quinta-feira, 8 de junho de 2023
É O MEU PRÓPRIO PRAZER
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quarta-feira, 7 de junho de 2023
NA SOLIDÃO DO MEU CORPO
Na solidão, sou minha própria amante
Exploro a pele quente com dedos lentos
Descubro segredos entre as coxas úmidas
Encontro prazer e me entrego sem medo.
Na solidão que envolve a minh’alma
Um gemido baixo preenche o ar
Apenas minha própria mão ressoa
No silêncio quente a me acariciar.
Os seios pesados pedem carinho
Os mamilos endurecem sob o toque
Desço mais fundo, abro as pernas
E deixo o desejo invadir sem freio.
O corpo treme, o gozo sobe
Molho os dedos no meu próprio oceano
Na solidão eu me fodo com fome
E me encho de prazer até o fim.
terça-feira, 6 de junho de 2023
COLADA À TUA BOCA
Não peço calma, peço o incêndio que sobra
quando tuas mãos desaprendem o mapa do meu corpo
e eu sou só esse rio que transborda
onde teu sopro é o único remo.
Colada à tua boca a minha desordem —
não como renda, mas como fome que rasga.
O meu vasto querer não cabe em norma,
é bicho que desaba e ainda galga.
Te examino em cada vírgula suspensa,
como quem lê um mito às avessas:
despindo a fábula, provando a densa
umidade que te escorre das promessas.
O incompossível se fazendo ordem
enquanto a noite nos desfaz os ossos:
eu, que fui calma, viro torre que tomba
no teu peito onde ecoam meus destroços.
Colada à tua boca, mas descomedida —
alfabeto que morde o próprio canto,
dança que não ensaia a despedida,
vertigem que se planta em cada pranto.
Árdua, sim, porque o gozo é pedreira,
lapidação de luz no escuro bruto.
Construtor de ilusões, tua fronteira
é a única fronte que me deixa em luto
de tanto prazer — e eu, operária
de um céu que inventas só para me perder.
Examino-te sôfrega: cada fenda,
cada silêncio que te faz mais homem,
cada respiro que em mim se estilhaça
e reinventa o prazer que me tomam.
Como se fosses morrer colado à minha boca,
eu te demoro inteiro, quase louca,
porque o instante é a pátria do ausente.
Como se fosse nascer e teu suor
fosse o cordão que me prende à vida,
eu invento de novo a nossa cor
na tela úmida, quente, comprida
do lençol onde a lua nos espreita
e desaba em leite sobre a carne eleita.
E tu fosses o dia magnânimo,
sol que não queima, mas desabotoa
o vestido de cinzas que me habita,
eu te sorvo extremada à luz do amanhecer:
cada aurora é um gozo que me grita,
cada raio, um dedo a percorrer
a geografia exacta do teu ser.
Não há mapa, há trama, há laço, há nó
que desfaço com a língua e recomponho
até que o tempo perca o seu relógio
e eu seja apenas esse espaço em sonho
onde teu nome arde e se refaz —
desordem feita altar, feita voragem,
feita mulher que não pede outra vez
senão a de perder-te na linguagem.
segunda-feira, 5 de junho de 2023
LIVRO DO MEU CORPO
Me dá tua vida que eu escrevo em ti,
se solta, se liberta, sem tabu,
aqui nessa cama não tem pecado,
aqui tua boca pode tudo.
Meu palco é minha pele acesa,
meu perfume te deixa de joelhos,
meu calor te aquece inteiro,
meu mel te deixa de joelhos.
Eu te guio, eu te prendo, eu te solto,
eu te beijo onde tu arrepias,
eu te mordo onde tu me pedes,
eu te marco onde tu me vicias.
Quero teus beijos ardentes repetidos,
teu corpo no meu em união,
teus sentidos despertos nos meus,
teu gemido na minha devoção.
Minhas carícias são rimas entrelaçadas,
minha luxúria é sem receio,
meu amor é celebrado gozando,
meu êxtase é pleno, no meio.
