Em um suspiro profundo, perdi-me na carne,
Entre lençóis e desejos, onde a pele se rende.
O calor que emana é a chama, tão constante,
Que aquece o corpo, fazendo-o, em silêncio,
— entender —
Duas mãos não bastam, a sede é demasiada,
Cada curva, cada traço, cada canto revelado.
Os dedos se perdem, e a alma é chamada,
A cada toque, um universo é despertado.
O rosto no tecido, na busca do afago,
A boca, entre suspiros, anseia o sabor.
O corpo é um campo, onde o prazer é um lago,
Onde as águas da paixão se misturam ao clamor.
E no seio do desejo, o corpo é uma canção,
Uma melodia de dores e delícias em dança,
Que envolve o ser inteiro em uma obsessão,
Onde o querer é um grito que nunca cansa.
As pernas se entrelaçam, como raízes no chão,
Buscando o ápice onde a razão perde seu lugar,
Em um frenesi, se mutiplica o tesão —
A urgência é a chave para o prazer encontrar.
Assim, nas sombras, é onde se vive o querer,
Onde o toque se torna verbo, e o silêncio é grito.
Na doçura do momento, não há tempo a perder,
Só o agora, o prazer, e o corpo aflito.