Desperta-me de noite
com a respiração quente
colada na nuca.
Teus dedos não pedem licença:
deslizam pela curva da cintura,
sobeiam a pele ainda adormecida
e acordam cada poro
como se acendessem velas.
A língua chega depois,
lenta,
traçando caminhos úmidos
pelo ombro descoberto,
pela clavícula,
até a boca que se abre
sem palavras.
O lençol escorrega.
O corpo inteiro se oferece
na penumbra.
Tu entras em mim
como quem entra num quarto escuro
e vai acendendo cômodos:
primeiro o peito que arfa,
depois a barriga que treme,
depois o vale fundo
onde o prazer se esconde
e se entrega ao mesmo tempo.
Pouco a pouco
a noite perde o domínio.
Eu deixo de ser sono
e passo a ser só
o gemido baixo
que sobe da garganta
enquanto tu me descobres
por dentro.
E quando o gozo chega,
chega quieto,
profundo,
como uma maré que sobe
sem pressa
e inunda tudo.
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