Vem ser meu livro, vem ser meu verso,
vem beber do que brota em mim,
que eu te alimento de prazer,
e tu me alimenta até o fim.
domingo, 4 de junho de 2023
TEUS PÉS NOS MEUS LÁBIOS
Beijo teus pés como quem pede licença,
subo devagar pelo mapa da tua pele,
me demoro no teu ventre morno,
me perco no contorno dos teus seios.
Tua boca me chama e eu vou,
apaixonada, inteira, sem pressa,
deslizo as mãos com destino certo,
e estaciono onde teu corpo me quer.
Sinto tua respiração mudar de ritmo,
teu corpo responde quando eu toco,
teu olhar acende e me prende,
és maré cheia quando me ofereces.
Me fazes tua, me fazes vassala e rainha,
invades minhas profundezas com ternura,
me conquistas sem força, só com desejo,
e eu grito teu nome quando o prazer me inunda.
sábado, 3 de junho de 2023
A DONA DA FLOR MAIS LINDA
Quero teu rosto guardado no meu verso,
não em poema preso, em desejo solto,
quero tua pele de açucena acesa,
escrita em letras garrafais no meu corpo.
Quero tua boca com muito gosto,
traçar teu nome onde ninguém vê,
quero ser dona da flor dos prados,
e te colher inteira pra mim.
Quero versos perfumados de outono,
soltos nos teus ombros, nos teus ais,
quero pássaros com ciúme da gente,
quando minha pena te desperta e cai.
Quero versos ritmados na tua nuca,
suspiros que se abrem quando toco,
quero o estro inteiro entre meus lábios,
e me perder no teu gosto louco.
sexta-feira, 2 de junho de 2023
OÁSIS NA TUA BOCA
Deixa teu gosto suave na minha boca,
me toca como quem já sabe o segredo,
quero teu céu inteiro na minha língua,
esse prazer que gira leve como ave.
Desperta em mim o cálice e o mel,
em beijos que ascendem sem pressa,
desalinha meus sentidos todos,
quando tua mão acha o caminho.
Quero desbravar tua alma nua,
em viagem sem mapa, só pele e poro,
para além da miragem, teu corpo,
me fazendo oásis que não tem fim.
E que o tempo não te arranque de mim,
nessa ânsia minha que é tempestade,
me prende, me bebe, me inunda,
que eu quero ser tua eternidade.
quinta-feira, 1 de junho de 2023
ENTRE MEUS QUADRIL, O RITUAL DO FOGO
Não peço permissão ao desejo –
ele me habita como rio que desconhece a foz.
Meu corpo não é tela, é labareda,
é língua que lambe o ar antes do beijo.
Sou a curva que desaprendeu a espera.
No colo, o peso do mundo se dissolve
quando minhas coxas abrem o compasso
de uma dança que só a pele conhece.
Meus dedos escrevem no dorso do outro
um alfabeto que nenhum dicionário ousa.
Cada arranhão é vírgula,
cada mordida, ponto-final que recomeça.
Respiração ofegante é minha rima preferida –
sem métrica, sem pudor, sem freio.
Meu suor é estrofe líquida,
meu gemido, refrão que não se repete
porque cada vez é a primeira.
Deslizo como maré que invade a areia
sem aviso, sem roteiro, sem piedade.
E quando o corpo do outro me encontra,
eu não sou mais mulher –
sou território, sou fenda, sou abismo,
sou a mão que guia o naufrágio.
Meu prazer não tem nome, tem gosto,
tem cheiro de aurora entre os lençóis,
tem pressa de ser lento,
tem medo de acabar –
e acaba, sim, mas deixa o eco
tremendo dentro do osso.
Sou poesia ereta,
verso que pulsa onde a luz não alcança.
Não me leia com os olhos –
me leia com a ponta dos dedos,
com a língua trêmula,
com a entrega de quem sabe
que o êxtase também é literatura.
E quando eu arder por inteiro,
não apague o incêndio.
Escreva com ele.
Me escreva com ele.
Sempre.
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