minha cintura martela o compasso feroz do teu delírio,
no teu clamor rasgado, rouco e selvagem,
eu decifro a escrita brutal da tua carne rendida.
Afogo teu centro com minha seiva espessa,
batizo teu íntimo com o pulso indomável do sangue,
sou rio que transborda,
sou tempestade que invade,
sou vertigem que não conhece fronteira.
Teu corpo permanece — obra consumada —
no caos dos lençóis rasgados,
na desordem sagrada da entrega,
na poesia crua que só a pele entende.
Sou fera em tua pele,
sou incêndio em tua boca,
sou vertigem que te arrasta,
sou abismo que se abre e nunca se fecha.
Cada gemido é trovão,
cada respiração é faca,
cada beijo é terremoto.
E no ritmo selvagem,
somos tempestade que não pede licença,
somos desejo que não se cala,
somos arrebatamento que devora.
E quando o mundo se dissolver em suor,
seremos ainda fogo,
seremos ainda vertigem,
seremos ainda selvageria.
Nossos corpos tatuados por cicatrizes de prazer,
nossos lençóis destruídos como testemunhas,
nossas almas marcadas por este rito visceral.
Porque não somos apenas amantes,
somos poesia crua, intensa,
somos selvageria que não conhece fim,
somos o caos que se consome,
somos o abismo que nos engole,
sem retorno.
❦
Cléia Fialho

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