TOCA DA LEOA

SENSUALIDADE E EROTISMO À FLOR DA POESIA










sexta-feira, 14 de março de 2014

INCÊNDIO VISCERAL




Cada golpe é trovão que rasga,  
cada gesto é lâmina acesa,  
no eco da tua voz partida  
desenho o grito da matéria em chamas.  

Derramo sobre ti o peso da fúria,  
selando teu corpo com marcas de fogo,  
e ficas — poema — na cama incendiada,  
onde o mundo se desfaz em cinzas e desejo.  

Teus olhos são relâmpagos em tormenta,  
teu peito, tambor que explode em guerra,  
e eu, ferida aberta, mergulho no abismo,  
devorando o caos que nos consome.  

A cada sopro, a cada ruína,  
o universo se curva em febre,  
e somos dois animais em delírio,  
rasgando o silêncio com dentes de sombra.  

Não há fronteira, não há descanso,  
apenas o ritmo bruto da vertigem,  
um incêndio que não se apaga,  
um poema que sangra até o fim.  




Cléia Fialho

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