O teu corpo é ímã que arrasta os meus ossos,
Fértil em devaneios, gestos e voracidades,
É a tua carne
Despida, muda, incandescente,
Onde os sentidos se perdem em névoa
E os apetites se saciam em delírio
Que eu caço.
Somos os dois labareda, pó e tormenta,
E impossíveis de matar esta sede,
Habitar-nos-emos no infinito
Atados pelo pescoço.
Tu abres as coxas e eu mergulho sem bússola,
A boca úmida a encontrar o teu centro escuro,
Onde o sabor é mel, é fogo, é revelação,
E eu bebo como fera que não viu água em séculos.
Minhas mãos afundam na tua carne a molhar,
Dedos que escavam, que marcam, que possuem,
Deixo sinais roxos no teu colo, no teu ventre,
Bandeiras de conquista em pele que ainda treme.
Empurro-te contra a parede, o frio a morder tuas costas,
E entro em ti com a força de quem já não sabe esperar,
O som é seco, o impacto é trovão,
Tuas unhas arrancam mapas das minhas omoplatas,
E nós dois, incendados, enterrados, transbordando,
Rugimos o nome um do outro como último grito.
O suor escorre pelos nossos vincos,
O lençol rasga-se sob os nossos calcanhares,
E quando finalmente caímos no colchão devastado,
Ainda estou em ti, pulsando, vencendo,
Tu ainda me apertas, ainda pedes,
E a madrugada assiste em silêncio
Ao nosso pacto de carne eterna,
Ligados pelo pescoço,
Pelos quadris,
Pelo fogo.
.gif)

Otro bonito soneto que me parece forma de una serie que nos estas ofreciendo.
ResponderExcluirSaludos.