cada gesto é lâmina acesa,
no eco da tua voz partida
desenho o grito da matéria em chamas.
Derramo sobre ti o peso da fúria,
selando teu corpo com marcas de fogo,
e ficas — poema — na cama incendiada,
onde o mundo se desfaz em cinzas e desejo.
Teus olhos são relâmpagos em tormenta,
teu peito, tambor que explode em guerra,
e eu, ferida aberta, mergulho no abismo,
devorando o caos que nos consome.
A cada sopro, a cada ruína,
o universo se curva em febre,
e somos dois animais em delírio,
rasgando o silêncio com dentes de sombra.
Não há fronteira, não há descanso,
apenas o ritmo bruto da vertigem,
um incêndio que não se apaga,
um poema que sangra até o fim.
❦
Cléia Fialho
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