assim, entrelaçados, o mundo lá fora se esvai,  
Apenas nós dois existimos, num precioso clamor,  
Que a eternidade nos guarde na memória do amor,  
Pois nos teus braços, meu amado, encontrei meu lar.




  Cléia Fialho

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

CADA SUSPIRO É UM CONVITE



A noite desce, pesada e doce,
sobre a pele que espera o toque.
Não há palavras, não há voz,
apenas o silêncio que arde.

Desperta os instintos,
esse desejo adormecido no peito,
que ronca baixo, faminta,
pronta para o que é proibido.

Instiga fantasias,
quebra as grades da razão,
deixa a mente vagar nua,
onde o desejo é a única lei.

Sinto o calor subir,
trilha de fogo na espinha,
cada suspiro é um convite,
cada olhar, uma sentença.

O corpo fala antes da boca,
tremores que revelam segredos,
a pele pede o encontro,
o suor anuncia o segredo.

Deixa o controle se perder,
afunda nesse mar de carne,
onde o tempo não existe,
apenas o agora, intenso e cru.

Que a sombra nos cubra,
que a luz nos consuma,
desperta, meu amor,
que a noite é nossa.




  Cléia Fialho

sábado, 4 de dezembro de 2021

BEIJA A MINHA BOCA



Sobre a extensão branca do teu corpo,
o sol desenha mapas de desejo,
e o suor escorre como mel dourado,
trilha úmida que eu quero seguir.

Cada gota é um convite à perdição,
escorrendo pelos vales do peito,
desenhando curvas que a mente vê,
mas a pele grita o que o olhar não diz.

A salinidade beija a minha boca,
sabor de vida, de fogo e de instinto,
quando nossos corpos se encontram,
o suor é o líquido sagrado.

Ele brilha sob a luz tênue,
mapa de uma noite sem fim,
onde o atrito gera chama,
e a pele, mapa do nosso pecado.

Não há roupa, nem distância,
apenas o toque, o calor, a sede,
o suor que une duas almas,
numa dança lenta e desesperada.

Deixa que a umidade nos envolva,
que a pele grude na minha pele,
e nesse jogo de transpiração,
perdamos a noção do tempo.

Cada gota cai como promessa,
de um amor feito de carne e alma,
onde o suor é a linguagem muda,
do prazer que nos consome e nos salva.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

DESEJO QUE MORDE E SUGA



Não há palavras, apenas o peso
da respiração que se entrelaça,
o fio invisível que nos puxa
para o abismo da carne viva.

Teu olhar é um líquido quente
que escorre pelas bordas da alma,
molhando o seco, acendendo
o fogo que a razão não apaga.

Sinto o teu cheiro antes do toque,
o aroma adocicado da espera,
cada segundo é um atraso cruel
que dilói a nossa fome inteira.

Meus dedos traçam mapas secretos
na pele que treme e se entrega,
descendo lento, devagar,
até onde a dor se faz prazer.

És o mistério que eu decifro
com a língua, com a dentição,
o desejo que morde e suga
numa dança de pura confusão.

Não queremos luz, nem verdade,
apenas o suor, o gemido,
a fusão de dois corpos nus
no silêncio do nosso ouvido.

Que o tempo se rompa em pedaços
enquanto nós nos consumimos,
doce veneno, fogo amigo,
nosso próprio inferno divino.




  Cléia Fialho

terça-feira, 30 de novembro de 2021

CAVALGA EM MIM



Cavalga em mim, meu amor
Com tua paixão sem fim
Eleva-me ao mais alto sabor.
 
Acaricia meu corpo, assim
Com teu toque de fogo ardente
Queima-me em chamas sem fim.
 
Beija-me, meu bem, loucamente
Com teus lábios de desejo aflorado
E faz-me sentir teu corpo quente.
 
Cavalga em mim com força, entocado
E juntos, num só ritmo, vamos gozar
Na entrega total de turgor, sem pecado.




  Cléia Fialho